Lero Lero – Edu Lobo

http://www.pegacifra.com.br/cifras/edu-lobo/lero-lero_13491.html#

Sou brasileiro de estatura mediana
Gosto muito de fulana mas sicrana é quem me quer
Porque no amor quem perde quase sempre ganha
Veja só que coisa estranha, saia dessa se puder

Não guardo mágoa, não blasfemo, não pondero
Não tolero lero-lero, devo nada pra ninguém
Sou descansado, minha vida eu levo a muque
Do batente pro batuque faço como me convém

Eu sou poeta e não nego a minha raça
Faço versos por pirraça e também por precisão
De pé quebrado, verso branco, rima rica
Negaceio, dou a dica, tenho a minha solução

Sou brasileiro, tatu-peba taturana
Bom de bola, ruim de grana, tabuada sei de cor
Quatro vez sete vinte e oito nove´s fora
Ou a onça me devora ou no fim vou rir melhor

Não entro em rifa, não adoço, não tempero
Não remarco, marco zero, se falei não volto atrás
Por onde passo deixo rastro, deito fama
Desarrumo toda a trama, desacato satanás

Brasileiro de estatura mediana
Gosto muito de fulana mas sicrana é quem me quer

Porque no amor quem perde quase sempre ganha
Veja só que coisa estranha, saia dessa se puder
Diz um ditado natural da minha terra
Bom cabrito é o que mais berra onde canta o sabiá
Desacredito no azar da minha sina
Tico-tico de rapina, ninguém leva o meu fubá

Have We Become Too Flexible? Adair Turner

O crescimento da renda real disponível é vital para incrementar consumo e preços. A entrada maciça da força de trabalho da China na economia de mercado global mudou o balanço de forças entre capital  e trabalho nas economias desenvolvidas. Outros fatores também contribuíram para a estagnação nos salários reais. A crescente desigualdade de renda tende a produzir crescimento lento da demanda, tendo em vista que os mais ricos têm maior propensão a poupar.

Um ataque puramente macroeconômico à deflação não será suficiente. Ainda segundo o autor, uma melhor estratégia seria adotar políticas que enfrentem as causas estruturais da estagnação de salários e consumo. Uma dessas causas é a excessiva flexibilização do mercado de trabalho.

Apresento, abaixo, a tradução dos três primeiros parágrafos e o mesmo texto no original, em inglês. Para leitura do texto completo em inglês, acesse o link ao final do texto.

Paulo Martins – dialogosessenciais.com

Tradução:
“Neste início de 2015, a realidade da deficiência na demanda global e dos riscos de deflação nas maiores economias do mundo é evidente. Na zona do Euro, o crescimento do Produto Nacional Bruto está se tornando mais lento e a inflação tornou-se negativa. O progresso do Japão para alcançar o objetivo de inflação de 2% estancou. Mesmo as economias que estão experimentando um crescimento econômico robusto não alcançarão o objetivo: a inflação nos Estados Unidos não alcançará 1,5% este ano e a taxa de inflação da China atingiu o patamar mais baixo dos últimos cinco anos: 1,4% ao ano, em novembro de 2014.
Nas economias avançadas, a inflação baixa reflete não apenas o impacto temporário da queda de preçosdas “commodities”, mas também a estagnação de longo prazo dos salários. Nos Estados Unidos, no Reino Unido, no Japão e em diversos países da zona do Euro, a mediana dos salários reais continuam em níveis inferiores a 2007. Na realidade, nos Estados Unidos, os salários reais pra o quartil inferior não aumentaram em três décadas. E, apesar dos Estado Unidos terrem criado 295.000 postos de trabalho em dezembro passado, o dispêndio atual com salários caiu.
Os países em desenvolvimento não estão em melhor situação …..”

Traduzido por Paulo Martins – dialogosessenciais.com

LONDON – As 2015 begins, the reality of deficient global demand and deflationary risks in the world’s major economies is starkly apparent. In the eurozone, GDP growth is slowing, and inflation has turned negative. Japan’s progress toward its 2% inflation target has stalled. Even economies experiencing more robust economic growth will miss their targets: inflation in the United States will not reach 1.5% this year, and China’s rate reached a five-year low of 1.4% last November.
In the advanced economies, low inflation reflects not just the temporary impact of falling commodity prices, but also longer-term wage stagnation. In the US, the United Kingdom, Japan, and several eurozone countries, median real (inflation-adjusted) wages remain below their 2007 levels. Indeed, in the US, real wages for the bottom quartile have not risen in three decades. And, though the US created 295,000 new jobs last December, actual cash wages fell.

The developing world is not doing much better. As the International Labor Organization’s latest Global Wage Report shows, wage gains are lagging far behind productivity growth.

Read more at http://www.project-syndicate.org/commentary/global-demand-deficiency-by-adair-turner-2015-01#GcSz6kU5hw7FF5lD.99

Situação da População Mundial 2013 – Maternidade Precoce

Somente neste domingo 20.000 meninas com menos de 18 anos darão à luz em países em desenvolvimento. O problema existe também em países desenvolvidos, mas é menos grave.

O UNFPA é o Fundo de População das Nações Unidas. O seu endereço eletrônico, em português, é:

http://www.unfpa.org.br

O lema do UNFPA é : “Criando um mundo onde todas as gestações sejam desejadas, todos os partos sejam seguros e cada jovem alcance seu potencial”.
Sua Divisão de Informação e Relações Externas produziu um relatório intitulado “Situação da População Mundial 2013 (swop2013), documento de excelente qualidade, com 132 páginas com tabelas, gráficos e textos, fundamentais para entendimento do assunto. São apresentados os problemas e sugestões para enfrentamento. O tema do relatório de 2013 é “Maternidade Precoce: Enfrentando o desafio da gravidez na adolescência”.
Trata-se de um desafio global, do qual o Brasil não está a salvo. Uma das causas da violência que assola nosso país é, certamente, a paternidade irresponsável e a ausência ou falta de efetividade das políticas públicas destinadas a solucionar o problema. Todo ano, 7,3 milhões de meninas menores de 18 anos dão à luz em países em desenvolvimento. Trata-se de uma “epidemia”.

“Quando uma menina engravida ou tem um filho, sua saúde, educação, potencial de geração de renda e todo o seu futuro podem ser comprometidos, prendendo-se a uma vida de pobreza, exclusão e ausência de empoderamento.

Para acessar o relatório completo em PDF, clique em:

Clique para acessar o swop2013.pdf

Na página do UNFPA você encontrará relatórios de anos anteriores. O relatório de 2014 também já está disponível. Trata da situação e perspectiva de vida de 1,8 bilhões de jovens entre 10 e 24 anos de idade.

Abraço,

Paulo Martins – dialogosessenciais.com

The Politics of Economic Stupidity – Joseph Stiglitz

Trata-se de artigo do Prêmio Nobel em Economia Joseph Stiglitz intitulado “The Politics of Economic Stupidity”. Na opinião do autor, a estagnação observada em quase todo o mundo em 2014 é artificial, criada pelo homem. Resulta da política, que ele considera estúpida, e de políticas que deram choques negativos na demanda. Na falta de demanda, investimentos e empregos não se materializam. Cortes de gastos públicos, resultantes das políticas de austeridade adotadas, especialmente na zona do Euro, agravaram os problemas já existentes devidos à fraqueza da demanda privada. Os Estados Unidos adotaram a austeridade mais branda e obteve o melhor desempenho econômico. Ainda segundo Stiglitz, o mundo precisa é de demanda e o setor privado não será capaz de gerar a demanda necessária. Mas a política fiscal poderia. Há um amplo leque de opções de investimentos públicos que poderiam trazer taxas de retorno superiores ao custo real de capital. O autor encerra o artigo afirmando que o maior problema mundial para 2015 não é econômico. É político.

Paulo Martins – dialogosessenciais.com

Leia o artigo original em:
Read more at http://www.project-syndicate.org/commentary/politics-of-economic-stupidity-by-joseph-e–stiglitz#gGoAgm1hJyDQeRTw.99

O Novo Realismo Macroeconômico do BCE – Jeffrey Sachs

Este artigo apresenta a posição do Economista Jeffrey Sachs sobre a possibilidade da nova política de afrouxamento monetário adotada pelo Banco Central Europeu alcançar os resultados esperados. Apresento os três primeiros parágrafos traduzidos, e o endereço para que o artigo completo, em inglês, possa ser acessado e lido.

Paulo Martins – dialogosessenciais.com

O Banco Central Europeu finalmente adotou a política de afrouxamento monetário (quantative easing – QE). A questão-chave agora é se a Alemanha dará ao BCE a autonomia necessária para aplicar esta expansão monetária com a profundidade suficiente.

Embora a expansão monetária não possa produzir crescimento de longo prazo, ela pode colaborar muito para o encerramento da recessão continuada que tem assolado a zona do Euro desde 2008. Os níveis recordes atingidos pelos mercados de capitais na Europa esta semana, em antecipação ao afrouxamento monetário, não apenas indica aumento no nível de confiança, como também um canal direto pelo qual o afrouxamento monetário pode alavancar consumo e investimento.

Mas alguns observadores, tais como o Prêmio Nobel Paul Krugman e o ex-Secretário do Tesouro dos Estados Unidos Larry Summers, continuam a duvidar se o afrouxamento monetário pode, realmente, trazer os resultados esperados. Como Krugman recentemente descreveu, uma “espiral deflacionária” está afundando boa parte da economia global e a queda dos preços está causando uma inescapável espiral decrescente na demanda. O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional parecem concordar pois, recentemente, ambos diminuíram em alguns pontos suas estimativas de crescimento econômico.

Traduzido por: Paulo Martins

Leia mais em: http://www.project-syndicate.org/commentary/ecb-quantitative-easing-support-by-jeffrey-d-sachs-2015-01#lauLHfLuYW5qb67o.99

NEW YORK – The European Central Bank has finally launched a policy of quantitative easing (QE). The key question at this stage is whether Germany will give the ECB the freedom of maneuver needed to carry out this monetary expansion with sufficient boldness.
Though QE cannot produce long-term growth, it can do much to end the ongoing recession that has gripped the eurozone since 2008. The record-high stock-market levels in Europe this week, in anticipation of QE, not only indicate growing confidence, but are also a direct channel by which monetary easing can boost both investment and consumption.
But some observers, such as Nobel Laureate Paul Krugman and former US Treasury Secretary Larry Summers, continue to doubt whether QE can really be effective. As Krugman recently put it, a “deflationary vortex” is dragging down much of the world economy, with falling prices causing an inescapable downward spiral in demand. The World Bank and International Monetary Fund seem to agree, as both recently lowered their growth forecasts a few notches.

Read more at http://www.project-syndicate.org/commentary/ecb-quantitative-easing-support-by-jeffrey-d-sachs-2015-01#lauLHfLuYW5qb67o.99

Deflation and the eurozone: why falling prices aren’t always good news

Deflation and the eurozone: why falling prices aren’t always good news

JANUARY 12, 2015 // BY: JAMES MEADWAY/NEF(New Economics Foundation)

As oil prices continue to fall, a strange phenomenon is making its presence felt across Europe: deflation. Familiar in Japan since the 1990s, consistently falling prices for the goods we buy are almost unheard of in Europe, not seen since the grim years of the 1930s. But according to figures released in December, prices inside the eurozone are now falling by 0.2% a year. Continue lendo “Deflation and the eurozone: why falling prices aren’t always good news”

Preços de vacinas – apelo dos Médicos Sem Fronteiras

Após publicar relatório sobre preços de vacinas, Médicos Sem Fronteiras faz apelo por vacinas acessíveis aos países pobres. Leia a seguir matéria disponível no site e no Twitter do MSF-Brasil:
MSF faz apelo à GSK e à Pfizer para que reduzam o preço da vacina pneumocócica para US$ 5 por criança em países pobres antes da reunião de doadores

20/01/2015
Novo relatório de MSF revela que países sofrem com a disparada dos preços das vacinas em meio a um mercado sigiloso

Vacinação
A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) fez um apelo às companhias farmacêuticas GlaxoSmithKline (GSK) e Pfizer para que reduzam o preço da vacina pneumocócica para Continue lendo “Preços de vacinas – apelo dos Médicos Sem Fronteiras”

Posição da Anistia Internacional do Brasil sobre penas de morte

15 de janeiro de 2015 | Pena de morte
A Anistia Internacional é contra a pena de morte em qualquer circunstância e repudia veementemente a decisão do governo indonésio em executar Marco Archer, condenado à morte em 2004 por tráfico de drogas. A sentença está marcada para ser cumprida neste fim de semana e ele corre o risco de ser o primeiro brasileiro executado por um governo estrangeiro. Além dele, outro brasileiro, Rodrigo Gularte, também espera no corredor da morte indonésio e pode ser morto nas próximas semanas.

“A pena de morte é um atentado contra a vida que desumaniza a justiça e brutaliza o Estado. É inaceitável em qualquer circunstância e mais chocante quando aplicada a alguém que não cometeu crime violento”, afirma Atila Roque, diretor-executivo da Anistia Internacional Brasil.

A pena de morte é uma violação aos direitos humanos, atentando contra princípios básicos de dignidade, como o direito à vida, e é a punição mais cruel, desumana e degradante. Desde 2007, a ONU advoga pela moratória global em execuções.

O governo brasileiro tem agido com firmeza na defesa de Archer e Gularte, contribuindo dessa forma não só para a defesa de dois de seus cidadãos, mas para a campanha internacional para abolir a pena de morte. O Brasil ratificou dois tratados internacionais que a proíbem em tempos de paz – protocolos adicionais ao Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e à Convenção Americana de Direitos Humanos.

“Apoiar a pena de morte é estar no lado errado da história. Só 10% dos países recorrem a execuções e a tendência é decrescente desde o fim da Segunda Guerra Mundial. É inaceitável que o governo da Indonésia manipule a vida de dois brasileiros para fins de propaganda de sua política de segurança pública”, diz Roque.

Em ocasiões semelhantes no passado, as autoridades da Indonésia comutaram as sentenças, entendendo que há outras formas de aplicar a lei, sem violar direitos humanos. “Instamos o presidente da Indonésia, Joko Widodo, a seguir o exemplo de seus antecessores e cancelar a execução de Archer e dos outros condenados à morte”, finaliza Roque.

Nota: A Anistia Internacional vai lançar hoje (15) uma Ação Urgente para todas as suas seções pedindo que pressionem o governo Indonésio a não levar adiante as execuções agendadas para este fim de semana – além do brasileiro, mais cinco pessoas serão executadas. A ação urgente é uma ferramenta que permite que seções de todos os países onde a Anistia Internacional está presente se mobilizem através de seus ativistas para pressionar diretamente representantes dos governos através de e-mails, cartas e telefonemas.

The Inequality Trifecta (A Trifeta da Desigualdade)*

LAGUNA BEACH – There were quite a few disconnects at the recently concluded Annual Meetings of the International Monetary Fund and World Bank. Among the most striking was the disparity between participants’ interest in discussions of inequality and the ongoing lack of a formal action plan for governments to address it. This represents a profound failure of policy imagination – one that must urgently be addressed.

There is good reason for the spike in interest. While inequality has decreased across countries, it has increased within them, in the advanced and developing worlds alike. The process has been driven by a combination of secular and structural issues – including the changing nature of technological advancement, the rise of “winner-take-all” investment characteristics, and political systems favoring the wealthy – and has been turbocharged by cyclical forces.

In the developed world, the problem is rooted in unprecedented political polarization, which has impeded comprehensive responses and placed an excessive policy burden on central banks. Though monetary authorities enjoy more political autonomy than other policymaking bodies, they lack the needed tools to address effectively the challenges that their countries face.

Read more at http://www.project-syndicate.org/commentary/imf-world-bank-annual-meetings-and-inequality-by-mohamed-a–el-erian-2014-10#p26pKLk1u7xYFZGz.99

  • Trifeta: em linguagem de turfe, significa acertar a aposta nos cavalos vencedores em três páreos seguidos. No texto, o autor se refere ao trio de desigualdades: de renda, de riqueza e de oportunidade.

Paulo Martins/dialogosessenciais@gmail.com

SOBRE O AUTOR:

Mohamed A. El-Erian
Mohamed A. El-Erian, Chief Economic Adviser at Allianz and a member of its International Executive Committee, is Chairman of President Barack Obama’s Global Development Council. He previously served as CEO and co-Chief Investment Officer of PIMCO. He was named one of Foreign Policy’s Top 100 Global Thinkers in 2009, 2010, 2011, and 2012. His book When Markets Collide was the Financial Times/Goldman Sachs Book of the Year and was named a best book of 2008 by The Economist.

Perfil do traficante Marco Archer

O diariodocentrodomundo.com.br publicou um perfil do traficante Marcos Archer escrito por jornalista que o entrevistou durante 4 dias em 2005.

Mesmo sendo contra o tráfico de drogas, continuo firme na minha posição contra o assassinato de pessoas pelo Estado, de qualquer pessoa, por qualquer Estado. O assassinato (a execução) praticada pelos Estados Unidos, nos estados onde a pena de morte é legalizada, não é mais nobre que a pena de morte praticada na Indonésia, na Coreia do Norte, ou em qualquer lugar. É tudo assassinato. Não existe nobreza nenhuma em assassinar um ser humano, por mais abjeto e recriminável. O fato deste tipo de assassinato ser legal não muda nada: continua sendo um uso criminoso,  perante a consciência de todos os humanistas, do poder de Estado. É um caminho tão fácil quanto perigoso. Comprova a falência desse Estado.

O assunto da pena de morte é polêmico. Minha opinião está ancorada em valores humanitários, a principal marca deste blog. Assim espero.

Paulo Martins/dialogosessenciais.com

CLIQUE NO LINK ABAIXO PARA TER ACESSO AO ARTIGO COMPLETO

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-perfil-de-marco-archer-por-um-jornalista-que-conversou-com-ele-4-dias-na-prisao/

A epidemia da indiferença

Artigo publicado na revista Carta Capital em 9 de janeiro de 2015

Este artigo, escrito por Atila Roque e publicado sob o título de “A violência no Brasil tem cor”, aborda um assunto que virou rotina e não choca mais ninguém. Mudei o título por que acho que a indiferença complementa o mal causado pela violência e a realimenta.

Paulo Martins

Cinco jovens foram assassinados em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense: um com 12 anos, um com 14, um com 15 e dois com 18. Um sexto jovem, com 12 anos, sobreviveu à tentativa de homicídio. Eram seis jovens, mas este crime não mereceu destaque em nenhum jornal, tampouco o pronunciamento de nenhuma autoridade.

O assassinato de Michael Brown, em agosto, ocorreu num subúrbio negro e pobre dos Estados Unidos. O mesmo acontece todos os dias no Brasil. Os jovens negros são os mais afetados pela violência e sabemos que uma parte destes homicídios é decorrente de intervenção policial. Tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil há uma herança de exclusão social e discriminação associada a juventude negra, que deve ser amplamente discutida e repudiada. A diferença é que no caso dos Estados Unidos, a morte desse jovem pela polícia provocou comoção e revolta, enquanto no Brasil raramente chega aos ouvidos da maioria da população. A sociedade convive com isso como se a morte violenta fosse o destino inevitável desses jovens. Não é.

Um dos desafios de grandes pensadores do século XX foi tentar entender como tantos alemães tornaram rotina lidar com a brutalidade da tragédia que ocorria por lá durante o holocausto. Hannah Arendt descreveu esse fenômeno como a banalização do mal. A ideia contemporânea de Direitos Humanos surge daí. A sociedade, o Estado, todos devemos nos sensibilizar, nos chocar, quando se violam direitos, quando se produzem tragédias. Alguns pensam: “O mundo é mesmo um lugar violento”. Não. Violento mesmo é o Brasil. Em 30 anos foram cerca de 1 milhão de pessoas assassinadas. O Brasil é responsável por 10% dos homicídios do mundo! Mata-se mais por aqui do que somados os principais conflitos armados do planeta. Achar isso banal é entregar-se à epidemia da indiferença.

São 56 mil homicídios no Brasil por ano. Desse total, 30 mil tinham idade entre 15 e 29 anos. É razoável lidar com esta naturalidade com o homicídio em massa de jovens? E por quê? Não nos enganemos. Os que morrem são em sua maioria negros, são pobres, são invisíveis. Não pensamos que, por trás do número de um milhão de mortos, há um milhão de mães, de familiares, de vidas roubadas, histórias interrompidas. Tornamos tudo isso invisível.

Por isso a Anistia Internacional lançou recentemente a campanha “Jovem Negro Vivo”, com o objetivo de romper com o silêncio e a indiferença da sociedade e do estado em relação a essas mortes. A morte violenta não pode ser aceita como destino de tantos jovens.

E a curva de crescimento continua ascendente. Nos últimos dez anos, por exemplo, a violência letal entre os jovens brancos caiu 32,3% e entre os jovens negros aumentou 32,4%. Ou seja, os homicídios de jovens negros são um dos principais pilares que sustentam o aumento das mortes. O outro pilar é a indiferença com a qual a sociedade e o estado tratam essas mortes, como se já tivessem passado a fazer parte da paisagem natural de nossas cidades.

Há muitas causas para o problema dos homicídios no Brasil. Uma delas consiste no sistema de Justiça e Segurança Pública, que tem sido historicamente marcado por uma distribuição seletiva da justiça e da impunidade. Um sistema altamente ineficaz no combate à criminalidade, profundamente marcado pela violência policial e por prisões conhecidas por suas “condições medievais”, em palavras de José Eduardo Cardozo, Ministro da Justiça.

Uma parte significativa da letalidade decorre de ações das polícias. Não é exagero dizer que as polícias no Brasil se encontram entre as que mais matam e morrem no mundo. Os dados divulgados recentemente pelo Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 490 policiais tiveram mortes violentas no ano de 2013. Nos últimos 5 anos (2009-2011) a soma é de 1.770 policiais vitimados. Cerca de 75,3% foram mortos fora do horário de serviço. No mesmo período, as polícias brasileiras mataram em serviço – em nome do Estado, ou seja, de cada um de nós – 11.197 pessoas, o equivalente ao que as polícias dos EUA mataram em 30 anos. Esse quadro é o resultado do fracasso de uma política de segurança que estabeleceu a guerra como paradigma de ação, onde os inimigos são, em grande medida, os jovens das favelas e das periferias de nossas cidades, em grande maioria negros.

Outro motivo é a impunidade. O Brasil prende muito e mal. Menos de 8% dos homicídios no Brasil resultam em processos criminais. Há uma deficiência na investigação, com a existência de duas polícias (Civil e Militar) que pouco dialogam, além de outras questões como a falta de perícia, pouco uso de inteligência, falta de dados, planejamento e coordenação institucional e federativa. Somos o 4º país em população carcerária, atrás apenas de Estados Unidos, China e Rússia. As condições são péssimas: de alojamento, de alimentação, de justiça. Superlotação, torturas, condições de higiene precárias, revistas vexatórias em familiares – incluindo crianças – e toda a sorte de punições para quem cometeu delitos são comuns.

Ferguson e Brasil têm muito em comum, mas os americanos estão um passo à frente para a resolução do problema. Eles admitem que há um problema em matar jovens, negros, desarmados. E estão nas ruas dizendo isso de maneira contundente para que o mundo possa ouvir. No Brasil ainda prevalece o silêncio cúmplice.

Não se resolve o problema da segurança pública com um passe de mágica, porém o primeiro passo é perceber que a tragédia não é banal, não pode ser uma nota escondida no jornal. É preciso romper com uma espécie de pacto de silêncio que se estabeleceu em relação a essas mortes, com raras exceções. A indiferença da sociedade com tantas vidas perdidas é uma das nossas maiores vergonhas. Todas as mortes representam uma tragédia e perda irreversíveis. A sociedade tem um papel estratégico na pressão para que esta realidade mude. Não queremos entrar para História como outra geração que tolerou o extermínio.

1% dos mais ricos terão riqueza maior do que os 99% restantes

As notícias aparecem nos telejornais ou em pequenas matérias nos jornais de grande circulação e não causam nenhum impacto, não geram nenhuma consternação, nenhuma reflexão ou reação. Os números não são questionados, pois são irrefutáveis. Enquanto isso, o “impostômetro” merece grande destaque, todos os meses, entra ano sai ano.

Continue lendo “1% dos mais ricos terão riqueza maior do que os 99% restantes”

O freio de mão puxado que trava a economia brasileira: L. Dowbor

Leonardo Boff

Ladilau Dowbor é professor titular do departamento de pós-graduação em economia e adminitração da PUC – São Paulo. Dutorou-se em Lausanne na Suiça e em Varsóvia na Polônia. É um conselheiro apreciado em muitas instituições nacionais e internacionais como a ONU. É autor de uns 40 livros e inumeráveis artigos. Dos livros ressalto “A formação do capialismo brasileiro”, Brasiliense 2010 e “Democracia econômica”Vozes 2008. Publico este artigo, por ser orientador em questões econômicas que tem a ver também com o cotidiano de nossas vidas. Não deixem de consultar seu artigo mais longo mas muito esclarecedor: Lboff

**************

Não se assuste por favor com alguns números, pois não são complicados. Trata-se mais ou menos das mesmas contas que fazemos em casa, só que alguns zeros a mais. Mas a lógica é a mesma, não há muito mistério.

O PIB do Brasil é, arredondando, de 5 trilhões de reais. O que significa…

Ver o post original 954 mais palavras

Horóscopo – signo de Áries

Como o blog – dialogosessenciais.com – está com poucos visitantes, vou ter que apelar para algo bem popular: horóscopo. Trata-se um horóscopo completo, que serve para todos os dias do ano e, na verdade, para a vida toda. Bem prático, não é mesmo?

Vou começar com Áries e publicar um signo por mês, fora de ordem. Você vai precisar entrar no blog todos os dias, para ver se o horóscopo do seu signo foi publicado. Em compensação, este horóscopo vai lhe servir para a vida toda.

Escolha o signo que melhor se encaixe em sua vida ou escolha a vida que melhor se encaixe em qualquer dos signos.

O autor é o Thiago de Mello.

Paulo Martins

ÁRIES

Eu sei que Marte te ajuda, companheiro.
Conheço bem de perto esse poder apaixonado,
a generosa força do teu signo de fogo.
Mas não confies demasiado. Cuidado contigo,
vejo um cansaço ao oeste do teu olho.
É preciso ter paciência com as vaidades verdes.
Escuta a canção do vento que inventa
o redemoinho nas palavras,
e quando o sol estiver a pino
evita as próprias palavras:
um autêntico Áries deve preferir não dizer
quando o dizer é confundir.
O sectarismo está cravando no teu sonho
os seus dentes de nácar,
e nem te dás conta.
Ademais, não são de nácar.

Não desanimes nunca, segue trabalhando
pelo reinado da claridão,
que, como sabes, ou precisas saber,
tem o gosto da vida
e a cor do sangue antes do amanhecer.

Tua luta te reserva grandes alegrias,
tanto mais belas porque repartidas,
e no começo do verão
resolverás definitivamente
teu grande problema secreto:
mas só se tiveres força
de olhar o sol de frente.

Pelo outono,
ligeiras perturbações cardiovasculares,
proporcionais ao medo
que circula em tuas artérias.

Os mais jovens,
ou os que ainda não perderam a juventude,
devem adiar sua noite de bodas
por umas poucas luas
e ganhar bem esse tempo
para aprender devagarinho
que o compartir não dói e te acrescenta
de uma força maior que a das estrelas.
Os Áries que já se casaram,
que tratem de levar o barco
por águas mansas,
sem fazer mal a ninguém.
Haverá um instante na primavera
no qual os varões de Marte
que ainda resguardam a infância
(cuidado que ela está agonizante no peito!)
estarão extremamente sensíveis
à beleza das mulheres em geral.
Nem todos sucumbirão.

No meio do último decanato,
chegará um sol cinzento com grandes ameaças
à pobre face deste lindo mundo nosso.
Mas não te alteres:
continua fazendo a tua parte,
humilde e organizado,
na construção da alegria.

As mulheres morenas
devem acalmar o gênio,
e preferir
sobriamente
o sortilégio do quartzo rosado.

Thiago de Mello

Do livro: Horóscopo para os que estão vivos, edição de luxo ilustrada e editada por Ciro Fernandes, 1982, RJ