The Negative Way to Growth? Nouriel Roubini

NEW YORK – Monetary policy has become increasingly unconventional in the last six years, with central banks implementing zero-interest-rate policies, quantitative easing, credit easing, forward guidance, and unlimited exchange-rate intervention. But now we have come to the most unconventional policy tool of them all: negative nominal interest rates.
Such rates currently prevail in the eurozone, Switzerland, Denmark, and Sweden. And it is not just short-term policy rates that are now negative in nominal terms: about $3 trillion of assets in Europe and Japan, at maturities as long as ten years (in the case of Swiss government bonds), now have negative interest rates.

At first blush, this seems absurd: Why would anyone want to lend money for a negative nominal return when they could simply hold on to the cash and at least not lose in nominal terms?

Read more at http://www.project-syndicate.org/commentary/negative-nominal-interest-rates-by-nouriel-roubini-2015-02#wr22RMHW2VztwCJH.99

Cerveja: o transgênico que você (nós) bebemos?

Publicado originalmente no Outraspalavras.net. Falta informação. As cervejarias têm o dever de vir a público e mostrar seus procedimentos operacionais para garantir que não estamos bebendo cerveja com componentes trangênicos em sua fórmula. Se não puder garantir, informe este  detalhe e deixe o consumidor consciente tomar sua decisão.

Paulo Martins – dialogosessenciais.com

“Sem informar consumidores, Ambev, Itaipava, Kaiser e outras marcas trocam cevada pelo milho e podem estar levando à ingestão inconsciente de OGMs

Por Flavio Siqueira Júnior* e Ana Paula Bortoletto*

Vamos falar sobre cerveja. Vamos falar sobre o Brasil, que é o 3º maior produtor de cerveja do mundo, com 86,7 bilhões de litros vendidos ao ano e que transformou um simples ato de consumo num ritual presente nos corações e mentes de quem quer deixar os problemas de lado ou, simplesmente, socializar.

Não se sabe muito bem onde a cerveja surgiu, mas sua cultura remete a povos antigos. Até mesmo Platão já criou uma máxima, enquanto degustava uma cerveja nos arredores do Partenon quando disse: “era um homem sábio aquele que inventou a cerveja”.

E o que mudou de lá pra cá? Jesus Cristo, grandes navegações, revolução industrial, segunda guerra mundial, expansão do capitalismo… Muita coisa aconteceu e as mudanças foram vistas em todo lugar, inclusive dentro do copo. Hoje a cerveja é muito diferente daquela imaginada pelo duque Guilherme VI, que em 1516, antecipando uma calamidade pública, decretou na Bavieira que cerveja era somente, e tão somente, água, malte e lúpulo.

Acontece que em 2012, pesquisadores brasileiros ganharam o mundo com a publicação de um artigo científico no Journal of Food Composition and Analysis, indicando que as cervejas mais vendidas por aqui, ao invés de malte de cevada, são feitas de milho.

Antarctica, Bohemia, Brahma, Itaipava, Kaiser, Skol e todas aquelas em que consta como ingrediente “cereais não maltados”, não são tão puras como as da Baviera, mas estão de acordo com a legislação brasileira, que permite a substituição de até 45% do malte de cevada por outra fonte de carboidratos mais barata.

Agora pense na quantidade de cerveja que você já tomou e na quantidade de milho que ela continha, principalmente a partir de 16 de maio de 2007.

Foi nessa data que a CNTBio inaugurou a liberação da comercialização do milho transgênico no Brasil. Hoje já temos 18 espécies desses milhos mutantes produzidos por Monsanto, Syngenta, Basf, Bayer, Dow Agrosciences e Dupont, cujo faturamento somado é maior que o PIB de países como Chile, Portugal e Irlanda.

Tudo bem, mas e daí?

E daí que ainda não há estudos que assegurem que esse milho criado em laboratório seja saudável para o consumo humano e para o equilíbrio do meio ambiente. Aliás, no ano passado um grupo de cientistas independentes liderados pelo professor de biologia molecular da Universidade de Caen, Gilles-Éric Séralini, balançou os lobistas dessas multinacionais com o teste do milho transgênico NK603 em ratos: se fossem alimentados com esse milho em um período maior que três meses, tumores cancerígenos horrendos surgiam rapidamente nas pobres cobaias. O pior é que o poder dessas multinacionais é tão grande, que o estudo foi desclassificado pela editora da revista por pressões de um novo diretor editorial, que tinha a Monsanto como seu empregador anterior.

Além disso, há um movimento mundial contra os transgênicos e o Brasil é um de seus maiores alvos. Não é para menos, nós somos o segundo maior produtor de transgênicos do mundo, mais da metade do território brasileiro destinado à agricultura é ocupada por essa controversa tecnologia. Na safra de 2013 do total de milho produzido no país, 89,9% era transgênico. (Todos esses dados são divulgados pelas próprias empresas para mostrar como o seu negócio está crescendo)

Enquanto isso as cervejarias vão “adequando seu produto ao paladar do brasileiro” pedindo para bebermos a cerveja somente quando um desenho impresso na latinha estiver colorido, disfarçando a baixa qualidade que, segundo elas, nós exigimos. O que seria isso se não adaptar o nosso paladar à presença crescente do milho?

Da próxima vez que você tomar uma cervejinha e passar o dia seguinte reinando no banheiro, já tem mais uma justificativa: “foi o milho”.

Dá um frio na barriga, não? Pois então tente questionar a Ambev, quem sabe eles não estão usando os 10,1% de milho não transgênico? O atendimento do SAC pode ser mais atencioso do que a informação do rótulo, que se resume a dizer: “ingredientes: água, cereais não maltados, lúpulo e antioxidante INS 316.”

Vai uma, bem gelada?”

KANDINSKI: TUDO COMEÇA NUM PONTO / no CCBB

Exposição de um dos mais renomados mestres da pintura moderna, pioneiro e fundador da arte abstrata, além de trabalhos dos seus seguidores e de artistas que o influenciaram. Pinturas litografias, fotografias e objetos ilustram a trajetória do artista, com obras provenientes do Museu Estatal Russo de São Petersburgo e outros.

Curadoria: Evgenia Petrova e Joseph Kiblitsky

De 28.01 a 30.03  – no Centro Cultural do Banco do Brasil – Rio de Janeiro

HORÁRIO: de 9h às 21h

INGRESSO: Entrada franca

Para mais informações, acesse:

http://culturabancodobrasil.com.br/portal/kandinsky-tudo-comeca-num-ponto-2/

 

Por Um Novo Pacto Social – NEF

Apresentamos, a seguir, a introdução ao novo trabalho da NEF – New Economics Foundation.

FEV 17, 2015 // ESCRITO POR:
Anna Coote , chefe de Política Social

Estas são as propostas do NEF para um novo pacto social – um quadro para decidir como vamos viver juntos, o que esperamos de nossos governos e aquilo que queremos alcançar para nós mesmos e para os outros. Baseia-se nos pontos fortes no Plano Beveridge do pós-guerra, mas vai além  – porque o mundo mudou profundamente – para oferecer uma nova abordagem ousada para os desafios que enfrentamos hoje.

O novo pacto social, tem três objetivos: a justiça social, a sustentabilidade ambiental e uma distribuição mais equitativa do poder. Todos os três estão interligados e devem ser buscados em conjunto. Eles enfrentam os graves problemas contemporâneos: ampliação das desigualdades sociais, acelerando as ameaças ao ambiente natural, e a acumulação de poder pelas elites ricas.

Essas metas levam a um conjunto de objetivos, que destacam questões cruciais frequentemente ignoradas no debate majoritário. Como os objetivos, elas também estão ligadas entre si e podem reforçar-se mutuamente:

Plano para a prosperidade sem depender de crescimento econômico.
. Deslocar investimentos e ações a montante para evitar danos ao invés de apenas lidar com as consequências.
. Valorizar e fortalecer a economia do núcleo do trabalho não remunerado, a sabedoria cotidiana e as relações sociais das quais as nossas vidas dependem.
. Fortalecer os laços de solidariedade e a compreensão do quanto nós dependemos apenas uns dos outros para alcançar nossos objetivos.

As nossas propostas são parte do trabalho de NEF para construir uma nova economia que serve os interesses das pessoas e para o planeta, e não o contrário. Desafiamos a visão dominante de que a chave para o progresso é a desregulamentação dos mercados, promover a concorrência e a liberdade de escolha, e impulsionar o consumo. Oferecemos um conjunto diferente de idéias que promove o bem-estar para todos, dentro dos limites do ambiente natural, bem como formas mais inclusivas e colaborativas de tomar decisões e trabalhar em conjunto. Nosso objetivo é atender as necessidades de hoje sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades.

Para ajudar a concretizar nossas metas e objetivos, definimos algumas propostas de mudança prática. Eles não representam um plano abrangente, mas sugere um novo sentido de marcha e um conjunto diferente de prioridades – é a nossa contribuição para debates mais amplos sobre o tipo de sociedade que queremos para o futuro.

Reequilibrar tempo e trabalho:

. uma nova estratégia para o mercado industrial e de trabalho para alcançar alta qualidade e empregos sustentáveis para todos, com um papel mais forte para os trabalhadores no processo de tomada de decisão;
. uma transição gradual para horas de trabalho remunerado para todos apontando para 30 horas como o novo padrão semana de trabalho mais curtas e mais flexíveis;
. uma ofensiva contra os baixos salários para alcançar taxas de salário/hora decentes para todos;
. serviço de atendimento à infância de alta qualidade, a preços módicos, para todos que necessitem.

Liberação de recursos humanos:

. apoiar e encorajar as atividades e ativos desvalorizados e não pagos que são encontradas na vida cotidiana para além da economia formal;
. adotar como padrão os princípios de co-produção, de modo que os usuários e provedores de serviços possam trabalhar em conjunto para atender às necessidades;
. mudar a forma como os serviços públicos são comissionados para se concentrar em resultados e co-produção.

Fortalecer a segurança social:

. desenvolver serviços públicos cada vez mais diversificados, abertos e colaborativos, em detrimento dos mercados e dos fins lucrativos;
. e construir um sistema de benefícios mais ajustado, inclusivo e democrático.

Plano para um futuro sustentável:

. promover políticas eco-social, como meios de transporte alternativos e casas pré-moldadas, que ajudam a alcançar a justiça social e sustentabilidade ambiental;
. compensar os efeitos socialmente regressivos da precificação do carbono e outras políticas pró-ambientais;
. assegurar que as instituições públicas liderem o processo pelo exemplo;
. estabelecer novos meios de pré-avaliação das políticas públicas.

Baixe o arquivo PDF. Está em inglês http://www.neweconomics.org/page/-/publications/New%20Social%20Settlement_06.02.15_WEB.pdf

Os 450 anos do Rio de Janeiro, a especulação imobiliária e a imobilidade urbana, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Os 450 anos do Rio de Janeiro, a especulação imobiliária e a imobilidade urbana, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Publicado em fevereiro 27, 2015 por Redação

Tags: trânsito-mobilidade urbana, urbanização

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“Rio 40 graus
Cidade maravilha
Purgatório da beleza
E do caos…”

Fernanda Abreu (1992)

[EcoDebate] A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, também conhecida como “Cidade Maravilhosa” foi fundada por Estácio de Sá no dia 1° de março de 1565 (evidentemente, contra a vontade dos índios Tamoios e Tupinambás que habitavam a região). O município do Rio de Janeiro foi a capital do Brasil entre 1763 e 1960 e vai comemorar seus 450 anos em 2015. Atualmente é a segunda cidade do país em termos populacionais e econômicos, ficando atrás apenas da capital paulista.

A população do Rio de Janeiro era de 275 mil habitantes em 1872 (data do primeiro censo brasileiro), chegou a 811 mil pessoas em 1900, ultrapassou um milhão de habitantes em 1920, estava com 3,3 milhões de pessoas quando perdeu o posto de capital do país para Brasília (em 1960) e alcançou 6,3 milhões de habitantes em 2010 (data do último censo demográfico). A população da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ) era de 11,8 milhões de habitantes em 2010, representando quase três quartos do total fluminense. Para 2015, as estimativas apontam para 6,5 milhões de pessoas na cidade do Rio de Janeiro e 13 milhões de habitantes na RMRJ.

Em uma cidade tão grande e densamente povoada, era de se esperar a existência de um bom transporte coletivo de massa. Porém, o Metrô do Rio de Janeiro, que começou a ser construído no início da década de 1970 e teve a inauguração de suas operações quando a cidade fez 414 anos (em março de 1979), possui atualmente apenas duas linhas, com 36 estações e 42 km de extensão, transportando cerca de 700 mil passageiros diariamente. Em 15 de março de 2014 foi inaugurada a Estação Uruguai, terminal da Linha 1. Nos próximos anos, planeja-se o acréscimo de 38 quilômetros, totalizando 4 linhas e 55 estações. A linha 3, de 22 quilômetros, deverá ser um monotrilho, ligando os municípios de São Gonçalo e Niterói. A linha 4, de 16 quilômetros, ligará a estação General Osório, em Ipanema, à estação Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca e está prevista para ser inaugurada em 2016.

Esperava-se uma “Revolução nos Transportes” no Rio de Janeiro em função do grande volume de recursos previstos para os megaeventos da atual década: Conferência Rio+20 (2012), Jornada Mundial da Juventude (2014), Copa do Mundo de Futebol (2014) e as Olimpíadas (2016). Porém, pouco se avançou em relação a outras grandes cidades do mundo.

Comparando com o metrô de Xangai (2ª maior cidade da China, com cerca de 19 milhões de habitantes na Região Metropolitana) as diferenças são espetaculares. O Rio de Janeiro estava bem à frente de Xangai em 1993, pois a cidade chinesa não tinha nenhuma linha em operação naquele ano. Mas em apenas duas décadas, enquanto a “Cidade Maravilhosa” construiu 12 estações em suas 2 linhas, Xangai passou a ter o maior sistema de metrô do mundo, com mais de 500 quilômetros de extensão em 2014, capaz de transportar mais de 7 milhões de passageiros por dia, tendo cerca de 250 estações em 15 linhas e mais 3 planejadas até 2020. Lá funciona o Xangai Transrapid, que é a primeira linha de trem de alta velocidade comercial do mundo: Maglev (Magnetic levitation transport). Sua construção iniciou em março de 2001 e começou a operar em 1° de janeiro de 2004. O trem pode atingir uma velocidade de 350 km/h em apenas 2 minutos e uma velocidade máxima de 431 km/h. Faz um trajeto que vai da estação Longyang Road em Pudong até o Aeroporto Internacional de Xangai, em um percurso de aproximadamente 30 km, demorando menos de 8 minutos para fazer o percurso.

Ou seja, enquanto o metrô do Rio de Janeiro transporta diariamente cerca de 5% da população da RMRJ, o metrô de Xangai transporta cerca de 40% da população da megalópole chinesa. As tarifas do Metrô do Rio de Janeiro foram apontadas, proporcionalmente, como uma das mais altas do mundo. Os empregos são concentrados no Centro e na Zona Sul – áreas regidas pela especulação imobiliária desenfreada – enquanto a maior parte da população vive na Zona Norte e nas periferias sem infraestrutura (mas não livres da especulação imobiliária em uma escala menor).

O Observatório das Metrópoles, em parceria com o Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas, divulgou estudo em que mostra a precariedade da mobilidade urbana no Rio de Janeiro – nos aspectos relacionados a preço, qualidade e transparência de gestão – mostrando a falta de um transporte público de qualidade, democrático e seguro. O estudo ressalta: “Nos últimos anos, pode-se afirmar que os preços das passagens no Rio de Janeiro não vêm sofrendo apenas reajustes, ou correções tarifárias. Têm ocorrido, na verdade, aumentos abusivos acima de qualquer índice de inflação. Além disso, como ocorreu com as passagens de ônibus no dia 1º de janeiro de 2012, esses aumentos não são previamente anunciados, configurando verdadeiras manobras por parte do poder público em conluio com as empresas de transportes para evitar que qualquer tipo de manifestação fosse previamente realizada”.

Outra dimensão abordada pelo estudo foi a baixa integração intermodal. O Poder Público prometeu a “revolução nos transportes”, construindo as vias Transcarioca, Transolímpica e Transoeste (todas BRTs), e o metrô Lagoa-Barra (alongamento da Linha 1) todos ligados à realização da Copa e dos Jogos Olímpicos. Mas, “Por outro lado, a população clama por serviços de transporte de massa em outras direções e para outras regiões da cidade. Ou seja, enquanto hoje o serviço de transporte coletivo oferecido à população se configura como caro, precário e insuficiente para a demanda existente, o cenário que se desenha é o de investimentos em transporte no Rio de Janeiro que, em vez de atenderem à demanda existente, tornam possível a ocupação de áreas vazias ou pouco densas, visando a valorização imobiliária e a expansão irracional da malha urbana”.

O estudo conclui: “A chamada ‘revolução nos transportes’ propagandeada pelo Poder Público no contexto dos megaeventos não é, portanto, solução para a crise da mobilidade, um problema que decorre das enormes dificuldades de deslocamento diário das pessoas para trabalhar em um mercado de trabalho cada vez mais organizado na escala metropolitana”.

Todos estes aspectos mostram que a propaganda dos sucessos da “Cidade Maravilhosa” é muito mais um mito do que uma realidade cotidiana. No que diz respeito à mobilidade urbana, nos aspectos históricos e na comparação internacional, o Rio de Janeiro está longe de ser uma maravilha. O transporte público tem que ser pensado para a totalidade da Região Metropolitana, buscando soluções para os principais problemas, tais como a superlotação do metrô nos horários de pico, a lentidão dos trens, o alto custo da passagem, as constantes falhas e acidentes – como o ocorrido entre dois trens no ramal Japeri da Supervia que deixou 160 pessoas feridas, dia 05 de janeiro de 2015.

Talvez os problemas do transporte público de massa possam ser resolvidos antes do Rio de Janeiro completar 500 anos. A cidade de Xangai construiu uma rede de metrô dez vez maior do que a do RJ em apenas 20 anos. Quem sabe o exemplo chinês possa inspirar os dirigentes públicos cariocas, fluminenses e nacionais no sentido de construir um sistema de transporte que seja eficiente, democrático e, minimamente, ecologicamente sustentável.

Uma nota especial dos 450 anos refere-se à escassez de água potável em meio a recordes de temperatura. A marchinha de carnaval de Vitor Simon e Fernando Martins (1954) voltou a ficar atual: “Rio de Janeiro, cidade que me seduz: de dia falta água e de noite falta luz! Abro o chuveiro, oi, não cai um pingo, desde segunda até domingo“. Os reservatórios de Paraibuna e Santa Branca, fundamentais para o abastecimento da “Cidade Maravilhosa” atingiram o volume morto em janeiro de 2014. As usinas hidrelétricas foram desligadas. Já a Represa do Funil, em Resende e Itatiaia, atingiu em janeiro o nível mais baixo da história. Embora as chuvas tenham aumentado em fevereiro, a situação geral é grave e as autoridades públicas apenas procrastinam as soluções necessárias. A cidade e a região metropolitana do Rio de Janeiro podem ficar em situação crítica um ano antes das Olimpíadas de 2016, sem perspectivas de solução definitiva para a época do grande evento internacional.

Como diz a música, o clima é de 40 graus e de caos. Com o adensamento da RMRJ e a manutenção das desigualdades sociais, a imobilidade urbana, a especulação, a violência e a críse hídrica e energética houve uma mudança no sentimento de convivência dos cariocas entre si e com a natureza. Há cerca de 50 anos, Vinicícus de Moraes escreveu a letra da música “Carta ao Tom”, lembrando de forma saudosista a “Cidade Maravilhosa” antes dos seus 400 anos:

“Rua Nascimento Silva, 107
Você ensinando pra Elizete
As canções de canção do amor demais

Lembra que tempo feliz
Ah! que saudade
Ipanema era só felicidade
Era como se o amor doesse em paz

Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria
Esse Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
E alem disso se via da janela
Um cantinho de céu e o Redentor

É, meu amigo, só resta uma certeza
É preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar um novo amor”

Mais recentemente, Chico Buarque fez uma nova versão que parece a mais adequada para a comemoração dos 450 anos da “Cidade Maravilhosa”:

“Rua Nascimento Silva, 107
Eu saio correndo do pivete
Tentando alcançar o elevador

Minha janela não passa
De um quadrado
A gente só vê cimento armado
Onde antes se via o Redentor

É, meu amigo, só resta uma certeza
É preciso acabar com a natureza
É melhor lotear o nosso amor”

Referências:

ALVES, JED. Réquiem para o Rio Carioca, Ecodebate, RJ, 01/03/2012

http://www.ecodebate.com.br/2012/03/01/requiem-para-o-rio-carioca-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

VOX. 38 maps that explain the global economy, 2014

http://www.vox.com/2014/8/26/6063749/38-maps-that-explain-the-global-economy

Observatório das Metrópoles. Rio olímpico e mobilidade urbana: qual será o legado?, RJ, 09/05/2012

http://www.observatoriodasmetropoles.net/index.php?option=com_k2&view=item&id=247%3Amobilidade-urbana-no-rio&Itemid=164&lang=pt

Chico Buarque. Carta Ao Tom (paródia) http://letras.mus.br/chico-buarque/85945/

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

Publicado no Portal EcoDebate, 27/02/2015

“Os 450 anos do Rio de Janeiro, a especulação imobiliária e a imobilidade urbana, artigo de José Eustáquio Diniz Alves,” in Portal EcoDebate, 27/02/2015, http://www.ecodebate.com.br/2015/02/27/os-450-anos-do-rio-de-janeiro-a-especulacao-imobiliaria-e-a-imobilidade-urbana-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/.

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UE dá primeiro (e curto) passo no Protocolo de Paris, que deverá substituir o Protocolo de Quioto

Bloco se adianta ao propor oficialmente corte de “pelo menos 40%” de suas emissões de gases estufa até 2030 em relação a 1990

A União Europeia (UE) deu a largada rumo ao acordo do clima de Paris nesta quarta-feira (25/02), ao tornar-se o primeiro bloco a colocar na mesa sua proposta de redução de gases de efeito estufa para o novo tratado global, a ser implementado em 2020. Um documento divulgado pela Comissão Europeia detalha a visão dos 27 países sobre o novo regime climático e diz o que os europeus estão dispostos a fazer.

A chamada Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida (INDC) da UE chega um mês antes do prazo informal dado pelas Nações Unidas para os países desenvolvidos apresentarem seus números. Traz também um avanço ao propor que o novo acordo, que os europeus já estão chamando de Protocolo de Paris, tenha força de lei internacional. Porém, ainda faz pouco para colocar o mundo na trajetória segura de limitar o aquecimento global no fim deste século a 2 °C, objetivo almejado pelos membros da Convenção do Clima da ONU, com base nas recomendações da ciência.

A INDC europeia propõe reduzir as emissões dos 27 países do bloco “em pelo menos 40%” até 2030 em relação aos níveis de 1990, sem a compra de créditos de carbono de fora. Segundo o documento da Comissão Europeia, isso colocaria a UE numa trajetória “economicamente viável” de cortar 80% de suas emissões até 2050, permitindo uma chance “provável” de ficar dentro do limite de 2 °C.

Na linguagem estatística do IPCC, o painel do clima da ONU, “provável” significa uma chance de pelo menos 66%.

“Os europeus merecem crédito por terem sido os primeiros a fazer o anúncio, mas sua oferta está aquém do que seria sua contribuição justa ao esforço mundial de redução de emissões”, diz Mark Lutes, analista sênior de clima do WWF, uma das organizações integrantes do Observatório do Clima. “Estamos dizendo que o mundo precisa reduzir a zero as emissões de queima de combustíveis fósseis e chegar a 100% de energia renovável até 2050; e a proposta europeia não chega lá.” No entanto, ressalta Luttes, os europeus deixaram a porta aberta para revisões periódicas dos compromissos a partir de 2020, algo que o Brasil tem defendido nas negociações.

“Esperamos que a UE ainda possa aumentar sua contribuição à luz do que a ciência diz que é necessário fazer para evitar o caos climático”, diz o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl. “Da mesma forma, esperamos que o Brasil não fique dependendo disso para colocar na mesa um compromisso de redução de emissões ambicioso e proporcional a sua responsabilidade. Para o Brasil, fazer a coisa certa no clima representa oportunidade de recolocar a economia nos eixos, e nós não podemos deixar essa oportunidade passar só porque outros países estão fazendo menos do que deveriam.”

“O Brasil é um dos países com mais oportunidades para redução de emissões e tem tudo para assumir um papel de protagonismo, estimulando os outros países a aumentarem a ambição do novo acordo global”, afirma o gerente de estratégias da conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e coordenador-geral do Observatório do Clima, André Ferretti.

Colaboração de Maria Luiza Campos, para o Portal EcoDebate, 26/02/2015

WHO calls for worldwide use of “smart” syringes

WHO calls for worldwide use of “smart” syringes

Press release

23 FEBRUARY 2015 | GENEVA – Use of the same syringe or needle to give injections to more than one person is driving the spread of a number of deadly infectious diseases worldwide. Millions of people could be protected from infections acquired through unsafe injections if all healthcare programmes switched to syringes that cannot be used more than once. For these reasons, WHO is launching a new policy on injection safety to help all countries tackle the pervasive issue of unsafe injections.*

A 2014 study sponsored by WHO, which focused on the most recent available data, estimated that in 2010, up to 1.7 million people were infected with hepatitis B virus, up to 315 000 with hepatitis C virus and as many as 33 800 with HIV through an unsafe injection. New WHO injection safety guidelines and policy released today provide detailed recommendations highlighting the value of safety features for syringes, including devices that protect health workers against accidental needle injury and consequent exposure to infection.

WHO also stresses the need to reduce the number of unnecessary injections as a critical way of reducing risk. There are 16 billion injections administered every year. Around 5% of these injections are for immunizing children and adults, and 5% are for other procedures like blood transfusions and injectable contraceptives. The remaining 90% of injections are given into muscle (intramuscular route) or skin (subcutaneous or intradermal route) to administer medicines. In many cases these injections are unnecessary or could be replaced by oral medication.

“We know the reasons why this is happening,” says Dr Edward Kelley, Director of the WHO Service Delivery and Safety Department. One reason is that people in many countries expect to receive injections, believing they represent the most effective treatment. Another is that for many health workers in developing countries, giving injections in private practice supplements salaries that may be inadequate to support their families.”

Transmission of infection through an unsafe injection occurs all over the world. For example, a 2007 hepatitis C outbreak in the state of Nevada, United States of America, was traced to the practices of a single physician who injected an anaesthetic to a patient who had hepatitis C. The doctor then used the same syringe to withdraw additional doses of the anaesthetic from the same vial – which had become contaminated with hepatitis C virus – and gave injections to a number of other patients. In Cambodia, a group of more than 200 children and adults living near the country’s second largest city, Battambang, tested positive for HIV in December 2014. The outbreak has been since been attributed to unsafe injection practices.

“Adoption of safety-engineered syringes is absolutely critical to protecting people worldwide from becoming infected with HIV, hepatitis and other diseases. This should be an urgent priority for all countries,” says Dr Gottfried Hirnschall, Director of the WHO HIV/AIDS Department.

The new “smart” syringes WHO recommends for injections into the muscle or skin have features that prevent re-use. Some models include a weak spot in the plunger that causes it to break if the user attempts to pull back on the plunger after the injection. Others have a metal clip that blocks the plunger so it cannot be moved back, while in others the needle retracts into the syringe barrel at the end of the injection.

Syringes are also being engineered with features to protect health workers from “needle stick” injuries and resulting infections. A sheath or hood slides over the needle after the injection is completed to protect the user from being injured accidentally by the needle and potentially exposed to an infection.

WHO is urging countries to transition, by 2020, to the exclusive use of the new “smart” syringes, except in a few circumstances in which a syringe that blocks after a single use would interfere with the procedure. One example is when a person is on an intravenous pump that uses a syringe.

The Organization is also calling for policies and standards for procurement, safe use and safe disposal of syringes that have the potential for re-use in situations where they remain necessary, including in syringe programmes for people who inject drugs. Continued training of health workers on injection safety – which has been supported by WHO for decades – is another key recommended strategy. WHO is calling on manufacturers to begin or expand production as soon as possible of ”smart” syringes that meet the Organization’s standards for performance, quality and safety.

“The new policy represents a decisive step in a long-term strategy to improve injection safety by working with countries worldwide. We have already seen considerable progress,” Dr Kelley says. Between 2000 and 2010, as injection safety campaigns picked up speed, re-use of injection devices in developing countries decreased by a factor of 7. Over the same period, unnecessary injections also fell: the average number of injections per person in developing countries decreased from 3.4 to 2.9. In addition, since 1999, when WHO and its partner organizations urged developing countries to vaccinate children only using syringes that are automatically disabled after a single use, the vast majority have switched to this method.

Syringes without safety features cost US$ 0.03 to 0.04 when procured by a UN agency for a developing country. The new “smart” syringes cost at least twice that much. WHO is calling on donors to support the transition to these devices, anticipating that prices will decline over time as demand increases.

Note to editors:

The study cited in this news release, “Evolution of the Global Burden of Viral Infections from Unsafe Medical Injections, 2000–2010”, was authored by J Pépin et al and published in PLoS ONE 9(6): e99677. doi:10.1371/journal.pone.0099677. The title of the new guideline is “Who guideline on the use of safety-engineered syringes for intramuscular, intradermal and subcutaneous injections in health care”.

  • Corrigenda: This sentence was updated on 24th February 2015.

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SERINGAS INTELIGENTES – apelo da OMS

OMS apela para o uso mundial de seringas “inteligentes”

Comunicado de imprensa

23 DE FEVEREIRO DE 2015 | GENEBRA – Utilização da mesma seringa ou agulha para dar injeções em mais de uma pessoa pode provocar a propagação de uma série de doenças infecciosas letais em todo o mundo. Milhões de pessoas podem ser protegidas de infecções adquiridas por meio de injeções inseguras se todos os programas de saúde mudarem para seringas que não podem ser usadas mais de uma vez. Por estas razões, a OMS está lançando uma nova política de segurança da injeção para ajudar todos os países abordar a questão preocupante de injeções inseguras. *

Um estudo de 2014 patrocinado pela OMS, que incidiu sobre os dados disponíveis mais recentes, estima que, em 2010, até 1,7 milhões de pessoas foram infectadas com o vírus da hepatite B, até 315 000 com o vírus da hepatite C e até 33 800 com HIV através de uma injeção insegura. Novas diretrizes empolítica da OMS para segurança de injeção foram divulgadas hoje e fornecem recomendações detalhadas destacando a importância dos recursos de segurança para seringas, incluindo dispositivos que protegem os trabalhadores da saúde contra ferimentos acidentais provocados pela agulha e consequente exposição à infecção.

A OMS também salienta a necessidade de reduzir o número de injeções desnecessárias, como uma forma importante de redução de risco. Há 16 bilhões de injeções administradas a cada ano. Cerca de 5% destes são injeções imunizantes para crianças e adultos, e 5% são de outros procedimentos, como as transfusões de sangue e contraceptivos injetáveis. Os restantes 90% das injeções são aplicadas no músculo (via intramuscular) ou da pele (por via subcutânea ou intradérmica) para administrar medicamentos. Em muitos casos, estas injeções são desnecessárias ou podem ser substituídas por medicação oral.

“Nós sabemos as razões por que isso está acontecendo”, diz o Dr. Edward Kelley, Diretor do Departamento de Serviço e de Segurança da OMS. Uma razão é que as pessoas em muitos países esperam receber injeções, acreditando que eles representam o tratamento mais eficaz. Outra é que, para muitos trabalhadores da saúde nos países em desenvolvimento, dar injeções é uma prática que permite a complementação de salários que podem ser inadequados para sustentar suas famílias. ”
Transmissão da infecção através de uma injeção insegura ocorre em todo o mundo. Por exemplo, em 2007 um surto de hepatite C no Estado de Nevada, Estados Unidos da América, foi atribuída às práticas de um único médico que injetou um anestésico em um paciente que teve hepatite C. O médico, então, usou a mesma seringa para retirar doses adicionais de anestésico a partir do mesmo frasco – que ficaram contaminadas com o vírus da hepatite C – e deram injeções em inúmeros outros pacientes. No Camboja, um grupo de mais de 200 crianças e adultos que vivem perto da segunda maior cidade do país, Battambang, testou positivo para HIV em dezembro de 2014. O surto foi atribuído as práticas de injeção inseguras.

“A adoção de engenharia de segurança nas seringas é absolutamente fundamental para proteger as pessoas em todo o mundo de se infectar com o HIV, hepatite e outras doenças. Esta deve ser uma prioridade urgente para todos os países “, diz o Dr. Gottfried Hirnschall, diretor do Departamento de HIV / AIDS da OMS.

As novas seringas “inteligentes” que a OMS recomenda para injeções no músculo ou da pele têm características que impedem a reutilização. Alguns modelos incluem um ponto fraco no êmbolo que faz com que ele se quebrar se o usuário tenta puxar o êmbolo após a injeção. Outros têm um clipe de metal que bloqueia o êmbolo de modo que não pode ser movido para trás, enquanto que em outros a agulha se retrai para dentro do cilindro de seringa no final da injeção.

Seringas também estão sendo projetadas com recursos para proteger os trabalhadores de saúde a partir de “picadas” que causem lesão e das infecções resultantes. Uma bainha ou capa desliza sobre a agulha após a injeção para proteger o utilizador e impedir sejam feridos acidentalmente pela agulha e ficar potencialmente expostos a uma infecção.

OMS está pedindo aos países para façam a transição em 2020, para o uso exclusivo das novas seringas “inteligentes”, exceto em alguns casos em que uma seringa que bloqueia após uma única utilização iria interferir com o processo. Um exemplo é quando uma pessoa está em uma bomba de perfusão intravenosa que utiliza uma seringa.

A Organização também está solicitando políticas e normas para a obtenção, uso seguro e eliminação segura de seringas que têm o potencial para re-uso em situações onde permanecem necessárias, inclusive em programas de seringas para usuários de drogas injetáveis. A formação contínua dos profissionais de saúde sobre a segurança da injeção – que tem sido apoiado pela OMS há décadas – é outra estratégia chave recomendada. A OMS apela aos fabricantes para iniciar ou expandir a produção o mais rapidamente possível de seringas “inteligentes” que atendem aos padrões da organização para o desempenho, qualidade e segurança.

“A nova política representa um passo decisivo em uma estratégia de longo prazo para melhorar a segurança da injeção, trabalhando com países de todo o mundo. Já observamos progressos consideráveis ​​”, diz o Dr. Kelley. Entre 2000 e 2010, como a campanhas de segurança de injeção pegou velocidade, a reutilização de dispositivos de injeção nos países em desenvolvimento diminuiu por um fator de 7. No mesmo período, o número de injeções desnecessárias também caiu: o número médio de injeções por pessoa nos países em desenvolvimento diminuiu 3,4-2,9. Além disso, desde 1999, quando a OMS é suas organizações parceiras solicitaram aos países para vacinar as crianças usamdo somente seringas que são automaticamente desativadas após uma única utilizaçã, a grande maioria mudou para este método.

Seringas sem características de segurança custam US $ 0,03-0,04 quando adquiridas por uma agência da ONU para um país em desenvolvimento. As novas seringas “inteligentes” custar pelo menos duas vezes aquele valor. OMS apela aos doadores para apoiarem a transição para estes dispositivos, prevendo que os preços vão cair ao longo do tempo à medida em que a demanda aumenta.

Nota aos editores:

O estudo citado nesta nota de imprensa, “Evolução da Carga Global de Infecções Virais de Injeções Médicas Inseguras, 2000-2010” , de autoria de J Pépin et al e publicado na PLoS ONE 9 (6): e99677. doi: 10.1371 / journal.pone.0099677. O título da nova diretriz é “Diretriz da WHO sobre o uso de seringas de engenharia segura injeções intramusculares, intradérmicas e subcutâneas em cuidados de saúde” .

Para mais informações, favor contatar:

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OS FAVORITOS – Pablo Neruda

Em fevereiro de 2015, quando já estavam evidentes as intenções golpistas com a participação ativa dos meios de comunicação e seus jornalistas amestrados, publiquei neste blog poema de Pablo Neruda intitulado Os favoritos, que fala dos jornalistas “do patrão” ao mesmo tempo puxa-sacos dos poderosos e traidores quando lhes interessa descartar os que perderam o poder.

O momento político do Brasil revela, a cada dia, novos “Pobletes”. Parece que a fábrica de clones de jornalistas capachos consegue, ao contrário dos outros setores da economia, aumentar sua produção em tempos de crise.

Paulo Martins

Publicamos, a seguir, uma singela homenagem àqueles seletos profissionais da mídia em cujas cabeças  se encaixa, à perfeição, a carapuça. No Brasil de hoje eles têm nome, sobrenome, fama, coluna nos jornais e nas revistas e tempo nas estações de rádio, TV e em sites. Não ficam desempregados e são regiamente pagos pelos seus serviços.

Espero que vocês leiam não como um incentivo à violência mas, antes, quase como lamento, como uma constatação de que aqui, em nossa latino-américa, a história e a dor se repetem. Basta contrariar interesses e tentar girar a roda de baixo para cima. E espero que aqueles em quem a carapuça cabe à perfeição, percebam que estão todos atentos e vacinados em relação aos seus desejos malévolos e palavras falsamente suaves travestidas de interesse pelo “bem comum”; tão seguras e tão simplistas, quanto equivocadas.
Com a palavra, Pablo Neruda.

Paulo Martins – dialogosessenciais.com

Os favoritos

Pablo Neruda

No espesso queijo cardão
da tirania amanhece
outro verme: o favorito.

É o covardão arrendado
para louvar as mãos sujas.

É orador ou jornalista.

Acorda rápido em palácio

e mastiga com entusiasmo

as dejeções do soberano,

elucubrando longamente sobre seus gestos, enturvando

a água e pescando seus peixes

na laguna purulenta.
Vamos chamá-lo Darío Poblete,

ou Jorge Delano “Coke”.
(Dá na mesma, poderia ter

outro nome, existiu quando

Machado caluniava Mella, depois de tê-lo assassinado.)

Ali Poblete teria escrito
sobre os “Vis inimigos”
do “Péricles de Havana”.

Mais tarde Poblete beijava

as ferraduras de Trujillo,
a cavalgadura de Moríñigo,

o ânus de Gabriel González.
Foi o mesmo ontem, recém-saído

da guerrilha, alugado
para mentir, para ocultar

execuções e saques,
e hoje, erguendo sua pena
covarde sobre os tormentos
de Pisagua, sobre a dor
de milhares de homens e mulheres.

Sempre o tirano em nossa negra
geografia martirizada
achou um bacharel lamacento

que repartisse a mentira
e dissesse: El Sereníssimo,
el Constructor, el Gran Repúblico que nos gobierna, e deslizasse pela tinta emputecida
suas garras negras de ladrão.

Quando o queijo é consumido
e o tirano cai no inferno,
o Poblete desaparece,
o Delano “Coke” se esfuma,
o verme torna ao esterco,

esperando a roda infame
que afasta e traz as tiranias,
para aparecer sorridente
com um novo discurso escrito

para o déspota que desponta.
Por isso, povo, antes de ninguém,

pega o verme, rompe sua alma
e que seu líquido esmagado,
sua escura matéria viscosa
seja a última escritura,
a despedida de uma tinta
que limparemos da terra.

A Areia Traída – Pablo Neruda


Talvez o olvido sobre a terra como uma capa
possa desenvolver o crescimento e alimentar a vida
(pode ser) como o húmus sombrio no bosque.

 Talvez, talvez o homem como um ferreiro acuda
à brasa, aos golpes de ferro sobre o ferro,
sem entrar nas cegas cidades do carvão,
sem fechar os olhos, precipitar-se abaixo
em fundições, as águas minerais, catástrofes.

 Talvez, porém meu prato é outro,
meu alimento é diverso:
meus olhos não vieram para morder olvido;
meu lábios se abrem sobre todo o tempo, e todo o tempo
não só uma parte do tempo
gastou as minhas mãos.

 Por isso te falarei destas dores que quisera afastar,
te obrigarei a viver uma vez
mais entre suas queimaduras,
não para nos determos como numa
estação, ao partir,
nem tampouco para golpear com o rosto a terra,
nem para enchermos o coração de água salgada,
mas para caminhar conhecendo,
para tocar a retidão com decisões infinitamente carregadas de sentido,
para que a severidade seja uma condição da alegria,
para que assim sejamos invencíveis.

A Imoralidade do Uso do Carvão

Combustíveis fósseis poluem e o carvão, entre estes, polui muito mais. Fora o fato de que o trabalho nas minas de carvão é desumano. Apresento, a seguir, uma discussão sobre o tema. Os três primeiros parágrafos estão traduzidos. Apresento, abaixo, o link para o texto completo em inglês. Se interessar receber o texto completo em português, favor enviar um email para dialogosessenciais@gmail.com

Paulo Martins – dialogosessenciais.com

SYDNEY – A possibilidade de um acordo global na Conferência sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas, em Paris, em dezembro, parece estar ganhando momento. Com este sentimento de otimismo vem uma forte consciência de que o uso de combustíveis fósseis deve ser banido mundialmente o mais rapidamente possível. De fato, a idéia de que as emissões de gases de efeito estufa devem ser reduzidas a zero até 2050 está ganhando maior aceitação.

Empresas pioneiras já estão tomando a dianteira. Universidades, fundos de pensão, igrejas, bancos, e até mesmo os Rockfeller, herdeiros da fortuna de óleo, estão tirando seus investimentos de ativos de combustível fóssil ou estão considerando a possibilidade de desinvestimento – uma opção cada vez mais atraente feita pela rápida queda de custo da energia renovável. Contra este progresso, porém, um setor se destaca. A indústria do carvão parece determinada a lutar por lucros à custa do meio ambiente global. Perversamente, está furiosamente tentando ganhar a batalha moral, alegando que o carvão é essencial para acabar com a pobreza energética.

Leia mais em http://www.project-syndicate.org/commentary/coal-immorality-climate-change-by-raja-jayaraman-et-al-2015-02#Jz8DT5JGogr3XahV.99

A Desigualdade Não é Inevitável – Joseph E. Stiglitz

Tomei conhecimento deste artigo do Economista Joseph E. Stiglitz em consulta ao blog do Ladislau Dowbor – Crise e Oportunidade. Como o texto estava em inglês resolvi traduzi-lo e postar aqui no dialogosessenciais.com.

Sempre se discutiu nos meios acadêmicos se é da natureza do capitalismo, ao criar seus necessários capitalistas, criar automaticamente seus necessários assalariados e, com o passar do tempo, a segregação econômica e social. Discutia-se se o sucesso do capitalismo e do crescimento de renda implicariam na distribuição automática e equânime dos seus frutos (trickle down economics). Embora Stiglitz, neste artigo, defenda a tese de que o aumento da desigualdade observado não é um fruto automático e inevitável do capitalismo, são tantos os ajustes que devem ser feitos para que o capitalismo possa funcionar para todos, todo o tempo, que devemos questionar se estes ajustes – políticos, regulatórios, sociais e econômicos – são factíveis. Parece uma luta com armas desiguais, fadada ao fracasso. Leia e tire suas próprias conclusões.

Paulo Martins – dialogosessenciais.com

A desigualdade não é inevitável
Por Joseph E. STIGLITZ
Uma tendência insidiosa se desenvolveu ao longo destes últimos trinta anos. Um país que experimentou um crescimento distributivo após a Segunda Guerra Mundial começou a esgarçar-se, tanto assim que, quando a Grande Recessão o atingiu no final de 2007, já não se podia ignorar as fissuras que vieram a definir o cenário econômico norte-americano. Como é que esta “brilhante cidade sobre a colina” se tornar o país avançado com maior nível de desigualdade?

Uma parte da discussão extraordinária posta em movimento pelo oportuno, importante livro de Thomas Piketty, “Capital do Século XXI”, concentrou-se na idéia de que os grandes extremos de riqueza e renda são inerentes ao capitalismo. Neste sentido, deveríamos ver as décadas após a Segunda Guerra Mundial – um período de desigualdade caindo rapidamente – como uma aberração.

Esta é realmente uma leitura superficial do trabalho do Sr. Piketty, que fornece um contexto institucional para a compreensão do aprofundamento da desigualdade ao longo do tempo. Infelizmente, essa parte de sua análise recebeu relativamente menos atenção do que os aspectos de aparência mais fatalista.

Durante metade do ano passado, The Great Divide, uma série do The New York Times para a qual eu trabalhei como moderador, apresentou também uma vasta gama de exemplos que minam a noção de que existam quaisquer leis verdadeiramente fundamentais do capitalismo. A dinâmica do capitalismo imperial do século 19 não é aplicável nas democracias do século 21. Nós não precisamos ter tanta desigualdade na América.

A nossa marca atual do capitalismo é um simulacro de capitalismo. Para se ter uma prova disto basta voltar para a nossa resposta à Grande Recessão, onde nós socializamos as perdas, assim como nós privatizamos os ganhos. A concorrência perfeita deve levar os lucros a zero, pelo menos teoricamente, mas temos monopólios e oligopólios obtendo persistentemente elevados lucros. Presidentes de empresas apreciam rendimentos que são, em média, 295 vezes maior do que o trabalhador típico, uma proporção muito mais elevada do que no passado, sem qualquer evidência de um aumento proporcional na produtividade.

Se não foram as leis inexoráveis ​​da economia que levaram à grande divisão da América, o que foi? Resposta simples: as nossas políticas e nossa política. As pessoas se cansam de ouvir falar de histórias de sucesso escandinavas, mas o fato é que a Suécia, Finlândia e Noruega todos conseguiram ter crescimento na renda per capita igual ou mais rápido do que os Estados Unidos e com muito maior igualdade.

Então, por que a América tem escolhido estas políticas de promoção da desigualdade? Parte da resposta é que, como a Segunda Guerra Mundial está desbotada na memória, também está a solidariedade que a guerra tinha engendrado. Como a América triunfou na Guerra Fria, não parece existir um concorrente viável para o nosso modelo econômico. Sem essa concorrência internacional, nós não tínhamos mais que mostrar que o nosso sistema poderia favorecer a maioria dos nossos cidadãos.

Ideologia e interesses nefastamente combinados. Alguns aprenderam a lição errada a partir do colapso do sistema soviético. O pêndulo oscilou de demasiado governo lá, para muito pouco aqui. Interesses corporativos atuaram para se livrar dos regulamentos, mesmo quando os referidos regulamentos tinham sido feitos para proteger e melhorar o nosso ambiente, nossa segurança, nossa saúde e a da própria economia.

Mas essa ideologia era hipócrita. Os banqueiros, entre os maiores defensores da economia do laissez-faire, estavam muito dispostos a aceitar centenas de bilhões de dólares de ajuda do governo, o que tem sido uma característica recorrente da economia global desde o início da era Thatcher-Reagan de mercados “livres” e desregulamentação.

O sistema político americano está dominado pelo dinheiro. A desigualdade econômica se traduz em desigualdade política e desigualdade política gera o aumento da desigualdade econômica. De fato, como ele reconhece, o argumento do Sr. Piketty repousa sobre a capacidade dos titulares de riqueza em manter a sua taxa de retorno elevado em relação ao crescimento econômico após os impostos. Como eles fazem isso? Ditando as regras do jogo para garantir este resultado; isto é, através da política.

Como resultado, aumento no bem-estar das corporações e redução no bem-estar dos pobres. O Congresso mantém subsídios para fazendeiros ricos, enquanto nós cortamos o suporte nutricional para os necessitados. Foram dadas centenas de bilhões de dólares às empresas farmacêuticos e limitados os benefícios do Medicaid. Os bancos que tornaram possível a crise financeira global obtiveram bilhões enquanto uma ninharia foi para os proprietários de imóveis e para as vítimas de práticas predatórias de empréstimos destes mesmos bancos. Esta última decisão foi particularmente tola. Havia alternativas à decisão de despejar dinheiro nos bancos e esperar que circulassem através de um aumento dos empréstimos. Poderíamos ter ajudado os proprietários de imóveis que estavam afundando e as vítimas de comportamentos predatórios diretamente. Isto não só teria ajudado a economia, como nos teria colocado no caminho da recuperação robusta.

Nossas divisões são profundas. Segregação econômica e geográfica parecem ter imunizado aqueles no topo em relação aos problemas das pessoas abaixo. Como os reis de antigamente, eles passaram a perceber suas posições privilegiadas essencialmente como um direito natural. Como explicar as recentes declarações do capitalista de risco Tom Perkins, que sugeriu que a crítica do 1 por cento era semelhante ao fascismo nazista, ou aquelas que vêm do titã de private equity Stephen A. Schwarzman, que comparou o pedido de que o capital financeiro pague impostos na mesma taxa daqueles que trabalham para sobreviver, à invasão da Polônia por Hitler.

A nossa economia, nossa democracia e da nossa sociedade têm pago por essas desigualdades flagrantes. O verdadeiro teste de uma economia não é o quanto de riqueza seus príncipes podem acumular em paraísos fiscais, mas quão bem o cidadão típico está – ainda mais na América, onde a nossa auto-imagem está enraizada na nossa pretensão de ser a grande sociedade de classe média. Mas os rendimentos medianos estão mais baixos do que há um quarto de século atrás. O crescimento foi para as mãos dos detentores de riqueza muito, muito superiores, cuja participação quase quadruplicou desde 1980. O dinheiro que era para ter se irradiado para baixo (trickled down) evaporou-se no clima ameno das Ilhas Cayman.

Com quase um quarto das crianças americanas menores de 5 vivendo na pobreza, e com a América a fazer tão pouco para os seus pobres, as privações de uma geração estão sendo projetadas na próxima. É claro que nenhum país jamais chegou perto de proporcionar a plena igualdade de oportunidades. Mas por que é na América, um dos países avançados, onde as perspectivas de vida do jovem são as mais fortemente determinadas pela renda e educação de seus pais?

Entre as histórias mais comoventes em The Great Divide foram as que retrataram as frustrações dos jovens, que anseiam entrar na nossa classe média que está encolhendo. Crescentes prestações e rendimentos decrescentes resultaram em encargos da dívida maiores. Aqueles com apenas um diploma do ensino médio viram os seus rendimentos diminuírem em 13 por cento ao longo dos últimos 35 anos.

Onde a justiça está em causa, há também uma divisão bocejando. Nos olhos do resto do mundo e uma parte significativa da sua própria população, o encarceramento em massa está definindo a América – um país, vale a pena repetir, com cerca de 5 por cento da população do mundo, mas em torno de um quarto dos prisioneiros do mundo.

Justiça tornou-se uma mercadoria, acessível para poucos. Enquanto executivos de Wall Street usaram seus caríssimos advogados para garantir que as suas fileiras não fossem responsabilizadas pelos erros que a crise em 2008 tão graficamente revelou, os bancos cometeram abuso contra o nosso sistema legal ao executar hipotecas e expulsar pessoas, algumas das quais nem mesmo tinham dívida.

Mais de meio século atrás, a América liderou o caminho na defesa da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pelas Nações Unidas em 1948. Hoje, o acesso aos cuidados de saúde é um dos direitos mais universalmente aceitos, pelo menos nos países avançados. América, apesar da implementação do Affordable Care Act, é a exceção. Tornou-se um país com grandes divisões no acesso aos cuidados de saúde, expectativa de vida e estado de saúde.

Ao contrário do alívio que muitos sentiram quando a Suprema Corte não derrubou o Affordable Care Act, as implicações da decisão para o Medicaid não foram totalmente apreciadas. O objetivo da Obamacare – para garantir que todos os americanos tenham acesso a cuidados de saúde – foi frustrado: 24 estados não implementaram o programa Medicaid expandido, que seria o meio pelo qual o Obamacare deveria cumprir a sua promessa para alguns dos mais pobres.

Não precisamos apenas de uma nova guerra contra a pobreza, mas a guerra para proteger a classe média. As soluções para estes problemas não devem ser resultantes de remendos. Longe disso. Fazendo mercados agir como mercados seria um bom lugar para começar. Temos que acabar com a sociedade rentista em torno da qual gravitamos, em que os ricos obtêm lucros através da manipulação do sistema.

O problema da desigualdade não é tanto uma questão técnica da economia. É realmente um problema de prática política. Assegurando que aqueles no topo pagarão a sua parte justa de impostos – eliminar os privilégios especiais dos especuladores, de corporações e dos ricos – é, ao mesmo tempo, pragmático e justo. Nós não estão adotando uma política da inveja se nós revertermos a política de ganância. A desigualdade não é apenas sobre o teto da taxa marginal de tributos, mas também sobre o acesso dos nossos filhos ao alimento e ao direito à justiça para todos. Se nós gastássemos mais em educação, saúde e infra-estrutura, isto iria fortalecer nossa economia, agora e no futuro. Só porque você já ouviu isso antes, não significa que não devemos tentar novamente.

Localizamos a fonte subjacente do problema: as desigualdades na política e as políticas que têm mercantilizado e corrompido nossa democracia. Somente cidadãos engajados podem lutar para restaurar uma América mais justa, e eles podem fazer isso somente se eles entenderem as profundidades e dimensões do desafio. Não é tarde demais para restaurar a nossa posição no mundo e recuperar o nosso sentido de quem somos como nação. Alargamento e aprofundamento da desigualdade não são impulsionados por leis econômicas imutáveis, mas por leis que nós mesmos escrevemos.
Este é o último artigo no The Great Divide.
THE GREAT DIVIDE

Jun 27, 2014
Inequality Is Not Inevitable
By JOSEPH E. STIGLITZ

O que precisa ser incorporado ao processo de educação – Leonardo Boff

Neste artigo Leonardo Boff acha que está faltando no processo educacional o que ela chama de inteligência cordial ou emocional e espiritualidade. Eu chamo de Humanismo, com H maiúsculo. Não estou falando da abominável Moral e Cívica dos tempos da ditadura nem de lavagem cerebral. Estou falando de valores humanos básicos e de respeito à natureza em sentido amplo, em iguais  proporções. Estou falando, também,  de Cidadania e de Ética. Se a simples reformulação da escola resolveria o problema eu não sei. Acho que é condição necessária, mas não suficiente. Mas acho que começa por aí. Por isso, republico texto atual do Leonardo Boff sobre o assunto.

Paulo Martins – dialogosessenciais.com

A ORDEM CRIMINOSA DO MUNDO – Jean Ziegler e Eduardo Galeano

Para assistir sem preconceitos. Você vai gostar ou vai odiar, mas não poderá ficar indiferente. Acho …

Trata-se de um programa apresentado por tv espanhola com Jean Ziegler e Eduardo Galeano, antes da crise que assolou a Espanha e o resto da Europa. É planfetário? Sim. É utópico? Claro que é. Está fora de moda? Está. Tanto quanto estão fora de moda alguns valores humanitários básicos. Talvez, exatamente por isso, seja necessário reprisar.

Toque no link.

Paulo Martins – dialogosessenciais.com

http://youtu.be/GYHMC_itckg