Pudor e compostura em falta na Belíndia

Diálogos Essenciais

Parece que uma característica deste longo fim de século XX, que teima em não acabar, é a perda do pudor e da compostura. Pessoas bem estabelecidas na vida, experientes, com mais de 70 anos bem vividos, abrem a boca e confessam ou defendem cada absurdo!
Eu diria que beira à “bacharia”, mas este texto é para ser sério, não me permite este tipo de trocadilho infame.

Acho que a fama por ter sido o inventor do termo “Belíndia” subiu-lhe à cabeça e ele continua viciado na mesma onda.

Estou falando de Edmar Bacha, um dos autores do Plano Real.
Em julho de 2014, em entrevista ao Estadão comemorativa dos 20 anos do Plano Real, ele declarou: “O sucesso (do Plano Real) tem que ser relativizado. Obviamente, só o fato de não ter inflação já é um grande avanço. Estamos falando aqui que a gente conseguiu controlar a inflação, mas não…

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O príncipe, as Bacharias e o palhaço

Em entrevista ao “É Notícia”, na RedeTV,  o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que a atual fórmula do salário mínimo “tem que ser revista”. “Chegou um momento que você tem que olhar a produtividade. Quando o salário está muito acima da produtividade, cria problema”, declarou. Ele disse ainda que o candidato tucano nas eleições de 2014, Aécio Neves, foi contra (a revisão da fórmula) “porque estava na eleição … “.

Na minha humilde visão de economista mal preparado a produtividade da economia depende, não só dos assalariados (mão de obra) mas, também, das máquinas e equipamentos, dos sistemas informatizados de gerenciamento e controle dos processos de produção e das condições gerais de produção (condições ambientais de trabalho, etc…). Mão de obra que se alimenta mal, gasta de 3 a 5 horas por dia (sacolejando num trem da Central) para ir e voltar do trabalho, sem a educação e o treinamento adequados não vai mesmo apresentar produtividade compatível com a produtividade das economias mais avançadas. Dê à mão de obra nacional as mesmas condições gerais de trabalho de um nórdico e teremos funcionários com produtividade nórdica e, quem sabe, com um pouco mais de “jogo de cintura” e criatividade.

O sr. FHC pensa torto. Não é reduzindo o salário mínimo que o Brasil vai criar o excedente necessário para alavancar o desenvolvimento econômico. A redução do salário mínimo pode até vir a estimular um crescimento econômico, mas este crescimento será excludente, concentrador de renda, de curto prazo e gerador de ainda maior disparidade na já lamentável desigualdade de renda do Brasil.

O ex-presidente FHC é contra a ascensão social da pequena parcela do assalariado brasileiro que recebe salário mínimo – esta é, aliás, posição conhecida de FHC e coerente com a sua história como político e presidente.

Além de ser contra a recuperação do poder de compra do salário mínimo, FHC, em ataque de sincericídio, confessou que Aécio Neves adotou posição falsa sobre o salário mínimo na sua campanha a presidente em 2014. Eu não tenho nenhuma dúvida que, tão logo assumisse a presidência, uma das primeiras medidas do Aécio seria mexer na fórmula de reajuste do salário mínimo.

Para confirmação, leia em outro post trechos da entrevista de Edmar Bacha, economista da equipe da campanha de Aécio em 2014, onde ele também confessa que estavam omitindo dos eleitores as reais intenções de Aécio e de sua equipe econômica. E, o que é pior, em atitude que eu denominei de “Bacharia”, Edmar Bacha defende essa atitude estelionatária como sendo legítima em campanhas eleitorais. É como se ele reconhecesse que o verdadeiro programa de governo do PSDB era inaceitável para a maior parte do eleitorado e que, expondo claramente seu programa neoliberal, seria impossível ganhar a eleição.

E, depois, temos que assistir estes mesmos políticos-atores condenando o que chamam de estelionato eleitoral da presidente eleita. Risos sardônicos …

Não troco estes políticos-atores pelo digno palhaço que alegrou minha infância em São Gonçalo: George Savalla Gomes (o Carequinha).  Onde escrevi “políticos-atores” quase escrevi “palhaços”. Não o fiz para não nivelar este blog ao nível atual da política nacional e para não desmerecer a classe dos palhaços.

Paulo Martins

Os vermes do bosque, por Pablo Neruda

Diálogos Essenciais

No Senado, vassalos com seus projetos de entrega do pré-sal;

na Câmara, traição.

Delatores sujos,

pedantes donos de revista-esgoto.

Vendedores de capas,

insetos que vivem de feridas.

Eclosão dos ovos das serpentes,

proliferação dos vermes dos bosques.

Assim está a tua realidade, pátria.

Paulo Martins

Com a palavra, Neruda:

Algo do bosque antigo caiu, foi a tormenta

talvez, purificando crescimentos e camadas,

e nos troncos caídos fermentaram os fungos,

as lesmas cruzaram seus fios nauseabundos,

e a madeira morta que caiu das alturas

encheu-se de buracos e de larvas espantosas.

Assim está o teu costado, pátria, a desditada

governação de insetos que povoam tuas feridas,

os grossos traficantes que mastigam arame,

os que desde Palacio negociam com o ouro,

os vermes que juntam micros e pescarias,

os que te roem algo cobertos pelo manto

do traidor que dança sua zamba excitada,

o jornalista que encarcera seus companheiros,

o sujo delator…

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Recebem ordens contra o Chile – Pablo Neruda

Neruda, sempre atual.

Diálogos Essenciais

Recebem ordens contra o Chile

Pablo Neruda

Mas atrás de todos eles há que buscar, há algo

atrás dos traidores e dos ratos que roem,

há um império que põe a mesa,

que serve a comida e as balas.

Querem fazer de ti o que logram na Grécia.

Os señoritos gregos no banquete, e balas

ao povo nas montanhas: há que extirpar o vôo

da nova Vitória de Samotrácia, há que enforcar,

matar, perder, mergulhar o punhal assassino

empunhado em Nova York, há que romper

com fogo

o orgulho do homem que assomava

por todas as partes como se nascesse

da terra regada pelo sangue.

Há que armar Chianga e o ínfimo Videla,

há que dar-lhes dinheiro para cárceres, asas

para que bombardeiem compatriotas, há que

dar-lhes

um pão velho, alguns dólares, fazem eles o resto,

eles mentem, corrompem, dançam sobre os

mortos

e suas esposas reluzem os visões mais…

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Quando a desigualdade mata, por Joseph Stiglitz

Se a desigualdade mata nas sociedades ricas, imagine o que ela faz nas sociedades pobres.

Trata-se de artigo do economista Joseph Stiglitz sobre a crescente desigualdade nos Estados Unidos e suas consequências no aumento da mortalidade naquele país. Stiglitz especula se a antiga sociedade de classe média está se transformando numa sociedade com alta concentração e crescente desigualdade de renda, com impacto na saúde e na sobrevivência dos americanos.

Paulo Martins

NOVA YORK – Esta semana, Angus Deaton receberá o Prêmio Nobel de Economia por sua “análise do consumo, pobreza e bem-estar.” Merecidamente. De fato, logo após o prêmio foi anunciado em outubro, Deaton publicou um  trabalho surpreendente com Ann Case na Cerimônia da Academia Nacional de Ciências, que é pelo menos tão interessante quanto a cerimônia do Nobel.
Analisando uma vasta quantidade de dados sobre saúde e mortes entre os americanos, Case e Deaton mostraram declínio da expectativa de vida e saúde para os americanos brancos de meia-idade, especialmente aqueles com o ensino médio ou menos. Entre as causas estão suicídio, drogas e alcoolismo.

APRENDER MAIS
A América se orgulha de ser um dos países mais prósperos do mundo, e pode gabar-se que em todos os anos, exceto um recente (2009) o PIB per capita aumentou. E um sinal de prosperidade é suposto ser uma boa indicação de saúde e longevidade. Mas, enquanto os EUA gastam mais dinheiro per capita em cuidados médicos do que quase qualquer outro país (e mais como uma percentagem do PIB), está longe de estar no topo do mundo em expectativa de vida. A França, por exemplo, gasta menos de 12% do seu PIB em cuidados médicos, em comparação com 17% dos EUA. No entanto, os americanos podem esperar viver três anos completos menos do que o francês.
Durante anos, muitos americanos explicaram esta lacuna. Os EUA são uma sociedade mais heterogêneo, eles argumentaram, e a diferença supostamente refletia a enorme diferença na expectativa de vida média entre os afro-americanos e americanos brancos.
A diferença racial em saúde é, naturalmente, muito real. De acordo com um estudo publicado em 2014, a expectativa de vida para os afro-americanos é cerca de quatro anos e menor para as mulheres e mais de cinco anos menor para os homens, em relação aos brancos. Esta disparidade, porém, é apenas um resultado quase inócuo de uma sociedade mais heterogêneo. É um sintoma de desgraça da América: a discriminação generalizada contra os afro-americanos, que se reflecte na renda familiar média que é inferior a 60% do que a renda das famílias brancas. Os efeitos da baixa renda são agravados pelo fato de que os EUA são o único país avançado a não reconhecer o acesso aos cuidados de saúde como um direito básico.
Alguns norte-americanos brancos, no entanto, tentam transferir a culpa para morrer mais jovem para os próprios afro-americanos, citando seus “estilos de vida”. É verdade que talvez hábitos pouco saudáveis são mais concentrados entre os pobres americanos, um número desproporcional dos quais são negros. Mas esses próprios hábitos são uma consequência das condições econômicas, para não mencionar as tensões do racismo.
Os resultados Case-Deaton mostram que tais teorias já não fazem sentido. A América está se tornando uma sociedade mais dividida – dividida não somente entre brancos e afro-americanos, mas também entre o 1% e o resto, e entre os altamente qualificados e os menos educados, independentemente da raça. E a diferença pode agora ser medida não apenas em salários, mas também em mortes precoces. Os americanos brancos, também, estão morrendo mais cedo à medida que suas rendas declinam.
Esta evidência é quase um choque para aqueles, como nós, que estudam a desigualdade na América. A renda média de um trabalhador do sexo masculino em tempo integral é menor do que era há 40 anos. Salários dos diplomados do ensino médio masculinos  caíram em cerca de 19% no período estudado por Case e Deaton.
Para se manter acima da água, muitos americanos tomam emprestado de bancos a taxas de juro usurárias. Em 2005, o governo do presidente George W. Bush tornou muito mais difícil para as famílias declarar falência e amortizar a dívida. Então veio a crise financeira, que custou milhões de americanos seus empregos e casas. Quando o seguro-desemprego, projetado para ataques de curto prazo da taxa de desemprego em um mundo pleno emprego, faltou, eles foram deixados à própria sorte, sem rede de segurança (além de vales-alimentação), enquanto o governo socorreu os bancos que causaram a crise.
Os pré-requisitos básicos de uma vida de classe média estão cada vez mais fora do alcance de uma parcela crescente de americanos. A Grande Recessão tinha mostrado a sua vulnerabilidade. Aqueles que tinham investido no mercado acionário viram muito de sua riqueza destruída; aqueles que tinham colocar seu dinheiro em seguros títulos do governo viram sua renda de aposentadoria diminuir para perto de zero, quando o Fed implacavelmente dirigiu para baixo as taxas de juro de curto e longo prazo. Com a mensalidade da faculdade em alta, a única maneira de seus filhos poderiam obter a educação que proporcionasse um mínimo de esperança era tomar empréstimos; mas, com empréstimos de educação nunca resgatáveis, a dívida do estudante parece ainda pior do que outras formas de dívida.
Não havia nenhuma maneira que a montagem desta pressão financeira não poderia ter colocado americanos de classe média e suas famílias sob maior stress. E não é de estranhar que esta tem-se refletido em maiores taxas de abuso de drogas, alcoolismo e suicídio.
Eu fui economista-chefe do Banco Mundial no final de 1990, quando começamos a receber semelhante notícias deprimentes da Rússia. Nossos dados mostraram que o PIB tinha caído cerca de 30% desde o colapso da União Soviética. Mas não estávamos confiantes em nossas medições. Os dados que mostram que a expectativa de vida masculina estava em declínio, ao mesmo tempo que foi aumentando no resto do mundo, confirmou a impressão de que as coisas não estavam indo muito bem na Rússia, especialmente fora das grandes cidades.
A Comissão internacional para a Medição do Desempenho Econômico e do Progresso Social, que co-presidi e em que Deaton serviu, já havia enfatizado que o PIB muitas vezes não é uma boa medida do bem-estar de uma sociedade. Estes novos dados sobre o estado de saúde em declínio de americanos brancos confirma esta conclusão. De uma  sociedade de classe média por excelência os EUA está no caminho de se tornar a primeira ex-sociedade de classe média.

Read more at https://www.project-syndicate.org/commentary/lower-life-expectancy-white-americans-by-joseph-e–stiglitz-2015-12#QRzqeysgYWS9h0Th.99

Amor Pra Recomeçar, música com Frejat

Eu ia escrever um post sobre o último ato político deprimente do coisa-ruim, presidente da Câmara, que afundou mais um pouco, como se isso fosse possível, a Câmara dos Deputados. Falhou sua tentativa do dia de hoje de dar uma rasteira no Supremo Tribunal Federal. O ministro Lewandowski encontrou-se com o coisa-ruim a portas abertas e deu excelentes respostas. Mas o coisa-ruim não desiste. Teremos novos capítulos neste folhetim. Vamos mudar de assunto. Este assunto já cansou. Vamos deixar de lado essa alma penada política e enviar para nossos leitores uma mensagem de novo ano. Uma música do Frejat. 

Clique no link e ouça a música:      http://youtu.be/ozpP1i1wPY8

Feliz 2016.

Paulo Martins

Amor Pra Recomeçar

Eu te desejo não parar tão cedo 

Pois toda idade tem prazer e medo 
 E com os que erram feio e bastante

Que você consiga ser tolerante 

 Quando você ficar triste

 Que seja por um dia, e não o ano inteiro

E que você descubra que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero

Desejo que você tenha a quem amar

E quando estiver bem cansado

Ainda, exista amor pra recomeçar

Pra recomeçar

Eu te desejo, muitos amigos

Mas que em um você possa confiar

E que tenha até inimigos

Pra você não deixar de duvidar

Quando você ficar triste

Que seja por um dia, e não o ano inteiro

E que você descubra que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero

Desejo que você tenha quem amar

E quando estiver bem cansado

Ainda, exista amor pra recomeçar

Pra recomeçar

Eu desejo que você ganhe dinheiro

Pois é preciso viver também

E que você diga a ele, pelo menos uma vez,

Quem é mesmo o dono de quem

Desejo que você tenha a quem amar

E quando estiver bem cansado

Ainda, exista amor pra recomeçar

Pra recomeçar

Pra recomeçar.

 

Já vai tarde

1 – Anúncio da Globo News diz mais ou menos assim: “Quem escolhe a ignorância ofende todo mundo”. De fato. As Organizações Globo deveriam, por este motivo, demitir diversos dos seus colunistas de economia e política.

Comecem pelo Merval Pereira. Diariamente ele nos ofende com seus comentários em sua coluna no jornal e em suas participações na TV.

A respeito da decisão histórica do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao rito de impeachment no Brasil, o brilhante Merval opina que “O STF colocou, sem dúvida, pedras no caminho do impeachment (da presidente Dilma, adendo nosso), que parecia livre”. E aí ele solta mais uma de suas “pérolas”, digna de um acadêmico que entrou para a academia pela janela: “mas também retirou a possibilidade de o processo ser acusado de golpista”.

Assisti a leitura do relatório do ministro Fachin, na quarta-feira, e os votos detalhados de cada um dos ministros do Supremo ontem. Acompanhei com especial atenção todas as manifestações e debates. Nenhum ministro, entre os que apresentaram posicionamento técnico-jurídico, entrou no mérito do processo de impeachment em si. Não se discutiu se os decretos de suplementação de crédito configurariam crime de responsabilidade justificando, assim, abertura de processo de impeachment. Esta questão não foi discutida na petição do PC do B, objeto da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), em julgamento no STF. O STF também não discutiu este assunto, nem lhe cabia discutir.

A manifestação do ilustre jornalista Merval de que a decisão do Supremo Tribunal Federal seria uma manifestação no sentido de sancionar ou apoiar o golpe ou é tola ou mal-intencionada. Infelizmente o nobre jornalista joga esta polêmica opinião e não apresenta qualquer argumento que justifique tão estapafúrdia conclusão.

Se ele estiver se baseando exclusivamente no discurso planfetário do ministro Gilmar Mendes em seu voto ontem no STF, Merval pode ter razão: o ministro Gilmar é um apoiador do golpe de primeira hora.

2 – Fiquei chocado de assistir o ministro Gilmar fazer um discurso político em vez de uma manifestação técnico-jurídica ontem na sessão do Supremo. Manifestação técnico-jurídica é a única manifestação que lhe cabe fazer em plenário, como ministro do STF. Perdeu a compostura quando viu que sua tese a favor do golpe sairia derrotada. Se ele quiser ter atuação política substantiva, sugiro que ele se candidate a um cargo na Câmara dos Deputados. Lá, estaria entre os seus. E, levando em consideração que o eleitor brasileiro elege Bolsonaros, Felicianos e Cunhas, talvez ele consiga eleger-se. Depende do apoio dos grandes conglomerados de comunicação do país e dos donos do dinheiro que compra os votos.

3 – Analistas das Organizações Globo comentando a mudança do ministro da Fazenda informam que Joaquim Levy deixou o governo porque já não aguentava mais ser boicotado pelo Palácio do Planalto e pelo PT. Entendo que Joaquim Levy não entregou o que prometeu. Sua demissão é natural e lógica. Sua política econômica falhou e o caminho natural seria a sua demissão. Não dava mais para a presidente Dilma carregar consigo mala tão pesada. Já vai tarde.

4 – Fora as mudanças esperadas na condução da política econômica, teremos a substituição de um robô monotemático por um professor universitário que, pelo menos, sabe falar.

Three Decades of Neoliberalismo in Mexico: The Destruction of Society

Three Decades of Neoliberalism in Mexico: The Destruction of Society
DEZEMBRO 13, 2015
Asa Cristina Laurell

Neoliberalism has been implemented in Latin America for about three decades. This article reviews Mexico’s neoliberal trajectory to illustrate the political, economic, and social alterations that have resulted from this process. It finds that representative democracy has been perverted through fear, putting central political decisions in the hands of power groups with special interests. The border between the state of law and the state of exception is blurred. Economic structural adjustment with liberalization and privatization has provoked recurrent crisis, but has been maintained, leading to the destruction of the national productive structure in favor of supranational corporations, particularly financial capital. The association between criminal economy and economic criminality is also discussed. The privatization of social benefits and services requires state subsidies and allows the privatization of profits and the socialization of losses. The social impact of this process has been devastating, with a polarized income distribution, falling wages, increased precarious jobs, rising inequality, and extreme violence. Health conditions have also deteriorated and disorders associated with violence, chronic stress, and a changing nutritional culture have become dominating. However, in Latin America, massive, organized political and social mobilization has broken the vicious neoliberal circle and elected progressive governments that are struggling to reverse social and economic devastation.

Clique aqui para baixar artigo completo:

http://plataformapoliticasocial.com.br/wp-content/uploads/2015/12/30-years-of-neoliberalism-in-Mexico-IJHS-2015-246-64.pdf

Publicado em Plataforma Política Social

 

Zika: verdades, mitos e dúvidas

O objetivo deste artigo é passar informações sérias sobre o vírus Zika. Trata-se de artigo publicado no site Outras Palavras que publica artigos interessantes, próprios e da mídia alternativa. 

Qual a origem do vírus. Que outras consequências produz, além de microcefalia em embriões. Por que apenas parte da população atingida desenvolve as doenças. Quantos brasileiros podem estar infectados

Por Karina Gomes, na Deutsch Welle

O ministério da Saúde estima que entre 500 mil e 1,5 milhão de brasileiros estejam infectados pelo vírus zika, responsável pelo aumento de casos de microcefalia em recém-nascidos no país desde outubro deste ano.

A má formação cerebral relacionada ao vírus, identificada no Brasil, é inédita no mundo. Recém-nascidos que têm a doença desenvolvem complicações respiratórias, neurológicas e motoras. Já são 1.761 casos suspeitos de microcefalia (até 5 de dezembro) em 422 municípios, a maioria em Pernambuco. Dezenove mortes de bebês são investigadas sob a hipótese de relação com o vírus.

Pesquisas conduzidas pelo Ministério da Saúde confirmaram, em novembro, a relação entre a infecção pelo zika e a ocorrência de microcefalias. As primeiras notícias sobre a doença surgiram em outubro, quando a secretaria estadual de Saúde de Pernambuco notificou a ocorrência de 26 casos da má formação cerebral.

Um dos principais fatores para a conclusão foi a morte de um recém-nascido com microcefalia no Ceará, que era portador do zika. O que os pesquisadores ainda não conseguiram descobrir é se a presença do zika no organismo de gestantes causa inevitavelmente o desenvolvimento de microcefalia nos fetos.

O vírus já se espalhou por 18 estados brasileiros e o Distrito Federal. O número de pessoas infectadas é incerto, já que 80% dos portadores não manifestam sintomas. O exame para confirmar a presença do vírus, conhecido como RT-PCR, é realizado em laboratórios de referência do Sistema Único de Saúde (SUS), mas não está disponível comercialmente.

A origem do zika

O agente leva o nome da floresta Zika, em Uganda, onde macacos foram identificados com o vírus. O primeiro caso de infecção humana foi descoberto em 1952, mas o potencial endêmico do zika só foi reconhecido a partir de 2007, quando houve um surto na Oceania. Na Polinésia Francesa, um aumento incomum de casos de microcefalia coincidiu com um surto do vírus entre 2014 e 2015.

No mundo, são conhecidas duas linhagens do zika, uma africana e outra asiática. No Brasil, houve uma adaptação genética da linhagem vinda da Ásia. A identificação do vírus no país foi feita em abril por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia.

O estado com maior número de possíveis infectados é São Paulo, que deve ter entre cerca de 230 mil e 380 mil portadores do vírus, seguido de Minas Gerais (54 mil – 180 mil) e Rio de Janeiro (15 mil – 143 mil).

No início do mês, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana de Saúde emitiram um alerta mundial sobre a epidemia do vírus zika, que também infectou pessoas em Chile, Colômbia, El Salvador, Guatemala, México, Paraguai, Suriname e Venezuela.

O vírus afeta todas as faixas etárias e ambos os sexos.

O zika é adquirido pela picada do mosquito aedes aegypti, que também é transmissor da dengue e da febre chikungunya.

A presença do vírus no líquido amniótico é o principal fator de risco para danos relacionados à microcefalia nos embriões. Estudos científicos internacionais mostram que a presença do zika no sêmen, saliva, leite materno e urina não está associada à transmissão da doença. O vírus também não é transmitido sexualmente.

“Considerando que o vírus zika possa ter sido introduzido no Brasil a partir da segunda metade de 2014 e ocasionando uma nova doença, por não ter circulado anteriormente no país, considera-se que a maior parte da população brasileira seja suscetível à infecção e não possua imunidade natural contra o vírus”, diz um protocolo de segurança publicado pelo Ministério da Saúde na terça-feira (08/12).

Sintomas

Ainda não há vacinas para prevenir a infecção pelo zika. Os sintomas são febre baixa (menor do que 38,5°C), que dura de um a dois dias, erupções cutâneas, dor muscular leve, dor nas articulações, coceira e conjuntivite, na maior parte dos casos. Também há quadros em que pacientes não apresentam febre.

Formas graves da doença que podem evoluir para morte são raras. Os sintomas desaparecem entre três e sete dias depois da infecção e são mais leves do que os provocados pela dengue, por exemplo.

Além da microcefalia, a infecção pelo zika também está relacionada à síndrome neurológica de Guillain-Barré, doença em que o sistema imunológico ataca parte do sistema nervoso causando inflamação nos nervos e fraqueza muscular. Em julho, foram identificados quatro casos da síndrome.

O zika também está associado à encefalomielite aguda disseminada, doença que afeta crianças e pode levar à perda de visão e dormência em partes do corpo. O país registrou dois casos neste ano, de acordo a Universidade Federal de Pernambuco.

Tratamento

O tratamento recomendado pelos profissionais de saúde é o uso de paracetamol ou dipirona para aliviar a dor e a febre. Não é recomendada a utilização de ácido acetilsalicílico e outros anti-inflamatórios, devido ao aumento do risco de hemorragias.

Os casos suspeitos são tratados como infecção por dengue. Principalmente para gestantes, é importante a prevenção contra picadas com o uso de repelente e a eliminação de focos do mosquito aedes aegypti.

Boatos

Boatos nas redes sociais têm gerado apreensão. Mensagens compartilhadas no Whatsapp dizem que o aumento de casos de microcefalia se deve a uma vacina contra rubéola com validade vencida, que teria sido liberado para grávidas pelo governo.

Em nota, o ministério da Saúde desmentiu a informação dizendo que “todas as vacinas ofertadas pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) são seguras e não há nenhuma evidência na literatura nacional e internacional de que possam causar microcefalia”.

Gravações de voz compartilhadas nas mídias sociais também atribuem a especialistas a informação de que o vírus zika não deixa sequelas apenas em bebês, mas também em crianças menores de sete anos de idade e idosos.

Especialistas da Fundação Oswaldo Cruz e do Ministério da Saúde negam a veracidade da informação e dizem que reações neurológicas decorrentes do zika são raras e muitos sintomas são reversíveis.

Ministro Fachin suspende o golpe para o golpe

O ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu na noite desta terça-feira (8) suspender a instalação da comissão especial que irá analisar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. Fachin determinou que os trabalhos sejam interrompidos até que o plenário do Supremo analise o caso, votação que está marcada para a próxima quarta (16).
O objetivo, segundo o magistrado, é evitar a realização de atos que, posteriormente, possam ser invalidados pela Suprema Corte.
A decisão foi tomada logo após a Câmara decidir, por 272 votos a 199, eleger a chapa alternativa de deputados de oposição e dissidentes da base aliada para a comissão especial, que vai analisar o prosseguimento do processo.
Fachin analisou pedido apresentado pelo PC do B antes da votação, que voltou a pedir liminar para suspender o andamento do processo até que o Supremo se manifeste sobre as lacunas da lei 1079 de 1950, que estabelece um rito para o processo de impeachment. O partido questionou ainda a votação secreta para eleger a comissão especial e o fato de haver duas chapas, sendo uma de oposição.

Publicado no portal G1

Lógica alckimista

A lógica alkmista pretende transformar lixo, violência e golpe em ouro, paz e democracia. Não me surpreende que um cultor da Opus Dei recorra  a ideias da Idade Média.

O nobre governador de São Paulo declarou que “O impeachment é previsto na Constituiç e a Constituição não é golpista”. Eu sei que ele fala para a sua plateia de analfabetos políticos mas, mesmo assim, vale a pena registar que se trata de uma frase rasa, simplista.

A Constituição prevê o impeachment e a Constituição não é golpista. E daí? Ninguém disse que a Constituição é golpista. Ninguém disse que o instituto do impeachment não está previsto na Constituição. O que estamos discutindo é que não estão presentes os requisitos constitucionais para admissão de processo de impeachment. O que estamos dizendo é que os patronos do impeachment são golpistas e que decidiram por inviabilizar o governo democraticamente eleito no mesmo momento que ficou definida a derrota do candidato Aécio Neves.

O papel da PM do Estado de São Paulo está previsto na Constituição e a Constituição não é facista. Portanto, se o que se trama sobre o impeachment não é, na visão estreita do governador, golpe, espancar e levar presos estudantes menores de idade não é violência. É paz.

Pura transformação de lixo em ouro. Pura alckimia.