Zika: verdades, mitos e dúvidas

O objetivo deste artigo é passar informações sérias sobre o vírus Zika. Trata-se de artigo publicado no site Outras Palavras que publica artigos interessantes, próprios e da mídia alternativa. 

Qual a origem do vírus. Que outras consequências produz, além de microcefalia em embriões. Por que apenas parte da população atingida desenvolve as doenças. Quantos brasileiros podem estar infectados

Por Karina Gomes, na Deutsch Welle

O ministério da Saúde estima que entre 500 mil e 1,5 milhão de brasileiros estejam infectados pelo vírus zika, responsável pelo aumento de casos de microcefalia em recém-nascidos no país desde outubro deste ano.

A má formação cerebral relacionada ao vírus, identificada no Brasil, é inédita no mundo. Recém-nascidos que têm a doença desenvolvem complicações respiratórias, neurológicas e motoras. Já são 1.761 casos suspeitos de microcefalia (até 5 de dezembro) em 422 municípios, a maioria em Pernambuco. Dezenove mortes de bebês são investigadas sob a hipótese de relação com o vírus.

Pesquisas conduzidas pelo Ministério da Saúde confirmaram, em novembro, a relação entre a infecção pelo zika e a ocorrência de microcefalias. As primeiras notícias sobre a doença surgiram em outubro, quando a secretaria estadual de Saúde de Pernambuco notificou a ocorrência de 26 casos da má formação cerebral.

Um dos principais fatores para a conclusão foi a morte de um recém-nascido com microcefalia no Ceará, que era portador do zika. O que os pesquisadores ainda não conseguiram descobrir é se a presença do zika no organismo de gestantes causa inevitavelmente o desenvolvimento de microcefalia nos fetos.

O vírus já se espalhou por 18 estados brasileiros e o Distrito Federal. O número de pessoas infectadas é incerto, já que 80% dos portadores não manifestam sintomas. O exame para confirmar a presença do vírus, conhecido como RT-PCR, é realizado em laboratórios de referência do Sistema Único de Saúde (SUS), mas não está disponível comercialmente.

A origem do zika

O agente leva o nome da floresta Zika, em Uganda, onde macacos foram identificados com o vírus. O primeiro caso de infecção humana foi descoberto em 1952, mas o potencial endêmico do zika só foi reconhecido a partir de 2007, quando houve um surto na Oceania. Na Polinésia Francesa, um aumento incomum de casos de microcefalia coincidiu com um surto do vírus entre 2014 e 2015.

No mundo, são conhecidas duas linhagens do zika, uma africana e outra asiática. No Brasil, houve uma adaptação genética da linhagem vinda da Ásia. A identificação do vírus no país foi feita em abril por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia.

O estado com maior número de possíveis infectados é São Paulo, que deve ter entre cerca de 230 mil e 380 mil portadores do vírus, seguido de Minas Gerais (54 mil – 180 mil) e Rio de Janeiro (15 mil – 143 mil).

No início do mês, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana de Saúde emitiram um alerta mundial sobre a epidemia do vírus zika, que também infectou pessoas em Chile, Colômbia, El Salvador, Guatemala, México, Paraguai, Suriname e Venezuela.

O vírus afeta todas as faixas etárias e ambos os sexos.

O zika é adquirido pela picada do mosquito aedes aegypti, que também é transmissor da dengue e da febre chikungunya.

A presença do vírus no líquido amniótico é o principal fator de risco para danos relacionados à microcefalia nos embriões. Estudos científicos internacionais mostram que a presença do zika no sêmen, saliva, leite materno e urina não está associada à transmissão da doença. O vírus também não é transmitido sexualmente.

“Considerando que o vírus zika possa ter sido introduzido no Brasil a partir da segunda metade de 2014 e ocasionando uma nova doença, por não ter circulado anteriormente no país, considera-se que a maior parte da população brasileira seja suscetível à infecção e não possua imunidade natural contra o vírus”, diz um protocolo de segurança publicado pelo Ministério da Saúde na terça-feira (08/12).

Sintomas

Ainda não há vacinas para prevenir a infecção pelo zika. Os sintomas são febre baixa (menor do que 38,5°C), que dura de um a dois dias, erupções cutâneas, dor muscular leve, dor nas articulações, coceira e conjuntivite, na maior parte dos casos. Também há quadros em que pacientes não apresentam febre.

Formas graves da doença que podem evoluir para morte são raras. Os sintomas desaparecem entre três e sete dias depois da infecção e são mais leves do que os provocados pela dengue, por exemplo.

Além da microcefalia, a infecção pelo zika também está relacionada à síndrome neurológica de Guillain-Barré, doença em que o sistema imunológico ataca parte do sistema nervoso causando inflamação nos nervos e fraqueza muscular. Em julho, foram identificados quatro casos da síndrome.

O zika também está associado à encefalomielite aguda disseminada, doença que afeta crianças e pode levar à perda de visão e dormência em partes do corpo. O país registrou dois casos neste ano, de acordo a Universidade Federal de Pernambuco.

Tratamento

O tratamento recomendado pelos profissionais de saúde é o uso de paracetamol ou dipirona para aliviar a dor e a febre. Não é recomendada a utilização de ácido acetilsalicílico e outros anti-inflamatórios, devido ao aumento do risco de hemorragias.

Os casos suspeitos são tratados como infecção por dengue. Principalmente para gestantes, é importante a prevenção contra picadas com o uso de repelente e a eliminação de focos do mosquito aedes aegypti.

Boatos

Boatos nas redes sociais têm gerado apreensão. Mensagens compartilhadas no Whatsapp dizem que o aumento de casos de microcefalia se deve a uma vacina contra rubéola com validade vencida, que teria sido liberado para grávidas pelo governo.

Em nota, o ministério da Saúde desmentiu a informação dizendo que “todas as vacinas ofertadas pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) são seguras e não há nenhuma evidência na literatura nacional e internacional de que possam causar microcefalia”.

Gravações de voz compartilhadas nas mídias sociais também atribuem a especialistas a informação de que o vírus zika não deixa sequelas apenas em bebês, mas também em crianças menores de sete anos de idade e idosos.

Especialistas da Fundação Oswaldo Cruz e do Ministério da Saúde negam a veracidade da informação e dizem que reações neurológicas decorrentes do zika são raras e muitos sintomas são reversíveis.

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