Já vai tarde

1 – Anúncio da Globo News diz mais ou menos assim: “Quem escolhe a ignorância ofende todo mundo”. De fato. As Organizações Globo deveriam, por este motivo, demitir diversos dos seus colunistas de economia e política.

Comecem pelo Merval Pereira. Diariamente ele nos ofende com seus comentários em sua coluna no jornal e em suas participações na TV.

A respeito da decisão histórica do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao rito de impeachment no Brasil, o brilhante Merval opina que “O STF colocou, sem dúvida, pedras no caminho do impeachment (da presidente Dilma, adendo nosso), que parecia livre”. E aí ele solta mais uma de suas “pérolas”, digna de um acadêmico que entrou para a academia pela janela: “mas também retirou a possibilidade de o processo ser acusado de golpista”.

Assisti a leitura do relatório do ministro Fachin, na quarta-feira, e os votos detalhados de cada um dos ministros do Supremo ontem. Acompanhei com especial atenção todas as manifestações e debates. Nenhum ministro, entre os que apresentaram posicionamento técnico-jurídico, entrou no mérito do processo de impeachment em si. Não se discutiu se os decretos de suplementação de crédito configurariam crime de responsabilidade justificando, assim, abertura de processo de impeachment. Esta questão não foi discutida na petição do PC do B, objeto da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), em julgamento no STF. O STF também não discutiu este assunto, nem lhe cabia discutir.

A manifestação do ilustre jornalista Merval de que a decisão do Supremo Tribunal Federal seria uma manifestação no sentido de sancionar ou apoiar o golpe ou é tola ou mal-intencionada. Infelizmente o nobre jornalista joga esta polêmica opinião e não apresenta qualquer argumento que justifique tão estapafúrdia conclusão.

Se ele estiver se baseando exclusivamente no discurso planfetário do ministro Gilmar Mendes em seu voto ontem no STF, Merval pode ter razão: o ministro Gilmar é um apoiador do golpe de primeira hora.

2 – Fiquei chocado de assistir o ministro Gilmar fazer um discurso político em vez de uma manifestação técnico-jurídica ontem na sessão do Supremo. Manifestação técnico-jurídica é a única manifestação que lhe cabe fazer em plenário, como ministro do STF. Perdeu a compostura quando viu que sua tese a favor do golpe sairia derrotada. Se ele quiser ter atuação política substantiva, sugiro que ele se candidate a um cargo na Câmara dos Deputados. Lá, estaria entre os seus. E, levando em consideração que o eleitor brasileiro elege Bolsonaros, Felicianos e Cunhas, talvez ele consiga eleger-se. Depende do apoio dos grandes conglomerados de comunicação do país e dos donos do dinheiro que compra os votos.

3 – Analistas das Organizações Globo comentando a mudança do ministro da Fazenda informam que Joaquim Levy deixou o governo porque já não aguentava mais ser boicotado pelo Palácio do Planalto e pelo PT. Entendo que Joaquim Levy não entregou o que prometeu. Sua demissão é natural e lógica. Sua política econômica falhou e o caminho natural seria a sua demissão. Não dava mais para a presidente Dilma carregar consigo mala tão pesada. Já vai tarde.

4 – Fora as mudanças esperadas na condução da política econômica, teremos a substituição de um robô monotemático por um professor universitário que, pelo menos, sabe falar.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s