Um Neruda por semana – 03/01/2016

Reúne-se o aço (1945)

Vi o mal e o mau, mas não em seus covis.

É uma história de fadas a maldade com caverna.

Aos pobres depois de terem tombado em farrapos,

à mina desgraçada, povoaram-no com bruxas o caminho.

Encontrei a maldade sentada nos tribunais: no Senado a encontrei vestida e penteada, torcendo os debates e as idéias para os próprios bolsos. O mal e o mau acabavam de sair do banho: estavam encadernados em satisfações, e eram perfeitos na suavidade de seu falso decoro. Vi o mal, e para desterrar esta pústula vivi com outros, acrescentando vidas, fazendo-me secreta cifra, metal sem nome, invencível unidade de povo e pó. O orgulhoso estava feramente combatendo em seu armário de marfim e passou a maldade em meteoro dizendo: “É admirável a sua solitária retidão. Deixai-o”. O impetuoso tirou o seu alfabeto e montado em sua espada se deteve a perorar na rua deserta. Passou o mal e lhe disse: “Que valente!”

e se foi ao clube para comentar a façanha.

Mas quando fui pedra e argamassa, torre e aço, sílaba associada: quando apertei a mão de meu povo e fui ao combate com o mar inteiro; quando deixei a minha solidão e pus o meu orgulho no museu, a minha vaidade no desvão das carruagens desengonçadas, quando me fiz partido com outros homens, quando se organizou o metal da pureza, então veio o mal e disse: “Duro com eles, no cárcere, morram!” Mas já era tarde, e o movimento do homem, meu partido, é a invencível primavera, dura sob a terra, quando foi esperança e fruto geral para mais tarde.

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