Um Neruda por semana #2

Inundações

Os pobres vivem embaixo esperando que o rio se levante à noite e os leve para o mar.

Vi pequenos berços que flutuavam, destroços de vivendas, cadeiras, e uma cólera augusta de lívidas águas em que se confundem o céu e o terror

Só é para ti, pobre, para tua esposa e tua sementeira, para teu cão e tuas ferramentas, para que aprendas a ser mendigo.

A água não sobe até as casas dos cavalheiros cujos nevados pescoços voam das lavanderias.

Come este lodo de roldão e estas ruínas que nadam com teus mortos vagando docemente para o mar, entre as pobres mesas e as perdidas árvores que vão de tombo em tombo mostrando as raízes.

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