Fábula dos nossos dias: o corvo e o tucano

Lembro-me, de minha infância, da fábula do corvo e do tucano. Bom, esta fábula tem mais de cinquenta anos e não posso assegurar que a contraparte do corvo era, na fábula original, um tucano. Corvos lembram morcegos, morcegos lembram vampiros e, assim, a fábula se encaixa como uma luva no atual momento político nacional. Como sou economista por formação básica, vou assumir que a contraparte era mesmo um tucano de alta plumagem. É reconhecida a capacidade de imaginação dos economistas.

Vamos à fábula, sem mais delongas …

Era uma vez um corvo, velho de guerra e muito, muito vaidoso. Estava o corvo empoleirado em um alto galho de árvore com um belo pedaço de queijo em seu bico. O tucano, ardiloso, rei das manhas e artimanhas, tinha feito quatro tentativas, nos últimos doze anos, de apossar-se de tão desejada iguaria. Gastou rios de dinheiro, subornou, propagandeou, comprou apoios em rádios e TVs e nada de conseguir a posse do desejado queijo.

Voltando dois capítulos na fábula …

Ardiloso, o tucano, incapaz de por si só tomar posse do queijo, arquitetou um plano demoníaco: inflou o ego do vaidoso corvo e o convenceu que este era o legítimo merecedor do queijo, que estava em posse de uma vizinha, que havia adquirido este queijo legitimamente.

Incapazes de conseguir o queijo de forma legítima, uniram-se para, mediante traição, furtar o queijo.

Voltando ao galho da árvore …

Lá está o corvo com o queijo no bico, às claras, sem escondê-lo de ninguém. Todo empertigado, orgulhoso de sua astúcia golpista.

Enquanto isso, no gramado, embaixo da árvore …

Lá está o tucano, esperando que o corvo fique entalado com o queijo. Enquanto espera, arquiteta outro plano demoníaco para tomar o queijo do corvo.

Aguardem os próximos capítulos. As fábulas modernas são divididas em capítulos. Assim nossos patrocinadores exigem.

Para que nossos eleitores não fiquem muito ansiosos, vou dar uma dica sobre o final da fábula: o tucano fica com o queijo.

Como? Acompanhem os próximos capítulos. Seria mesmo uma fábula ou um filme de terror?

Paulo Martins

 

 

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