Chocado … Emocionado … Compartilho para ajudar

Compartilho para, de alguma forma, ajudar.

Chocado … Emocionado …

Chocado, também, com o atentado na França ocorrido ontem,  que dizimou ou feriu quase duas centenas de vidas inocentes.

O que mais tenho feito é ler e conversar para tentar entender como chegamos até aqui, a essa desumanização, a essa perda dos valores humanos mais básicos, aqui e no mundo todo.

Não sei a partir de que ponto a transformação das pessoas em produto e mercadoria comprada, vendida  e descartada, a banalização da morte  e o ódio, a ofensa, a calúnia, injúria e a difamação, tornaram-se fatos corriqueiros da vida em sociedade.

Estou tentando ler os filósofos, inclusive os morais, os cientistas sociais, os cientistas políticos, os historiadores, os juristas e os economistas alternativos para tentar entender um pouco. Talvez seja um exercício inútil.

Esta manifestação não tem base moralista ou religiosa. Mas espero que tenha um recado humanista forte.  E é em nome deste humanismo que eu me declaro perplexo. Mas, mesmo na perplexidade, eu me recuso a ser imobilizado e a omitir-me.

Não vou basear minhas reações no ódio e na degradação dos valores humanos básicos, que corre o risco de transformar-se no novo normal do comportamento em sociedade. E proponho que todos os meus amigos evitem cair nesta armadilha.

Compartilho para tentar ajudar Eduardo Guimarães e, ao mesmo tempo, enviar um grito de alerta aos meus amigos. Precisamos reagir com vigor, mas sem o ódio destruidor que é a arma do demônio, contra esse novo fascismo que já saiu do breu das tocas e mostra sua cara de monstro, disfarçado de cidadão participante da vida política.

Com pesar, mas lúcido e sereno,

Paulo Martins

Leia o post de Eduardo Guimarães, do blog da cidadania:

No fim de 2009, minha filha Victoria (17) já estava internada na UTI do Hospital Santa Catarina, em São Paulo, havia quase 60 dias. Eu e minha mulher nos revezávamos na vigília ao seu lado. Naquela manhã, o vigilante era este que escreve. Foi quando descobri que falar de Victoria na internet poderia impedir que fosse vítima dos abusos que planos de saúde praticam.

O chefe da UTI do hospital adentrou o quarto (a UTI do Santa Catarina tem quartos) com ar compungido para me comunicar que minha filha já estava na terapia intensiva havia “muito tempo” e que o “auditor” do plano de saúde Sul América estava “pressionando” para que ela tivesse “alta” e fosse transferida para o quarto, para o atendimento não-intensivo.

Motivo: o custo do leito de UTI. Nada que ver com o estado clínico da paciente.

Fiquei perplexo. Como assim, alta da UTI?! A menina estava definhando, afogava-se na própria saliva. Já eram quase dois meses de febrões, pneumonia, convulsões… Victoria precisava fazer um procedimento que o plano de saúde recusava sistematicamente e que, por incrível que pareça, permitiria que deixasse a terapia intensiva.

Recorri à amiga Conceição Lemes, editora do site Viomundo, talvez a mais importante jornalista de saúde do Brasil. Foi ela quem me explicou que era um absurdo aquela história de “auditor de plano de saúde”. Era uma ilegalidade. Planos de saúde não podem interferir no tratamento dos pacientes. E Victoria tinha direito a internação ilimitada na UTI, pelo contrato com o plano.

Foi ali que decidi colocar a boca no trombone. Comecei a divulgar aquele absurdo na internet e a Conceição e outros jornalistas começaram a pressionar o hospital e o plano de saúde pedindo informações.

O plano de saúde e o hospital entraram em pânico. Eles morrem de medo de publicidade negativa. Sobretudo quando se refere a pressão ilegal contra uma criança deficiente em estado grave de saúde.

A diretoria do hospital, assustada com a repercussão, convocou-me para “uma reunião sobre o tratamento de Victoria”. Compareci. Começaram a enrolar falando do tratamento, blábláblá, blábláblá, mas não tardaria a chegarem ao ponto: o assédio da imprensa.

O diretor e o chefe da UTI disseram que a imprensa estava “pressionando” o hospital para que emitisse “boletins” sobre o quadro clínico de minha filha. E me disseram que era “claro” que eu não iria querer “expor” minha filha, “certo?”.

Errado, disse eu. Quero, sim, expor minha filha, comuniquei.

“Mas para emitirmos boletins para a imprensa precisaríamos de uma autorização sua por escrito”, explicou o diretor do hospital. Pedi, então, papel e caneta para escrever a autorização de próprio punho e, a partir dali, tudo mudou.

A publicidade que passei a dar na internet ao tratamento de minha filha garantiu a ela posturas infinitamente mais colaborativas do plano de saúde e de hospitais, médicos, laboratórios etc., dali em diante.

Contudo, haveria um preço a pagar por expor ao público o caso de minha filha. Escrevo sobre política e, em um quadro de ascensão do fascismo, com facínoras que não aceitam divergência soltos por aí, ela se tornou alvo de um tipo de gente que, antes da internet, muitos nem sabiam que existia.

Leitores desta página conhecem Victoria. É uma menininha linda. Perfeitinha. Só seu cérebro foi prejudicado. Mas ela é sorridente, é feliz pelo amor que abunda em seu entorno. Aliás, alguns médicos dizem que minha filha só está viva porque sente que é muito amada. Que tipo de pessoa atacaria de forma tão vil um ser tão inofensivo, tão puro, tão frágil, tão indefeso?

Confesso que me afastei muito da religião, pois tem feito muito mal ao Brasil. Os fanáticos religiosos abundam por aí. Gente hipócrita que prega amor e pratica ódio, preconceito, intolerância. Por isso, não acredito no diabo. Contudo, comentário postado nesta página, terça-feira-feira à tarde, quase me deixou em dúvida…

Não é a primeira vez que minha filha sofre ataques como o que relatarei a seguir. Após o acirramento da política de 2013 para cá, ela virou alvo desses seres subumanos. Abaixo, o primeiro ataque aterrador que a menina sofreu aqui no Blog, em 2013.

A época, recorri à amiga Janice Ascari, procuradora da República que se tomou de amores pela Victoria apesar de termos opiniões políticas muito diferentes. Janice tentou fazer com que o MP tomasse esse ataque para si e fosse atrás desse ser demoníaco, mas a instituição se recusou a agir. Disse que era problema meu, que eu que fosse atrás do bandido.

Muitos outros ataques ocorreram, mas acabei me conformando. Eu iria arcar com custos altíssimos que talvez até fizessem falta para o tratamento de Victoria. Porém, ano passado um neonazista me ameaçou e a “petistas” em geral e adotei uma postura diferente. Com apoio dos leitores, contratei um advogado e consegui abrir inquérito na Polícia Civil.

Na última quarta-feira, post em que cito o caso de Victoria para criticar proposta do Ministro da Saúde de dificultar que as pessoas recorram à Justiça contra Planos de Saúde que não cumprem suas obrigações recebeu comentário que quem não está acostumado julgará estarrecedor, mas que, para este blogueiro, virou rotina.

A partir deste ponto, peço ao leitor que se municie de coragem para olhar a face do demônio, de um ser abaixo da escala humana, abaixo dos animais, mas que, nem por isso, deixa de ser uma ameaça à sociedade.

Antes de reproduzir o comentário bestial do ser em questão, vale explicar que o post que motivou a aberração que você vai ler dizia que Victoria não estaria viva hoje se Michel Temer fosse presidente há mais tempo e, assim, tivesse dificultado antes que as pessoas recorressem à Justiça contra Planos de Saúde. Veja o que o demônio virtual escreveu.

Imagino o choque que o leitor teve, mas ainda mais impressionante será saber que estou mais do que acostumado com esse tipo de coisa. Desde 2013 que minha filha virou alvo desse tipo de gente. A radicalização política, a partir daquele ano, abriu as portas do inferno.

Contudo, ao conseguir a abrir inquérito na polícia civil contra o neonazista que ameaçou a mim e a outros que pensam como eu, bem como a todos os filiados ao PT, fiz amizade com uma delegada que, em conversa na data da publicação deste post, orientou-me sobre os caminhos a seguir para caçar e punir esse criminoso.

Comunico aos leitores, portanto, que está sendo lavrado um boletim de ocorrência e, concomitantemente, um advogado será contratado para representar ao Ministério Público pedindo abertura de inquérito.

A única maneira de fazer esse tipo de ser rastejante voltar ao buraco de onde saiu será caçando os que se aventurarem à luz do dia. Juristas já me orientaram no sentido de que será possível criar um clima de revolta entre as autoridades que culminará com a apreensão e punição dura do autor desse crime inominável.

Conto com o apoio dos leitores para achar e punir esse animal. Não se trata de Victoria ou de Eduardo, trata-se de defesa do gênero humano, da ética, da decência, da verdade e da Justiça. Uma criatura como essa solta por aí é um risco à sociedade. Há que afastar um ser assim do convívio social. Não caçarei essa aberração por mim ou Victoria, mas por todos nós.

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