As fazendas – Pablo Neruda

As fazendas (2)

A terra andava entre os morgadios

de dobrão em dobrão, desconhecida,

massa de aparições e conventos,

até que toda a azul geografia

dividiu-se em fazendas e encomiendas.

Pelo espaço morto andava a chaga

do mestiço e o chicote

do reinol e do negreiro.

O nativo era um espectro dessangrado

que recolhia as migalhas,

até que estas reunidas

dessem para comprar um título

pintado de letras douradas.

E no carnaval tenebroso

saía vestido de conde,

orgulhoso entre outros mendigos,

com um bastãozinho de prata.

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