SDMA: doença ou desvio de caráter?

Espalha-se na sociedade um novo pathos – sem trocadilhos, por favor – que está sendo identificado como SDMA- Síndrome da Decadência Moral Adquirida.

O maior grupo de risco foi identificado entre políticos do Congresso Nacional. Mas foram encontrados diversos casos de contaminação por segmentos importantes da sociedade, especialmente na mídia.

Pouco a pouco, como um vírus de extrema virulência, esta síndrome contamina consciências, mata neurônios, queima biografias políticas ou expõe com holofotes biografias políticas já denegridas, mas que se escondiam nas sombras e salas fechadas dos gabinetes parlamentares.

Em sua intervenção hoje, na sessão do Senado que “julga” a presidente Dilma, o senador Roberto Requião já fez a etiologia do que acontece em nosso Congresso: rotulou os políticos atacados pela SDMA de “políticos fisiológicos”.

Patologia, etiologia, fisiologia. Palavras para um país doente, em profunda crise moral e de cidadania.

Trata-se, no entanto, de uma síndrome voluntária, adquirida. Alguns políticos, mesmo ao iniciarem seus mandatos, já são portadores da decrepitude moral e política em seu DNA, outros vão se corrompendo e se tornando cínicos e canalhas à medida que vão exercendo seus mandatos e se reelegendo anos após anos.

O senador Renan Calheiros, embusteiro de fina estirpe, rotulou o Senado Federal de casa de loucos. Se fosse assim, seria o caso, então, de mandar os senadores para tratamento em psicologia ou em psiquiatria e estaria tudo resolvido.

Estou assistindo à sessão do Senado desde o início e observei que uma senadora está travestida de bandeira do Brasil e outra senadora, também senhora de fina classe quando tinha um sobrenome digno, está travestida de vaca de presépio – há quem entenda que sua fantasia, por ter também alguns pontos vermelhos, refere-se à bandeira do estado de São Paulo. Tratando-se de candidata à prefeitura da capital deste estado, a hipótese é plausível. Sei que nos hospícios alguns dignos loucos se travestem de Napoleão, outros se enrolam em bandeiras. Mas, observo, também, que para serem considerados loucos não bastam as roupas que vestem e as atitudes políticas que os senhores políticos e políticas assumem.

Na minha opinião, este diagnóstico apresentado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, de que os senadores  e senadoras são meros /meras loucos ou loucas e que o Senado é um mero hospício é uma estratégia para desviar nossa atenção. Loucos não cuidam de si. Loucos não traem. Loucos não tramam. Loucos não roubam. Loucura é um estado de saúde que pode ocorrer com qualquer um. Não é uma escolha. Decrepitude moral e política, cinismo e canalhice, por outro lado, não é uma doença, é uma falha de caráter. O fato de que no processo de envelhecimento no exercício do cargo vários nobres deputados e senadores tenham envilecido fala mais da falta de caráter de cada um e, muito menos, de enlouquecimento.

Certamente, a natureza humana deve mais aos loucos geniais do que a deputados e senadores venais. Para usar camisas de força há que ser louco, mas tem que ter dignidade. Golpistas, canalhas,  assassinos da democracia e venais não têm os requisitos de honra e dignidade para serem admitidos em hospícios. Para estes golpistas só mesmo cassação pelas urnas, tornozeleiras, grades e execração pública.

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