Paulo Freire: não há neutralidade na educação

Publicado em Instituto Paulo Freire

#aniversariodepaulofreire

Neste mês de setembro, para comemorarmos o aniversário de Paulo Freire que, em 19/09/2016, completaria 95 anos de idade, revisitaremos algumas de suas reflexões que reafirmam a sensibilidade do “andarilho da utopia”, que, vivendo intensamente o seu tempo, nunca deixou de se conectar à educação do futuro.

Para Paulo Freire, de nada adianta ao educador, à educadora, bem como a toda cidadã e todo cidadão, constatar fatos, denunciar situações, sem que assumam, para si mesmos, os destinos da história e da própria educação. Por isso, ele sempre insistiu na necessidade de que o processo educacional contribua para que cada pessoa se reconheça sujeito da história, compreendendo criticamente o seu “estar sendo no mundo” e sendo capaz de “reescrever o mundo”, de agir para transformar.

Aqui nos cabe refletir: educar é um ato político, conforme nos ensinou Freire. Não há neutralidade na educação. Omitir a dimensão política da educação é tomar posição política: a de alienar. O que cabe às educadoras e aos educadores do país, diante da conjuntura histórica que vivemos, diante de propostas como a “Escola Sem Partido”, senão criar espaços de ação-reflexão-ação com os nossos estudantes, exercendo o nosso direito de educarmos e de nos educarmos no processo com os nossos aprendizes?

Como seres humanos críticos e propositivos, sujeitos ativos da história, cabe-nos não apenas denunciar, mas, sobretudo, anunciar a necessidade da reafirmação da liberdade no processo educativo e comprometer-se com a luta por essa liberdade. Como educadores e educandos, como cidadãos e cidadãs, na dimensão individual e coletiva, torna-se fundamental manter-se presente nos espaços da resistência: manifestações públicas, marchas, lutas sindicais, fóruns, movimentos sociais, presença na definição das políticas públicas, campanhas… No processo de ensino e aprendizagem que acontece dentro e fora da escola, nas escolas e nas ruas, faz-se mais do que necessário, na atual conjuntura nacional e internacional, de retomada da mercoescola, refletirmos profundamente sobre como educar para libertar, para transformar, permitindo às nossas crianças, jovens, adultos e idosos, em processo de educação permanente, o acesso a toda e qualquer informação para que, de forma crítica e criativa, possam contribuir – eles próprios – com a busca de uma sociedade mais justa, mais pacífica, mais democrática, inclusiva e ética.

Paulo Freire acredita/acreditava, e nós, do Instituto Paulo Freire, também acreditamos, na capacidade de discernimento de nossos estudantes e docentes, no sentido de que, tendo uma visão ampla do que acontece tanto no território em que vivem, como no mundo em que vivemos, terão condições de analisar o que se passa em sua volta e, das circunstâncias concretas, do mundo em que vivem, no campo da ciência, das artes, da política, do conhecimento simbólico e do conhecimento sensível. Isso, sim, significa educarmos não apenas para constatar, mas educar para mudar e para transformar o mundo.

Mais informações: http://www.acervo.paulofreire.org/

#aniversariodepaulofreire #PauloFreireSempre

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