Golpe e poder: segue o jogo

Todas as evidências apontam para o fato de que o golpe que apeou Dilma Rousseff da presidência foi dado, principalmente, para controlar a operação Lava Jato. O núcleo do PMDB que inicialmente relutou em aderir abertamente ao golpe, mais tarde o conduziu, tornou viável e implementou.

No início dos trabalhos, logo após a divulgação do resultado da reeleição da presidente Dilma Rousseff, o objetivo era a tomada do poder, fora das mãos do PSDB e de seus aliados por muito tempo, pois haviam perdido nas urnas quatro eleições seguidas.

Com o avanço da operação Lava Jato e a possibilidade real de alcançar as figuras proeminentes do PMDB, PSDB, DEM e dos partidos adesistas, ficou claro que os delatados nas delações dos executivos e ex-executivos da Construtora Odebrecht não teriam outra saída. Para estancar a “sangria”, seria necessário tomar o poder e implementar um conjunto de providências para livrar os políticos citados, especialmente aqueles sem direito a foro privilegiado, das garras do juiz Moro.

A primeira parte do plano foi a destituição da presidente Dilma. A segunda parte foi acomodar nos ministérios os políticos citados, dando-lhes acesso ao foro privilegiado.

Movimentações do ministro da Justiça Alexandre Moraes para enquadrar a Polícia Federal foram noticiadas. As manifestações fora dos autos de ministros do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal Eleitoral foram veementes e claras. O ministro nomeado pelo PSDB para o Supremo no governo FHC é um dos interlocutores e conselheiro de Temer.

As tentativas dos senadores de acelerar a tramitação do projeto que penaliza o abuso de poder estão inseridas no mesmo contexto.

A incógnita seria o Ministério Público Federal. O mandato de Rodrigo Janot termina em setembro de 2017 e um eventual desejo de Janot de recondução ao cargo o coloca no colo de Temer, como um bom angorá de estimação, dócil e sigiloso em relação aos poderosos. Especula-se no Ministério Público sobre o desejo de Janot de ser reconduzido pelo presidente – ilegítimo – Temer.

As ações de intervenção na Polícia Federal estão em curso, de forma camuflada. Há vaga para um operador discreto e experiente.

A morte do ministro Teori Zavascki embora aparentemente acidental, ajudou no planejamento das ações do núcleo do golpe. Teori, muito provavelmente, a julgar pelas suas decisões anteriores, não iria impor sigilo absoluto sobre o conteúdo dos autos da delação premiada da Construtora Odebrecht.

Foi divulgado na imprensa que Janot teria conversado com a ministra presidente do Supremo  Tribunal Federal e solicitado que houvesse celeridade na homologação das delações da Construtora Odebrecht, com manutenção do sigilo absoluto. Não havendo sigilo, com grande risco para Temer e para os ministros nomeados em função do foro privilegiado, as possibilidades de Janot ser reconduzido seriam mínimas.

As últimas decisões de Michel Temer logo após a homologação das delações da Construtora Odebrecht pela ministro Carmen Lúcia, quais sejam, a criação de um ministério para abrigar Moreira Franco e a indicação de Alexandre Moraes para ministro do STF em lugar do falecido ministro Teori, provam que o governo está mexendo as peças no tabuleiro de xadrez com um objetivo claro, definido no momento em foi decidido implementar o golpe: estancar a sangria provocada pela operação Lava Jato.

As decisões de Temer têm um objetivo paralelo e não menos importante: acalmar o PSDB que estava ficando impaciente.

A nomeação do novo ministro da Justiça – nossas fontes asseguram que não será o Marcola nem o Beira-Mar – completará a movimentação das peças no tabuleiro. Será um operador discreto, experiente, uma “puta velha” – desculpe-me se ofendo as prostitutas com esta comparação -, encarregada de completar o trabalho de domesticação da Polícia Federal.

Ficaria faltando o Ministério Público, para mais adiante, quando o mandato de Rodrigo Janot se encerrar em setembro deste ano.

Quem tem coragem de nomear Alexandre Moraes para ministro da Justiça e para o STF e os denunciados para um vaga no ministério, tem coragem de fazer qualquer coisa.

Quem sobreviver, verá.

Paulo Martins

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