Nada é razoável no país!

Compartilho texto de Cláudio Guedes, como sempre equilibrado e lúcido.

Preocupo-me com a apatia. Parece que matar e morrer violentamente é, no Brasil de hoje, normal. Almoços, reuniões e jantares entre investigadores e investigados, entre sabatinado e sabatinadores, tudo normal. A um absurdo que nos choca segue-se outro, ainda mais chocante. E assim por diante, até esquecermos o absurdo de ontem, assustados com o absurdo de hoje. Como se tudo fosse normal … razoável …

Paulo Martins

Leia, abaixo, o texto do Cláudio.

Preocupante … nada é razoável no país!

As cenas da situação da semana passada no ES, demonstrando o descontrole social provocado pela greve dos PMs é um poderoso alerta.

Nessa situação seria razoável que o governador do estado, o popular Paulo Hartung, fosse uma voz de moderação e paciência. Ou não?

Não. O governador nas entrevistas mostra-se um ressentido pois o movimento o pegou internado em SP por um problema de saúde. Ignora o descontrole social. Insiste na tese, que é correta, mas alardeada numa dose excessiva, do controle de gastos do estado. Passa a idéia de que não há prioridades, não há seleção de áreas onde é necessário gastar e outras onde é fundamental cortar gastos. Tudo forma um discurso plano, de acadêmico de Harvard, de quem vive no bem bom do conforto, de quem quando precisa de um tratamento de saúde pega um avião e vai se tratar em outro estado da federação (aliás, prática de quase todos os políticos do país, sem exceções).

Acho difícil resolvermos as coisas no país com discursos que não reconhecem a relevância da questão social.

Por quê?

Vejo agora no Bom Dia Brasil, que vejo raramente, pois me parece mais um Desgraça Brasil, o clima em torno do estádio no Rio ontem dia do clássico entre o Flamengo x Botafogo.

As imagens são assustadoras. Uma malta desgovernada pela ruas, homens fortes, descamisados, espumando de raiva. Brigas, tiros, pelo menos um morto e muitos seriamente machucados. Apenas um jogo, simples, de um campeonato inexpressivo.

A multidão quer sangue. Não importa a hora, nem o motivo.

Forças políticas irresponsáveis, aliadas com a mídia partidária e sem escrúpulos, para derrubar um governo fraco, mas legitimo, democraticamente leito, tratou de incendiar o país, plantando o ódio, semeando a discórdia, esculhambando com as instituições.

Montaram uma farsa. Montaram um governo de fantoches. Hipócritas. Quase todos que hoje dão as cartas no governo federal se locupletaram do sistema político corrupto e patrimonialista que fingiram combater.

E pior, combate que vinha acontecendo, com as instituições do poder policial e judiciário funcionando, pela primeira vez na República, com autonomia do poder central. Escracharam tudo. Quando juizes de primeira instâncias e procuradores vaidosos passaram a buscar os holofotes, querendo a primazia da mídia, não se contentando em agir com discrição e eficiência, foi como um poderoso alerta do que viria pela frente.

O razoável sumiu do país. A justiça oscila entre o poder dos justiceiros e o respeito ao estado de direito e vai perdendo, aos poucos, o patrimônio de respeito que acumulou. O governo de fantoches luta descaradamente pela sua sobrevivência, ignora o país. A política econômica inexiste. Financistas mandando em tudo. Estão se lixando para o país real, o da produção, o que precisa gerar empregos, o que precisa distribuir um pouco a renda para evitar o caos social.

O clima é ruim. Um barril de pólvora. Estamos em cima dele, mal acomodados.

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