O ABC DO NEOLIBERALISMO, por Ulysses Ferraz

Compartilho mais um excelente texto de Ulysses Ferraz. Didático. Como disse um amigo do  Ulysses: “Já devo ter lido esse texto dez vezes; fica cada vez melhor”. Eu também.  Já devo ter compartilhado uma versão anterior deste texto mais de uma vez. Ulysses parece não se cansar de esclarecer, de denunciar. Eu também não. Leia. Releia. Leia novamente.

Eu já mencionei em alguns dos meus posts que o Século XX, do neoliberalismo e das guerras, teima em não acabar. Mas, pior que não acabar, é que os donos do mundo escolheram o joio do Século XX como matéria prima para preparar o “pão que o diabo amassou” que nos está sendo servido neste primeiro quarto do Século XXI.

O lucro é o sangue que alimenta o capitalismo e nutre sua versão mais perversa, o neoliberalismo.

Na paz, o capitalismo selvagem não gera lucro suficiente para alimentar todas as ganâncias. Precisam colonizar. Precisam das guerras, híbridas ou simples, de bombardeios e assassinatos indiscriminados. Precisam alimentar o voraz complexo industrial-militar. Bloqueios financeiros e guerras alfandegárias quando o inimigo tem bomba atômica e capacidade bélica. Bombardeios convencionais indiscriminados quando o inimigo é fraco.

Viva Trump, May e Macron, empregados dos proprietários das máquinas de fazer dinheiro, generais de chumbo do capitalismo de guerra.

A China finge fechar os seus olhos. E lucra ….

-“Paulo, você misturou tudo”.

_”Junte os pontos, companheiro”.

Paulo Martins

O ABC DO NEOLIBERALISMO, por Ulysses Ferraz

Neoliberalismo é quando os ricos transferem livremente suas riquezas para onde se pagam menos impostos, aplicam seus recursos onde os juros são mais elevados e deslocam seus empreendimentos para onde haja o mínimo de direitos trabalhistas e sociais. E vivem em qualquer lugar do mundo que assim o desejarem, cercados de muros, bens luxuosos e aparatos de segurança privada. São os habitantes das muralhas maravilhosas.

Enquanto isso, o resto da população trabalha para subsistir, sobreviver e consumir as sobras do mundo afluente. Endividam-se para ter o mínimo de conforto material e vivem onde é possível viver, cercados de insegurança pública. Quando pacíficos, os excluídos são abandonados. Quando violentos, são encarcerados. Um Estado mínimo garantido por presídios de segurança máxima. Austeridades sociais em meio a prodigalidades armamentistas.

Os neoliberais e seus aliados conspiram incansavelmente pelo desmantelamento das redes de proteção social, amparados por suas tropas de elite espalhadas pelas casas legislativas. Suas indústrias bélicas são amplamente representadas em seus interesses nos parlamentos e legalmente blindadas pelos poderes judiciários. Os bancos de investimentos são suas fortalezas mais sólidas. Jamais se acanham em se utilizar largamente das instituições democráticas em benefício próprio.

E para disseminar suas ideologias, os poderosos do capital e seus representantes corporativos cercam-se de acadêmicos vencedores do prêmio Nobel, de políticos pretensamente defensores da social-democracia e de porta-vozes midiáticos dos principais meios de comunicação. Mediante o mágico efeito da dominação simbólica, o neoliberalismo faz com que dominantes e dominados lutem por um mesmo ideal. É a globalização da ideologia. Uma distopia real. Aqui e agora. Essa é a verdadeira “revolução” do final século XX, cujos efeitos ainda reverberam incólumes em pleno século XXI.

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