Infiltrado na Klan, crítica de Fábio Gomes, no Omelete

Compartilho crítica de Fábio de Souza Gomes publicada no site de crítica cinematográfica Omelete. O que ocorreu no final do filme comprova tratar-se de uma obra necessária, ainda mais no mundo atual. Três ou quatro mulheres começaram a se manifestar gritando “ele não”. Pareceu espontâneo, pois vinha de diferentes pontos e eram gritos que mostravam certa timidez. Um número maior de pessoas aplaudiu. Um homem, de pé, gritou “ele sim”, mais de uma vez. Muita gente reagiu. Ele foi chamado de racista. Ele se deu conta que não estava em uma rede social, usando uma identidade falsa. 

Assista o filme e observe a triste e gritante semelhança com os tempos sombrios que estamos enfrentando no Brasil. Favor observar, em determinado ponto desta crítica o autor da avisa sobre um spoiler (spoiler = expõe uma pequena parte do que acontece no filme)

Abraço a todos, 

Paulo Martins

Infiltrado na Klan
Spike Lee cria um dos melhores filmes de sua carreira em uma obra necessária nos dias atuais
FÁBIO DE SOUZA GOMES
21.11.2018
23H37
ATUALIZADA EM
22.11.2018
00H47
Infiltrado na Klan seria absurdo se não fosse real. O longa mostra a história verdadeira de Ron Stallworth (John David Washington), o primeiro policial negro a conseguir se infiltrar na Ku Klux Klan. Por ser negro, obviamente, ele não pode participar das reuniões pessoalmente e, por isso, enquanto marca tudo por telefone seu parceiro Flip Zimmerman (Adam Driver) assume sua identidade junto aos membros da KKK. Os dois chegam aos níveis mais altos da organização em um dos filmes mais importantes do ano.
Como a história se passa nos anos 70, Spike Lee consegue fazer uma grande homenagem a Blacksploitation – um movimento cinematográfico dos EUA que surgiu durante esse período onde diretores e atores negros começaram a produzir uma série de filmes. A fotografia, o estilo e o humor são referências diretas ao gênero, que ganha homenagens inclusive no cartaz da produção. Tudo isso deixa o longa com um tom mais leve e, com isso, as críticas sociais do cineasta tem um efeito único: são capazes de fazer o espectador rir ao mesmo tempo que o deixa reflexivo e desconfortável. A obra está recheada de cenas onde o preconceito é representado de uma maneira caricata, mas o que parece loucura é um retrato cada vez mais próximo e fiel da nossa realidade atual.
Apesar de se passar nos anos 70, os membros da “organização” (como ela é chamada no filme) tocam em temas recentes como o que ficou conhecido hoje como as fake News. Durante uma conversa com Flip, um dos membros da KKK fala que o Holocausto foi uma grande mentira e que a mídia tradicional está escondendo a verdade. Esse é apenas um dos vários exemplos de como Lee cria uma ponte para o presente ao mostrar que o preconceito sempre contou com a desinformação para se disseminar. Além disso, essa conversa é um dos vários fatores que ajudam na jornada do personagem de Adam Driver.
Flip é um homem branco que nunca se preocupou com o preconceito pois nunca o sofreu. Porém, ao se infiltrar na Klan, ele começa a refletir sobre sua origem judia, sobre o racismo e passa a enxergar o mundo por uma nova perspectiva. Lee, com isso, toca na ferida e mostra que grande parte da sociedade não se interessa por direitos civis e igualdade de raça e gênero pois simplesmente não consegue enxergar um problema – que só fica claro quando sentem na própria pele.
Essa jornada só funciona tão bem por conta do ótimo trabalho de Driver, cuja a principal relação é com John David Washington, que vive o verdadeiro Ron por telefone. O personagem é o fio condutor do filme e sofre com conflitos próprios, pois ao mesmo tempo em que está dedicado a derrubar a Klan é considerado por seu principal interesse romântico, a ativista vivida por Laura Harrier, um traidor da própria raça por ser policial. O personagem tenta equilibrar os dois mundos, sentindo-se por muitas vezes isolado, e Washington consegue brilha em cena nesses momentos.
A dupla faz com que essa história absurda – e, sempre importante reforçar, real – pareça crível e o público embarca nessa jornada que chega até ao grão-mestre da KKK, David Duke (Topher Grace), que é o grande vilão do filme.
Duke é mais um dos grandes trunfos de Lee, que mostra um homem que disfarça seu discurso racista em ideias de falso nacionalismo. O diretor não demoniza o personagem e o mostra como um homem carismático consegue conquistar os outros pela desinformação e o medo. Esse discurso explode na tela nas cenas finais, que transformam o tom do filme.
(CUIDADO COM SPOILER, O PARÁGRAFO EM ITÁLICO PODE ESTRAGAR A SUA EXPERIÊNCIA).
O diretor decide mostrar cenas reais do conflito de Charlottesville em 2017 – onde neo-nazista tomaram as ruas para protestar contra negros, judeus e imigrantes. Com uma edição hábil, Lee mostra como um presidente como Donald Trump deu espaço para que o preconceito tomasse as ruas e, mais tarde, foi incapaz de rechaçar as marchas ao dizer que “nem todas as pessoas do protesto eram ruins” ao mesmo tempo em que pessoas eram atropeladas, feridas e David Duke voltava para as ruas para apoiar o mandatário americano.
O uso do silêncio ao final das cenas caóticas leva o espectador a reflexão do atual momento não só dos EUA, mas de todo o planeta onde movimentos como esse estão crescendo cada vez mais e discursos de ódio estão ganhando espaço. Um final que contrasta diretamente com o bom humor do filme e, por conta disso, fica ainda mais forte e pesado.
(FIM DO SPOILER)
Spike Lee volta a sua melhor forma e cria um dos melhores trabalhos de sua carreira. O filme é muito mais do que um bom divertimento. Infiltrado da Klan é uma produção necessária nos dias atuais e pode gerar reflexões para o futuro.

Sobre parvos e pascácios, a mentira retroalimentada

O capitão da  Bolsa (a outra, a que comprou seu mandato de presidente) sempre que pode declara, para justificar previamente seu fracasso, que vai pegar uma economia destroçada pelos governos do PT. Não sei como ele chegou a essa conclusão pois, como ele mesmo confessou – e nem precisava ter confessado, de tão evidente -, “Não entende nada de Economia”. Suas declarações absurdas sobre as metodologias do IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística deixaram claro que ele também não entende nada de estatística.

Ele, o capitão da Bala, do Boi, da Bíblia evangélica, da Bolsa e do Patrão, fala as asneiras que fala porque tem seguidores tão ou mais ignorantes que ele: terraplanistas, kitgaysistas, mamadeirasdebicopiroquistas, os escolasempartidistas, os anticomunistas, os fakeistas, os olavetistas … A aprovação destas plateias ignaras  tem efeito devastador pois retroalimenta e impulsiona o redemoinho da ignorância e da bajulação: todos os parvos e pascácios, parentes em primeiro grau ou não, scolaris, boechatis, lorenzonis, moros, vélezis e ernestos, invejosos, danam a falar besteiras para ver se ultrapassam o chefe e conseguem seus 15 minutos de fama. Podem desistir: o chefe é imbatível porque sua ignorância e “toscicidade” é autêntica. O bicho é esse poço transparente de ignorância mesmo, curto e grosso. E os seus semelhantes enxergam nele um espelho que lhes reflete a alma.

Esta introdução é para apresentar dados que contestam as afirmações do capitão bárbaro. Já publiquei neste blog estatísticas completas de 20 anos da economia brasileira, comprovando a boa gestão dos governos do PT no período indicado. Apresento, a seguir, um resumo. Não sei quem foi o autor do resumo, que compartilho do mural de Márcia Simões.

Acho que para quem mais interessa a leitura destes dados não vai adiantar nada, seja por déficit cognitivo ou pura má-fé mesmo. De qualquer forma os dados estão aí, nus e crus, para desmentir presidente-fake que não desce do palanque e assume postura de estadista, porque não adianta tentar forçar a natureza.

Paulo Martins

  1. Produto Interno Bruto:
    2002 – R$ 1,48 trilhões
    2013 – R$ 4,84 trilhões
  2. PIB per capita:
    2002 – R$ 7,6 mil
    2013 – R$ 24,1 mil

  3. Dívida líquida do setor público:
    2002 – 60% do PIB
    2013 – 34% do PIB

  4. Lucro do BNDES:
    2002 – R$ 550 milhões
    2013 – R$ 8,15 bilhões

  5. Lucro do Banco do Brasil:
    2002 – R$ 2 bilhões
    2013 – R$ 15,8 bilhões

  6. Lucro da Caixa Econômica Federal:
    2002 – R$ 1,1 bilhões
    2013 – R$ 6,7 bilhões

  7. Produção de veículos:
    2002 – 1,8 milhões
    2013 – 3,7 milhões

  8. Safra Agrícola:
    2002 – 97 milhões de toneladas
    2013 – 188 milhões de toneladas

  9. Investimento Estrangeiro Direto:
    2002 – 16,6 bilhões de dólares
    2013 – 64 bilhões de dólares

  10. Reservas Internacionais:
    2002 – 37 bilhões de dólares
    2013 – 375,8 bilhões de dólares

  11. Índice Bovespa:
    2002 – 11.268 pontos
    2013 – 51.507 pontos

  12. Empregos Gerados:
    Governo FHC – 627 mil/ano
    Governo Lula – 1,79 milhões/ano

  13. Taxa de Desemprego:
    2002 – 12,2%
    2013 – 5,4%

  14. Valor de Mercado da Petrobras:
    2002 – R$ 15,5 bilhões
    2014 – R$ 104,9 bilhões

  15. Lucro médio da Petrobras:
    Governo FHC – R$ 4,2 bilhões/ano
    Governo Lula – R$ 25,6 bilhões/ano

  16. Falências Requeridas em Média/ano:
    Governo FHC – 25.587
    Governo Lula – 5.795

  17. Salário Mínimo:
    2002 – R$ 200 (1,42 cestas básicas)
    2014 – R$ 724 (2,24 cestas básicas)

  18. Dívida Externa em Relação às Reservas:
    2002 – 557%
    2014 – 81%

  19. Posição entre as Economias do Mundo:
    2002 – 13ª
    2014 – 7ª

  20. PROUNI – 1,2 milhões de bolsas

  21. Salário Mínimo Convertido em Dólares:
    2002 – 86,21
    2014 – 305,00

  22. Passagens Aéreas Vendidas:
    2002 – 33 milhões
    2013 – 100 milhões

  23. Exportações:
    2002 – 60,3 bilhões de dólares
    2013 – 242 bilhões de dólares

  24. Inflação Anual Média:
    Governo FHC – 9,1%
    Governo Lula – 5,8%

  25. PRONATEC – 6 Milhões de pessoas

  26. Taxa Selic:
    2002 – 18,9%
    2012 – 8,5%

  27. FIES – 1,3 milhões de pessoas com financiamento universitário

  28. Minha Casa Minha Vida – 1,5 milhões de famílias beneficiadas

  29. Luz Para Todos – 9,5 milhões de pessoas beneficiadas

  30. Capacidade Energética:
    2001 – 74.800 MW
    2013 – 122.900 MW

  31. Criação de 6.427 creches

  32. Ciência Sem Fronteiras – 100 mil beneficiados

  33. Mais Médicos (Aproximadamente 14 mil novos profissionais): 50 milhões de beneficiados

  34. Brasil Sem Miséria – Retirou 22 milhões da extrema pobreza

  35. Criação de Universidades Federais:
    Governo Lula – 18
    Governo FHC – ZERO!!!

  36. Criação de Escolas Técnicas:
    Governo Lula- 214
    Governo FHC – 11
    De 1500 até 1994 – 140

  37. Desigualdade Social:
    Governo FHC – Queda de 2,2%
    Governo Lula – Queda de 11,4%

  38. Produtividade:
    Governo FHC – Aumento de 0,3%
    Governo Lula – Aumento de 13,2%

  39. Taxa de Pobreza:
    2002 – 34%
    2012 – 15%

  40. Taxa de Extrema Pobreza:
    2003 – 15%
    2012 – 5,2%

  41. Índice de Desenvolvimento Humano:
    2000 – 0,669
    2005 – 0,699
    2012 – 0,730

  42. Mortalidade Infantil:
    2002 – 25,3 em 1000 nascidos vivos
    2012 – 12,9 em 1000 nascidos vivos

  43. Gastos Públicos em Saúde:
    2002 – R$ 28 bilhões
    2013 – R$ 106 bilhões

  44. Gastos Públicos em Educação:
    2002 – R$ 17 bilhões
    2013 – R$ 94 bilhões

  45. Estudantes no Ensino Superior:
    2003 – 583.800
    2012 – 1.087.400

  46. Risco Brasil (IPEA):
    2002 – 1.446
    2013 – 224

  47. Operações da Polícia Federal:
    Governo FHC – 48
    Governo Lula- 1.273 (15 mil presos)

  48. Varas da Justiça Federal:
    2003 – 100
    2010 – 513

  49. 38 milhões de pessoas ascenderam à Nova Classe Média (Classe C)

  50. 42 milhões de pessoas saíram da MISÉRIA!

FONTES:
47/48 – http://www.dpf.gov.br/agencia/estatisticas
39/40 – http://www.washingtonpost.com
42 – OMS, Unicef, Banco Mundial e ONU
37 – índice de GINI: http://www.ipeadata.gov.br
45 – Ministério da Educação
13 – IBGE
26 – Banco Mundial

Sátira Alemã: A QUEIMA DE LIVROS, Bertolt Brecht

Quando o regime ordenou que fossem queimados publicamente

Os livros que continham saber pernicioso, e em toda parte

Fizeram bois arrastarem carros de livros

Para as pilhas em fogo, um poeta perseguido

Um dos melhores, estudando a lista de livros queimados

Descobriu, horrorizado, que os seus

Haviam sido esquecidos. A cólera o fez correr

Célere até sua mesa, e escrever uma carta aos donos do poder.

Queimem-me! Escreveu com pena veloz. Queimem-me!

Não me façam uma coisa dessas! Não me deixem de lado! Eu não

Relatei sempre a verdade em meus livros? E agora tratam-me

Como um mentiroso! Eu lhes ordeno:

Queimem-me!

Bertolt Brecht

Poemas 1913-1956

Seleção e tradução de Paulo César de Souza

editora 34

Discurso de diplomação de Jair Messias Bolsonaro

Brasília, 10 de dezembro de 2018

Nesta cerimônia de minha diplomação como presidente da República, eu não poderia deixar de reverenciar a memória do coronel do Exército brasileiro, Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI do II Exército, torturador e horror de Dilma Vana Rousseff Linhares.

Que o coronel, a quem eu agora reverencio possa, desde sua morada no infinito, também conhecido entre os cristãos como o inferno, possa guiar meus passos no cumprimento da importante e difícil missão para a qual vocês, meus 57 milhões de eleitores, em pleito democrático onde prevaleceu a verdade divina, me arregimentaram.

Um bom recruta, recrutado para a nobre missão de comandar a vida de 209 milhões de pessoas, nunca poderia fugir à luta. Nem mesmo um mau (seria mal, estou na dúvida?) capitão reformado, condenado por suas ideias em defesa do combate radical ao que é humano, civilizado e fraco, poderia fugir.

Prometo governar com a Bíblia do lado direito do peito e o livro do coronel Ustra, como inspiração maior, também lado direito do peito, pois um capitão que traz Deus acima de tudo e a Pátria em cima de todos não tem, e jamais terá, lado esquerdo.

Permito-me encerrar esta cerimônia com as palavras em latim – ou grego … que seja – que li em um filme sobre a segunda grande guerra mundial e que orientarão as minhas ações destinadas a todos os brasileiros, principalmente aos que não votaram em mim: “Arbeit macht frei”. Heil! Ou melhor, God Save the Queen. Táoquei?.

O QUE CORROMPE, Bertolt Brecht

Nos primeiros meses do domínio nacional-socialista

Um trabalhador de uma pequena localidade na fronteira tcheca

Foi condenado à prisão por distribuir panfletos comunistas.

Como um dos seus cinco filhos havia já morrido de fome

Não agradava ao juiz enviá-lo para a cadeia por muito tempo.

Perguntou-lhe então se ele não estava talvez

Apenas corrompido pela propaganda comunista.

Não sei o que o senhor quer dizer, disse ele, mas meu filho

Foi corrompido pela fome.

Bertolt Brecht

Poemas 1913-1956

Seleção e tradução de Paulo César de Souza

editora 34