Hay gobierno? Soy contra: não adianta torcer pelo Íbis(*)

Este é um discurso de ódio? Muito pelo contrário. É um discurso em favor da lucidez, da discussão civilizada, de respeito a quem pensa diferente. Trata-se de saudável contraponto aos que se acham donos de uma tal “verdade” única, de inspiração divina, de um Deus medieval.

Primeiro, eles precisam entender que há quem não creia em Deus e, menos ainda, em um Deus tão perverso, vingativo e incoerente como o tal Deus que surge de suas falas evangelizadoras e exortações.

Em segundo lugar, se ampliarem seu horizonte de observação, vão descobrir que existe no mundo uma grande quantidade de Deuses e religiões e não só esta que pratica extorsão e sequestra cérebros e que eles pretendem enfiar no mundo político, no Legislativo, no Executivo, no Judiciário, nas escolas, no dia-a-dia de todos.

Em terceiro lugar, porque é consenso no mundo dito civilizado que a separação entre Estado e religião é fundamental para evitar guerras religiosas e civis, tão comuns no passado.

Um amigo argumentou que eu devia torcer para o governo do inominável dar certo. Perguntei o que seria, na opinião dele, “dar certo”. Ele parou, pensou no assunto – parecia ser a primeira vez – e respondeu, inseguro e genérico: “crescimento econômico e emprego”.

Então eu perguntei: onde a classificação do aborto como crime hediondo tem a ver com a economia? A bolsa estupro, por exemplo, não resiste a nenhuma análise mais séria. Por que é necessário cercear o estudo de História, Sociologia e Filosofia? Por que censurar as escolas e universidades? Por que este ódio ao civilizadamente correto e aos livros?

A resposta dele não foi inesperada: eu já votei no Lula, mas agora estou decepcionado com o PT. Quero mudança.

Obviamente, ele receberia uma resposta que falaria em Collor, FHC, Aécio, Hittler, Mussolini e Duke. Mas foi melhor parar naquele ponto. Meu interlocutor ia começar um discurso sobre a mudança pela mudança, previsível como tem sido em todos os casos, pois o repertório deles é chato, superficial e repetitivo.

Para a economia ele vai só torcer.

Para a volta da ditadura, para o retrocesso institucional e civilizatório ele vai continuar de olhos fechados. Eu não. Hay gobierno neoliberal, neomilitar, neofeudal, soy contra de véspera, porque de apoiadores de véspera e de torcedores apaixonados do Íbis o Brasil já está cheio.

(*) O Íbis é um time de futebol que se orgulhar de perder sempre. Já perde de véspera, apesar da torcida.

Logo após esta conversa, leio o texto, compartilhado a seguir, do Luiz Carlos Romanholli. Diz tudo o que não tive a oportunidade de dizer:

Paulo Martins

Fala-se em “torcer pelo governo Bolsonaro”. Bem, eu acho que a gente torce é pra time e pra ganhar a Mega-Sena. De governo se cobra os erros e se apoia os acertos. Todo cidadão é oposição, independentemente do governo. Mas, vá lá, vamos admitir que se possa torcer. Então, eu torço contra. Quero que dê errado. Muito errado. Por uma razão simples: o que significa esse governo dar certo? Vamos à lista (feita a partir das promessas de campanha e das escolhas ministeriais):

  • Concentração de renda e aumento da pobreza e da desigualdade.
  • Achatamento salarial.

  • Perda de direitos trabalhistas.

  • Fim da aposentadoria.

  • Aumento do lucro dos bancos.

  • Censura a escolas, universidades e professores, com perseguição ao pensamento crítico.

  • Desmonte do ensino público em favor de grandes grupos privados do setor.

  • Incentivo do ensino à distância.

  • Desmonte do SUS para beneficiar as operadoras dos planos privados.

  • Perseguição a opositores. Notadamente de esquerda, mas não só.

  • Tolerância à tortura.

  • Incentivo à violência policial, com a respectiva impunidade dos criminosos de farda.

  • Ameaça às liberdades democráticas e ao estado de direito.

  • Discurso oficial misógino e machista.

  • Perseguição aos movimentos de trabalhadores rurais.

  • Tolerância à violência contra mulheres, LGBTs e gays.

  • Desmonte das políticas afirmativas para essas “minorias”.

  • Aumento do desmatamento para atender os interesses do agronegócio e das mineradoras.

  • Aumento do número de homicídios com a liberação do porte de armas.

  • Frouxidão na fiscalização e punição de crimes ambientais.

  • Frouxidão na fiscalização e punição de trabalho escravo.

  • Desmonte do incentivo federal ao esporte.

  • Desmonte das universidades públicas.

  • Perseguição a índios e quilombolas.

  • Desmanche da cultura e “criminalização” de nossos artistas.

  • Tolerância à corrupção.

  • Fake news oficial.

  • Tolerância a crimes de racismo.

  • Interferência direta da religião (uma especificamente) nas decisões do executivo, ameaçando o estado laico e nos empurrando para uma temível teocracia.

  • Ameaça à liberdade de imprensa, com censura e chantagem usando o expediente de verbas públicas de publicidade.

  • Política externa suicida em nome de mentiras, moralismo tacanho, fanatismo religioso e desconhecimento histórico.

  • Subserviência aos Estados Unidos.

  • Entreguismo.

  • Falta de planejamento.

  • Memes ruins.

  • Muita burrice.

  • Muita mentira.

  • Mais burrice.

  • Muita corrupção.

  • Burrice pra caralho.

  • Muita cafonice.

  • Eu cheguei a mencionar burrice?

  • Excelentes salários para motoristas.

Eu quero que dê errado pra cacete.

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