E por falar em amor ao próximo …

Post publicado em um site infestado por Bolsominions, uma pessoa que se diz “nem de esquerda, nem de direita” ( imagino que ser de direita é pouco para ela) diz que as pessoas que estão nas ruas precisam estar e que não podem ser criticadas. Alega que o motivo das críticas é a falta de empatia e de amor ao próximo. Procurei as postagens dessa pessoa e dos seus amigos e foi detectado apoio cego e acrítico a tudo que vem de Bolsonaro. A minha resposta, que serve para todos, sejam negacionistas, inocentes úteis ou culpados inúteis, compartilho a seguir:

Nem todos que estão na rua trabalham em funções essenciais, infelizmente. Tenho visto muita gente na rua, sem necessidade. Especialmente após cada bravata ou fala desastrada do presidente. Idosos jogando carta em praças, carros de luxo fazendo carreatas, grupos de homens em porta de botequim bebendo cerveja e conversando, ônibus mais cheios do que poderiam ou deveriam (falta um escalonamento inteligente dos horários de trabalho), comércios não essenciais abertos clandestinamente à meia-porta. Bolsonaro estimula a ida das pessoas para a rua. Domingo, por exemplo, ele saiu de sua residência presidencial e foi para bairros de periferia de Brasília estimular o desrespeito às medidas de mitigação da tragédia do coronavírus.

Bolsonaro fez, desde o início da crise, tudo para negar a sua gravidade e não tomou as medidas necessárias, no campo econômico e no campo da saúde pública, para preservar vidas e evitar o desespero trazido pela falta de renda.

Quase 12 milhões de pessoas estão sem emprego no Brasil desde a inauguração do governo Bolsonaro em 01 de janeiro de 2020. Guedes e Bolsonaro escolheram adotar uma política econômica que implica em manter a economia em coma induzido e em hiportemia, para combater uma febre (inflação) que já estava baixa desde Meireles/Temer.

Manter as pessoas desempregadas, a taxa de juros SELIC baixa e a economia em semi-recessão são as únicas medidas que economistas neoliberais sabem receitar. Qualquer que seja o paciente, qualquer que sejam as doenças que atacam o tecido econômico, estes economistas receitam sempre estes mesmos remédios. Assim, quando chegou ao Brasil o vírus Corona pegou o país em semi-recessão, com desemprego estrutural altíssimo e desigualdade social e econômica grande e crescente.

O trabalho em condições precárias, sem proteção, sem carteira assinada, intermitente ou por conta própria foi o novo normal implantado e incentivado pela criminosa reforma da CLT e pelo modelo econômico de Guedes/ Bolsonaro. Explodiu o número de pessoas que trabalhavam por conta própria, ou seja, ambulantes que não podiam adoecer e que tinham que estar na rua garimpando uns caraminguás dia após dia. Quem podia agarrou-se ao Uber. Quem não podia, pedalava as bicicletas do Itaú para entregas de comida e farmácia rua acima. A quantidade de pessoas jogadas na rua, sem eira e nem beira crescia assustadoramente nas principais metrópoles do país.

Ora, em ambiente tão precário e desigual, ao observar o impacto do vírus sobre as atividades econômicas e a vida das pessoas, o governo deveria, como primeira e urgente medida, ter adotado um programa de renda mínima amplo, visando proteger todas as pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica.

Diziam não haver dinheiro e não fizeram nada. Agora que a Câmara dos Deputados tomou a iniciativa e aprovou um programa emergencial de renda para alguns setores mais vulneráveis, o DINHEIRO, QUE ESTAVA ESCONDIDO, VAI APARECER.

Como vai aparecer? Contrário ao que ocorre com famílias, um país que emite sua própria moeda pode e deve, em situação de guerra ou de tragédia econômica e social terminal, criar moeda.

Amor ao próximo pode ser condição necessária, mas não é suficiente. Só amor não salva vidas. Precisamos da imediata distribuição coordenada de cestas básicas, da instituição e pagamento urgente de uma renda mínima a todos os necessitados, da ação coordenada e ativa dos governos nos três níveis e, amor ao próximo, que ninguém vai sair dessa sozinho.

Paulo Martins

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