Monark, Kataguiri e o Nazismo

Do professor Luis Felipe Miguel

Até ontem, eu não sabia quem era Monark. (Certamente virá alguém dizer que sou elitista e alienado por causa disso, mas a vida é curta demais para que eu me imponha a obrigação de conhecer todos os influencers direitistas e mentecaptos do mundo.)

Não vi o podcast com Tabata Amaral e Kim Kataguiri, no qual ele, secundado pelo deputado do MBL, defendeu o direito de organização dos nazistas. Pelos resumos que li, tendo a concordar com a apreciação de Carlos Reiss, coordenador do Museu do Holocasto em Curitiba: “Eu não vejo, a partir da fala dele, explicitamente, uma apologia do nazismo. Acho que existe uma deturpação do que é a liberdade”.

É importante fazer esta distinção, porque o não enquadramento dele no crime de apologia não significa, de forma nenhuma, que sua fala não foi nociva.

Da forma como vejo, o centro do discurso seja de Monark, seja de Kataguiri, é a equiparação entre nazismo e comunismo. Uma tese que aparentemente é tão forte que até o PCO acredita nela.

Monark e Kataguiri fingem ir no caminho contrário, mas na verdade estão no mesmo diapasão daquele projeto do Eduardo Bananinha, de criminalização da defesa do comunismo.

Comunismo e nazismo são apresentados como simétricos. Se um é proibido, o outro deve ser. Ou: se um é permitido, também é preciso permitir o outro. Tudo isso em nome de um pretenso “fair play” na disputa ideológica, tal como explicitado pelo pseudo-bêbado no podcast.

Uma versão, para consumo do grande público, da velha tese ideológica do “totalitarismo”.

Já escrevi várias vezes sobre isso, então vou repetir mais uma vez: comunismo e nazismo são duas correntes antagônicas. Um liberal honesto deveria ser capaz de admitir isso.

A utopia comunista é uma sociedade de igualdade, de liberdade plena e de cooperação. Já o nazi-fascismo prega abertamente a hierarquia, a violência e a submissão ou mesmo o extermínio daqueles apresentados como inferiores.

São esses os valores básicos que orientam cada projeto político, os afetos que eles buscam mobilizar. Não poderiam ser mais diversos.

Não é preciso negar o caráter assassino do regime stalinista para chegar a esta conclusão.

Sim, a experiência histórica do regime que se afirmava comunista (ou ao menos voltado à construção do comunismo) foi marcada pela violência em larga escala – assim como, aliás, foi a experiência histórica das sociedades que se proclamam liberais, responsáveis, por exemplo, pelos crimes do colonialismo e pela pauperização da classe trabalhadora.

Mas o holocausto dos povos judeu e roma (“ciganos”) é uma consequência lógica, uma derivação do mito hitlerista da raça ariana. Poderia não ter ocorrido, pelo menos não da forma que ocorreu; mas estava contido, em semente, em toda a pregação nazista, desde antes da conquista do poder.

Já o gulag, ao contrário, não está incluído no marxismo, no discurso comunista ou na Revolução de 1917: é uma degeneração, uma aberração ou, quando muito, uma virtualidade não necessária.

Vetar a difusão de propaganda nazista é uma forma de garantir que os direitos de vastas parcelas da população não sejam ameaçados. Já criminalizar o comunismo é bloquear a discussão sobre que mundo queremos construir.

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