Bomba atômica de Hiroshima: 70 anos de um crime

Em 06 de agosto de 1945 os EUA jogou em Hiroshima uma bomba atômica que causou a morte instântanea de 78.000 pessoas, em grande parte mulheres e crianças. 

Nos anos seguintes, foram contabilizadas mais de 200 mil mortes. 

Trata-se de um crime monstruoso, pela quantidade e pela desumanidade. Muitos, simplesmente, viraram pó. Outros sofreram ferimentos e sequelas horríveis.

Faz 70 anos que a bomba foi lançada, mas não podemos deixar cair no esquecimento.

Em 30/04/1945 Hitler cometeu suicídio. Em 07/05/1945 a Alemanha rendeu-se incondicionalmente.

O Japão já estava derrotado, queria negociar uma rendição, mas não havia se rendido incondicionalmente.

O objetivo das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki era obter tal rendição incondicional.

O próprio general norte-americano Eisenhower opunha-se ao lançamento da bomba, pois o Japão já estava derrotado.

Portanto, jogar bombas atômicas em derrotados, especialmente em mulheres e crianças, por motivo torpe, além de ser crime de guerra, é crime de lesa-humanidade.

Sabemos que a história é escrita pelos vencedores. Assim, embora todos mostrem suas condolências pelas mortes, evitam condenar os seus autores.

Basta uma simples lavagem cerebral, uma simples manipulação da opinião pública, e os autores escapam da condenação pública.

Não podemos, jamais, esquecer. Para que o horror não se repita nunca mais.

Assista um clip, com poema de Vinicius de Moraes, cantada pela banda Secos e Molhados. Clique abaixo:

http://youtu.be/GqG0LGN84SA

Paulo Martins – dialogosessenciais.com

Onda Conservadora: Ataque ao Estatuto do Desarmamento

Não sei o que é pior. O programa BBB da Globo ou a bancada BBB – Bancada da Bala, da Biblia e da Boçalidade, atuante no Congresso e que está tentando desmontar todos os avanços civilizatórios conquistados com luta durante muitos anos.

Paulo Martins

 

Publicado originalmente no site VICE.

A Trajetória de uma Calibre 12 e o Projeto que Ameaça Fazer a Alegria do Crime

março 13, 2015
por Bruno Paes Manso

Sandro* era analista de sistemas, escrevia livros sobre tecnologia e colecionava armas. Morador de um sobradinho geminado na Lapa, bairro de classe média de São Paulo, seu pequeno arsenal não foi capaz de evitar o ataque surpresa contra a família. Ele estava fora quando três assaltantes invadiram sua casa. Armados, os ladrões ameaçaram sua mulher e levaram diversos objetos, entre eles dois revólveres e uma pistola da marca Taurus e uma espingarda Boito.

Isso foi no dia 25 de setembro de 2008. Começa aqui a história da espingarda calibre 12: a arma, com dois canos longos e escuros, viveu dias pacatos sobre a estante de um colecionador antes de ser roubada e iniciar sua trajetória pelo mundo das sombras, onde produziu desgraças. Entre 2008 e 2013, a calibre 12 circulou incólume. E não se sabe quantos crimes ajudou a praticar – pelo menos até o dia 15 de janeiro de 2013, quando foi apreendida em Embu das Artes, depois de protagonizar um assassinato cruel.

As balas dessa espingarda mediaram um conflito relacionado a um triângulo amoroso foriormado por duas mulheres, Wilka e Daniela, e um homem, Márcio, que, em seu depoimento na polícia e no interrogatório processual, confessou ter matado Daniela por “ciúmes e traição”. Os detalhes do conflito foram descritos no processo ao qual a VICE teve acesso.

Wilka namorava Márcio fazia dois meses. Nada muito sério. Logo no começo do namoro, ela voltou a se envolver com sua ex-amante, Daniela, assumidamente gay. Márcio descobriu a traição e ficou possesso. Em seguida, passou a maquinar uma tocaia. Wilka, por razões desconhecidas, acabou ajudando Márcio. Ela ligou para a amante Daniela e disse que estava passando mal. Tudo fingimento. Pediu à amante e amiga que a acompanhasse até um hospital. Daniela acompanhou Wilka sem saber que estava sendo arrastada para uma arapuca.

Quando chegaram ao Valo Velho, bairro da zona sul, o namorado traído colocou as duas mulheres no carro. No porta-malas, estava guardada a Boito Calibre 12. Os três partiram para caminhos escuros e isolados da periferia. Pararam o carro numa estrada erma em Embu das Artes. Márcio desceu e pediu para Daniela o acompanhar. Pegou a arma no porta-malas e disparou dois tiros.

Foi com a Boito Calibre 12, objeto de desejo de um colecionador na Lapa, que Márcio matou Daniela. Márcio deixou Wilka em um ponto de ônibus e seguiu para casa. À noite, Márcio e Wilka foram a um motel. Ele deu uma surra nela. Hoje, está preso. A arma foi apreendida em um depósito da Justiça.

Toda arma vende aos homens a ilusão de ter superpoderes. Com ela nas mãos, é como se o próprio corpo ganhasse dois tubos esguios na extremidade dos braços e passasse a soltar balas mortais contra os inimigos. Em vez disso, porém, o dono de armas se torna uma importante fonte de abastecimento dos criminosos.

Afinal, não basta ter armas para se defender. É preciso também estar com o espírito armado e engatilhado, o tipo de disposição que predomina entre os predadores integrantes de atividades criminais. E que passa ao largo das presas, as proprietárias de armas legalizadas.

A realidade das ruas em São Paulo e no Brasil é revelada por números incontestáveis. Resultados parciais do levantamento que vem sendo feito pelo Instituto Sou da Paz em conjunto com o Ministério Público Estadual mostram que 38% das 4.289 armas rastreadas em casos de roubos e homicídios em São Paulo nos anos de 2011 e 2012 possuíam registro, o que na prática significa que foram roubadas de seus proprietários antes de serem usadas em roubos e assassinatos. Só não se pode cravar o resto, porque a numeração foi raspada. Mas são armas produzidas no Brasil. Ou seja, elas não são contrabandeadas nem vêm de fora – nem mesmo do Paraguai. São comercializadas aqui.

Conhecer a trajetória da Calibre 12 do colecionador e de outras armas é esclarecedor neste momento, em que deputados estão prestes a votar a flexibilização do Estatuto do Desarmamento no Congresso Federal. A intenção é mudar a lei aprovada em 2003, considerada uma das políticas públicas mais relevantes para se reduzir a violência no Brasil. Não se deve menosprezar a capacidade dos congressistas em tomarem decisões erradas.

Os riscos de retrocesso são reais diante de um Congresso formado por deputados que receberam dinheiro da indústria de armas e munições (10 campanhas foram financiadas com dinheiro de armas) e que vêm se reunindo em torno da chamada bancada da bala, tristemente populista, barulhenta e ativa.

Uma Comissão Especial deve ser formada nos próximos dias para analisar as mudanças no projeto. Dos 26 nomes a integrarem o grupo, já foram escolhidos 11 deputados. Quatro são policiais, caso do policial federal Eduardo Bolsonaro (PSC-SP). Outro, Gonzaga Patriota (PSB-PE), teve parte da campanha financiada pela indústria de armas.

Caso a nova lei seja aprovada, as principais mudanças são:

  • Volta do porte civil de armas. O Estado passa a ser obrigado a conceder portes a todos que completarem requisitos mais frágeis do que os atuais;
  • Acaba com a necessidade de renovação do registro de posse de armas e, consequentemente, com a necessidade de as pessoas passarem por novos exames psicológicos e técnicos e apresentarem novos atestados de antecedentes;

  • Passa de 6 para 9 o número de armas permitidas por cidadão;

  • Limite de munições por arma passa de 50 por ano para 50 por mês. Permitindo que alguém com 9 armas adquira mais de 5.400 munições por ano;

  • Não mexe em categorias vulneráveis e anacrônicas da nossa legislação, como a de caçadores e colecionadores de armas, e transfere ao Exército outras atribuições fora de sua missão, como, por exemplo, cuidar de armas de empresas de segurança privada (hoje, a cargo da Polícia Federal);

  • Diminui as penas para comércio ilegal de arma de fogo e tira a exclusão automática de registro para quem for pego embriagado ou entorpecido portando armas.

Em resumo, o projeto aumenta a facilidade para a venda e a circulação de armas, aumentando, assim, o lucro da indústria de armas e munições. Como resultado, a fonte de abastecimento dos integrantes de carreiras criminais, que praticam roubos e assassinatos, também vai se ampliar.

No final do ano passado, uma carta foi enviada ao Congresso pedindo a manutenção da lei. Contra a revisão que tramita no Congresso, o texto contava com a assinatura dos titulares das Secretarias de Segurança do Sudeste, entre eles José Maria Beltrame, do Rio de Janeiro. Os secretários de segurança pediram que as restrições fossem mantidas e argumentaram que o Estatuto do Desarmamento reduziu 12% dos homicídios no Brasil entre 2003 e 2006.

Mas o projeto voltará a ser apresentado na nova Legislatura nos próximos dias e deve ser votado em breve. A confusão em torno de listas de propinas e crises de governabilidade podem ajudar a desviar o foco. Caso seja aprovado, fará a alegria dos criminosos brasileiros em busca de armas para alcançarem seus objetivos ilícitos.

*Os nomes não foram colocados na íntegra porque os envolvidos procurados pediram para não participarem do artigo. Além disso, revelar o nome completo é irrelevante para os propósitos do artigo.

A praga da violência coletiva – Ladislau Dawbor

Diálogos Essenciais

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“Nunca subestime o poder de pessoas estúpidas em grandes grupos

Um aluno um dia me perguntou o que eu achava do homem: naturalmente bom mas pervertido pela sociedade, na linha do “bom selvagem” de Rousseau, ou esta desgraça mesmo que vemos por aí, em estado natural? Na realidade, não acho nem uma coisa nem outra. Acho que temos todos imensos potenciais para o bem e para o mal, para o divino e a barbárie. Cabe a nós, que trabalhamos com o estudo da sociedade e em particular das instituições, pensar o que faz a balança pender mais para um lado ou para outro. Pois deixando de lado alguns traumas e deformações individuais, domínio dos psiquiatras, aqui nos interessa a misteriosa bestialidade coletiva de grandes grupos sociais.

Muitos dizem que a solução está na educação e na cultura. Tenho minhas dúvidas, pois sou de família polonesa, e vi refletido nas angústias…

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A ORDEM CRIMINOSA DO MUNDO – Jean Ziegler e Eduardo Galeano

Para assistir sem preconceitos. Você vai gostar ou vai odiar, mas não poderá ficar indiferente. Acho …

Trata-se de um programa apresentado por tv espanhola com Jean Ziegler e Eduardo Galeano, antes da crise que assolou a Espanha e o resto da Europa. É planfetário? Sim. É utópico? Claro que é. Está fora de moda? Está. Tanto quanto estão fora de moda alguns valores humanitários básicos. Talvez, exatamente por isso, seja necessário reprisar.

Toque no link.

Paulo Martins – dialogosessenciais.com

http://youtu.be/GYHMC_itckg

Perfil do traficante Marco Archer

O diariodocentrodomundo.com.br publicou um perfil do traficante Marcos Archer escrito por jornalista que o entrevistou durante 4 dias em 2005.

Mesmo sendo contra o tráfico de drogas, continuo firme na minha posição contra o assassinato de pessoas pelo Estado, de qualquer pessoa, por qualquer Estado. O assassinato (a execução) praticada pelos Estados Unidos, nos estados onde a pena de morte é legalizada, não é mais nobre que a pena de morte praticada na Indonésia, na Coreia do Norte, ou em qualquer lugar. É tudo assassinato. Não existe nobreza nenhuma em assassinar um ser humano, por mais abjeto e recriminável. O fato deste tipo de assassinato ser legal não muda nada: continua sendo um uso criminoso,  perante a consciência de todos os humanistas, do poder de Estado. É um caminho tão fácil quanto perigoso. Comprova a falência desse Estado.

O assunto da pena de morte é polêmico. Minha opinião está ancorada em valores humanitários, a principal marca deste blog. Assim espero.

Paulo Martins/dialogosessenciais.com

CLIQUE NO LINK ABAIXO PARA TER ACESSO AO ARTIGO COMPLETO

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-perfil-de-marco-archer-por-um-jornalista-que-conversou-com-ele-4-dias-na-prisao/

A epidemia da indiferença

Artigo publicado na revista Carta Capital em 9 de janeiro de 2015

Este artigo, escrito por Atila Roque e publicado sob o título de “A violência no Brasil tem cor”, aborda um assunto que virou rotina e não choca mais ninguém. Mudei o título por que acho que a indiferença complementa o mal causado pela violência e a realimenta.

Paulo Martins

Cinco jovens foram assassinados em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense: um com 12 anos, um com 14, um com 15 e dois com 18. Um sexto jovem, com 12 anos, sobreviveu à tentativa de homicídio. Eram seis jovens, mas este crime não mereceu destaque em nenhum jornal, tampouco o pronunciamento de nenhuma autoridade.

O assassinato de Michael Brown, em agosto, ocorreu num subúrbio negro e pobre dos Estados Unidos. O mesmo acontece todos os dias no Brasil. Os jovens negros são os mais afetados pela violência e sabemos que uma parte destes homicídios é decorrente de intervenção policial. Tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil há uma herança de exclusão social e discriminação associada a juventude negra, que deve ser amplamente discutida e repudiada. A diferença é que no caso dos Estados Unidos, a morte desse jovem pela polícia provocou comoção e revolta, enquanto no Brasil raramente chega aos ouvidos da maioria da população. A sociedade convive com isso como se a morte violenta fosse o destino inevitável desses jovens. Não é.

Um dos desafios de grandes pensadores do século XX foi tentar entender como tantos alemães tornaram rotina lidar com a brutalidade da tragédia que ocorria por lá durante o holocausto. Hannah Arendt descreveu esse fenômeno como a banalização do mal. A ideia contemporânea de Direitos Humanos surge daí. A sociedade, o Estado, todos devemos nos sensibilizar, nos chocar, quando se violam direitos, quando se produzem tragédias. Alguns pensam: “O mundo é mesmo um lugar violento”. Não. Violento mesmo é o Brasil. Em 30 anos foram cerca de 1 milhão de pessoas assassinadas. O Brasil é responsável por 10% dos homicídios do mundo! Mata-se mais por aqui do que somados os principais conflitos armados do planeta. Achar isso banal é entregar-se à epidemia da indiferença.

São 56 mil homicídios no Brasil por ano. Desse total, 30 mil tinham idade entre 15 e 29 anos. É razoável lidar com esta naturalidade com o homicídio em massa de jovens? E por quê? Não nos enganemos. Os que morrem são em sua maioria negros, são pobres, são invisíveis. Não pensamos que, por trás do número de um milhão de mortos, há um milhão de mães, de familiares, de vidas roubadas, histórias interrompidas. Tornamos tudo isso invisível.

Por isso a Anistia Internacional lançou recentemente a campanha “Jovem Negro Vivo”, com o objetivo de romper com o silêncio e a indiferença da sociedade e do estado em relação a essas mortes. A morte violenta não pode ser aceita como destino de tantos jovens.

E a curva de crescimento continua ascendente. Nos últimos dez anos, por exemplo, a violência letal entre os jovens brancos caiu 32,3% e entre os jovens negros aumentou 32,4%. Ou seja, os homicídios de jovens negros são um dos principais pilares que sustentam o aumento das mortes. O outro pilar é a indiferença com a qual a sociedade e o estado tratam essas mortes, como se já tivessem passado a fazer parte da paisagem natural de nossas cidades.

Há muitas causas para o problema dos homicídios no Brasil. Uma delas consiste no sistema de Justiça e Segurança Pública, que tem sido historicamente marcado por uma distribuição seletiva da justiça e da impunidade. Um sistema altamente ineficaz no combate à criminalidade, profundamente marcado pela violência policial e por prisões conhecidas por suas “condições medievais”, em palavras de José Eduardo Cardozo, Ministro da Justiça.

Uma parte significativa da letalidade decorre de ações das polícias. Não é exagero dizer que as polícias no Brasil se encontram entre as que mais matam e morrem no mundo. Os dados divulgados recentemente pelo Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 490 policiais tiveram mortes violentas no ano de 2013. Nos últimos 5 anos (2009-2011) a soma é de 1.770 policiais vitimados. Cerca de 75,3% foram mortos fora do horário de serviço. No mesmo período, as polícias brasileiras mataram em serviço – em nome do Estado, ou seja, de cada um de nós – 11.197 pessoas, o equivalente ao que as polícias dos EUA mataram em 30 anos. Esse quadro é o resultado do fracasso de uma política de segurança que estabeleceu a guerra como paradigma de ação, onde os inimigos são, em grande medida, os jovens das favelas e das periferias de nossas cidades, em grande maioria negros.

Outro motivo é a impunidade. O Brasil prende muito e mal. Menos de 8% dos homicídios no Brasil resultam em processos criminais. Há uma deficiência na investigação, com a existência de duas polícias (Civil e Militar) que pouco dialogam, além de outras questões como a falta de perícia, pouco uso de inteligência, falta de dados, planejamento e coordenação institucional e federativa. Somos o 4º país em população carcerária, atrás apenas de Estados Unidos, China e Rússia. As condições são péssimas: de alojamento, de alimentação, de justiça. Superlotação, torturas, condições de higiene precárias, revistas vexatórias em familiares – incluindo crianças – e toda a sorte de punições para quem cometeu delitos são comuns.

Ferguson e Brasil têm muito em comum, mas os americanos estão um passo à frente para a resolução do problema. Eles admitem que há um problema em matar jovens, negros, desarmados. E estão nas ruas dizendo isso de maneira contundente para que o mundo possa ouvir. No Brasil ainda prevalece o silêncio cúmplice.

Não se resolve o problema da segurança pública com um passe de mágica, porém o primeiro passo é perceber que a tragédia não é banal, não pode ser uma nota escondida no jornal. É preciso romper com uma espécie de pacto de silêncio que se estabeleceu em relação a essas mortes, com raras exceções. A indiferença da sociedade com tantas vidas perdidas é uma das nossas maiores vergonhas. Todas as mortes representam uma tragédia e perda irreversíveis. A sociedade tem um papel estratégico na pressão para que esta realidade mude. Não queremos entrar para História como outra geração que tolerou o extermínio.

Indignação do dia, de sempre (revisado)

Este devia ser o blog intitulado “opinião do dia”, onde eu tentaria externar minha opinião sobre o assassinato, o extermínio de vidas, praticado por aqueles que só sabem se impor pela violência. Pelo fuzilamento covarde com AK 47 ou com a utilização malígna da força do Estado, do governo da Indonésia, que vai assassinar, este fim de semana, um ser humano, por mero acaso chamado Marco Archer, por mero acaso brasileiro.

Na opinião de alguns amigos é ruim o blog posicionar-se sobre assuntos tão polêmicos, mas muito pior ainda seria omitir-se.  Eu concordo, em parte.

No caso do assassinato do Marco Archer pela Indonésia e em qualquer outro caso de pena de morte, sou radicalmente contra. O posicionamento é fácil. Tomando a vida como principal valor humano, ao qual todos os demais importantes valores de certa forma se vinculam , é impossível aceitar que qualquer Estado, por mais poderoso que seja, qualquer lei, por mais legal que seja, possa prescrever a execução ou assassinato de um ser humano. Se sacrificar um animal de estimação que está sofrendo muito com dores insuportáveis no fim de sua vida corta nosso coração, imagina a dor pela execução de um ser humano saudável.

A Constituição Federal do Brasil, sabiamente, não aceita a pena de morte. Se um ateu convicto, como eu, abomina a pena de morte por razões humanitárias, como aceitar que cristãos aceitem assassinar pessoas para atender a uma lei específica, de determinado país, votada por Congressistas míopes, em momento de privação de sentidos, de cegueira total?

No caso Charlie Hebdo, a discussão tem que ser mais aprofundada. Tenho lido muito sobre o assunto e ainda não tenho uma posição clara. É muito fácil dar respostas rápidas e simplistas. A primeira coisa que todos deviam evitar é jogar mais lenha na fogueira.

Apelo para Lennon: reproduzo suas músicas “Imagine” e “Give peace a chance” em outro blog. É pouco; vou ter que apelar para o Papa Francisco, em outro blog, que pretendo escrever nos próximos dias. Peço a todos vocês – mais ou menos três pessoas – que acompanham este blog, que aguardem.

Complemento (revisão): embora o assunto do Charlie Hebdo seja complexo, passado algum tempo, depois de refletir, tenho uma posição clara sobre o assunto: não é ilimitado o direito dos meios de comunicação de debochar, injuriar, caluniar ou denegrir a religião de quem quer que seja. Existem formas civilizadas de discutir o assunto e avaliar ou questionar aspectos de religiões que vão contra princípios básicos da dignidade humana.

Por outro lado, é inadmissível e incoerente, para dizer o mínimo, que seja cometida qualquer tipo de violência em nome de uma religião. Massacres coletivos ou assassinatos como aqueles cometidos contra os jornalistas do Charlie Hebdo e contra a população civil em geral são assassinatos, provas de barbárie, situadas nos mais baixos degraus da dignidade humana.

Paulo Martins

Fim de uma era, uma nova civilização ou o fim do mundo?

“Reblog” de texto de Leonardo Boff.
Paulo Martins – dialogosessenciais.com

Leonardo Boff

Há vozes de personalidades de grande respeito que advertem que estamos já dentro de uma Terceira Guerra Mundial. A mais autorizada é a do Papa Francisco. No dia 13 de setembro deste ano, ao visitar um cemitério de soldados italianos mortos em Radipuglia perto da Eslovênia disse:”a Terceira Guerra Mundial pode ter começado, lutada aos poucos com crimes, massacres e destruições”. O ex-chanceler alemão Helmut Schmidt em 19/12/2014 com 93 anos adverte acerca de uma possível Terceira Guerra Mundial, por causa da Ucrânia. Culpa a arrogância e os militares burocratas da União Européia, submetidos às políticas belicosas dos USA.

George W. Bush chamou a guerra ao terror, depois dos atentados contra as Torres Gêmea, de “World War III”. Eliot Cohen, conhecido diretor de Estudos Estragégicos da Johns Hopkins University, confirma Bush bem como Michael Leeden, historiador, filósofo neoconservador e antigo consultor do Conselho de Segurança dos USA que prefere falar…

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Um ponto de partida para 2015 – José Graziano da Silva

Compartilho artigo publicado no Jornal Valor Econômico, de hoje, escrito por José Graziano da Silva. O texto trata da distribuição de renda, erradicação da fome e redução da miséria. O autor é diretor-geral da FAO/Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação e seu currículo pode ser encontrado ao final do texto. Entendo que o principal ponto do texto é a afirmação, exaustivamente repetida nos últimos anos, de que “o mundo produz alimentos suficientes para abastecer toda a humanidade. O elemento escasso é o acesso à distribuição equitativamente da oferta disponível”. Mesmo assim, 800 milhões de pessoas passam fome no mundo.

Paulo Martins

26/12/2014

Um ponto de partida para 2015

Por José Graziano da Silva
O lema da Revolução Francesa – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – tem guiado sociedades mundo afora nos últimos dois séculos. Seus Continue lendo “Um ponto de partida para 2015 – José Graziano da Silva”

Violência contra as mulheres no Brasil

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.
O Escritório de Direitos Humanos da ONU, em colaboração com a ONU Mulheres, desenvolveu um modelo de protocolo para guiar investigações e processos relacionados a assassinatos de mulheres baseados na questão de gênero na América Latina.
Em entrevista à Rádio ONU, de Brasília, a representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman, falou sobre estatísticas de violência de gênero contra mulheres no país.
Assassinatos
“Na última década mais de 43 mil mulheres brasileiras foram assassinadas. Isto quer dizer uma a cada duas horas e a maioria foi no ambiente doméstico.”
Ela disse ainda que estes números não refletem toda a realidade, uma vez que não há estatísticas totais.
Nadine Gasman falou sobre o modelo de protocolo desenvolvido pela agência da ONU.
Modelo
“É um modelo de protocolo latino-americano para investigar as mortes violentas de mulheres por ações de gênero, ou que nós falamos femicídio ou feminicídio. Nasceu como uma ferramenta didática produzida no contexto da campanha do secretário-geral, especialmente porque dentro da campanha o tema do feminicídio foi identificado como um dos mais importantes na América Latina. E também porque além do número de mulheres que são assassinadas na região, vimos que o tema da impunidade era um dos problemas mais importantes.”
HeforShe
Durante a entrevista, a representante também citou a campanha HeforShe, ou “Ele por Ela” contra a violência.
“Esta campanha é uma campanha muito importante para trabalhar com os determinantes da violência contra mulheres e para envolver os homens e os meninos e mudar os esteriótipos de gênero que são o que fazem tanto dano para as mulheres, mas também para os homens. Faz uns dias, por exemplo, vimos que tinha mais de 160 mil homens de todo o mundo registrados no HeforShe. No Brasil contamos com 3,2 mil.”
Segundo Nadine, esta é a repercussão do lançamento mundial. Ela afirmou que há planos de fazer um lançamento no Brasil nos próximos meses, o que espera aumentar o envolvimento dos homens no país.
A campanha HeforShe pela igualdade de gênero foi lançada na sede das Nações Unidas em Nova York no dia 20 de setembro e contou com a participação do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e da embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres, a atriz britânica Emma Watson.
A iniciativa busca mobilizar homens e meninos na luta pelos direitos das mulheres.
Publicado originalmente em radio onu.