BNDES

Dyogo Oliveira afirma que não há evidências de corrupção no BNDES

Atual presidente do banco de fomento, Dyogo Oliveira voltou a rebater afirmações de que a instituição seria uma ‘caixa preta’, segundo acusações do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo
22 Novembro 2018 | 14h49
BRASÍLIA- O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dyogo Oliveira, voltou a rebater nesta quinta-feira, 22, as acusações de que a instituição seria uma “caixa preta”, como disse o presidente eleito Jair Bolsonaro.

“O BNDES é hoje o banco mais transparente do mundo. Nenhum banco publica 100% de suas operações no site”, afirmou Oliveira, numa referência à seção BNDES Transparente, que disponibiliza, na internet, uma série de informações detalhadas sobre os contratos de financiamento, como taxas, prazos e garantias.

Dyogo Oliveira
O presidente do BNDES, Dyogo Oliveira, classificou a instituição como o ‘banco mais transparente do mundo’.
Oliveira também defendeu o corpo técnico do banco. “Não há nenhum empregado do BNDES sequer delatado”, afirmou o presidente do BNDES, em palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). “O BNDES foi objeto de auditoria e investigação. Não há até o momento nenhuma evidência de que tenha havido ato de corrupção dentro do BNDES”, completou.

O presidente do BNDES reconheceu que há operações passíveis de crítica, mas defendeu inclusive o financiamento às exportações. “Tudo o que foi financiado pelo BNDES gera emprego, renda e atividade econômica no Brasil. Nenhum país decente deixa de apoiar suas exportações”, afirmou Oliveira, lembrando que países como Estados Unidos, Canadá e Alemanha têm instituições de financiamento ao comércio exterior.

‘BNDES não pode deixar vazio’
Dyogo Oliveira também afirmou nesta quinta-feira, 22, que a instituição de fomento seguirá como a principal responsável pelo financiamento de longo prazo na economia brasileira nos próximos anos, mesmo com uma mudança em seu papel, diante de um cenário de juros mais baixos.

Oliveira se disse “convicto de que o mercado de capitais está pronto para desabrochar”, mas ressaltou que esse processo levará tempo. “O BNDES vai continuar como principal financiador de longo prazo porque vai levar um certo tempo até que o mercado de capitais seja o financiador de longo prazo”, afirmou o presidente do BNDES, em palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).

O executivo alertou que, nesse processo de substituição, o BNDES não pode “deixar um vazio”. “À medida que o BNDES vai saindo, o mercado vai entrando”, afirmou Oliveira.

O presidente reafirmou ainda a perspectiva de desembolsos na casa de R$ 70 bilhões neste ano. Segundo Oliveira, embora os desembolsos amarguem queda de 13% no acumulado de janeiro a outubro, as aprovações de novos empréstimos já registram alta de 10% no mesmo período. A aposta é que a demanda maior no fim do ano impulsione as liberações em novembro e dezembro.

Transição
Segundo Oliveira, as equipes da instituição de fomento já passaram informações para a transição ao governo de Jair Bolsonaro. Ainda não houve, contudo, reunião com o futuro presidente do banco, o ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy.

“Vamos começar uma interação mais amiúde nos próximos dias”, afirmou Oliveira, que classificou o processo de transição como “tranquilo”.

BNDES – LIVRO VERDE: NOSSA HISTÓRIA TAL COMO ELA É

Este artigo visa divulgar informações para orientar o debate acerca do importante papel do BNDES no fomento do desenvolvimento nacional nos 65 anos de existência do banco.

Em sua curta passagem como presidente do BNDES, Paulo Rabelo de Castro orientou a publicação de um livro, de 340 páginas, mostrando o papel fundamental exercido pelo BNDES na formação da base econômica do Brasil. Este livro está disponível, em arquivo PDF, no site do BNDES. Apresento, abaixo, o link para que as pessoas sérias e bem-intencionadas possam ter acesso a informações fidedignas sobre o papel do banco no financiamento da indústria nacional e, em especial, no financiamento da nossa expoertação de produtos e serviços.

O bolivariano (c.i.) Paulo Rabelo de Castro, neoliberal de diploma e carteirinha, mestre e doutor pela Universidade de Chicago, com atuação em instituições profissionais e de economia da direita brasileira, tais como: LIDE, FIESP, FECOMERCIO/SP e FGV, assina o prefácio.

Antes de sair ostentando seu desconhecimento e ignorância, antes de denegrir a imagem dos experientes e/ou jovens técnicos e profissionais do banco leia, por favor, com atenção e sem ranço ideológico superficial e retrógrado, este Livro Verde. A sociedade brasileira levou anos e investiu  grande soma de recursos públicos e privados escassos para criar esta importante instituição de fomento do desenvolvimento nacional e corremos o risco de, com uma canelada (canetada) inconsequente e vingativa do fascismo neoliberal que a partir de agora irá comandar os destinos do país, destruir o BNDES sem ter nada para colocar em seu lugar e ocupar seu importante institucional.

Paulo Martins

Observação: c.i. (Contém ironia)

web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/12697/2/LIVRO VERDE_2017_final.pdf


Título: Livro verde: nossa história tal como ela é
Título(s) alternativo(s): 65 anos: nossa história tal como ela é
Autor(es): Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Brasil)
Palavras-chave: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Brasil)
Brazilian Development Bank
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Brasil) – Financiamento
Brazilian Development Bank – Financing
Planejamento político – Brasil – 2001-2016
Political planning – Brazil – 2001-2016
Planejamento empresarial – Brasil – 2001-2016
Business planning – Brazil – 2001-2016
Alocação de recursos – Brasil – 2011-2016
Resource allocation – Brazil – 2001-2016
Financiamento do desenvolvimento – Brasil – 2001-2016
Development finance – Brazil – 2001-2016
Inovação – Financiamento – Brasil – 2001-2016
Inovation Finance – Brazil – 2001-2016
Captação de recursos – Brasil – 2001-2016
Fund-raising – Brazil – 2001-2016
Bancos de desenvolvimento
Development banks
Data do documento: 2017
Local: Rio de Janeiro
Descrição: Parte 1. Revisitando o período 2001-2016 — Capítulo 1. Relevância e desempenho do BNDES Capítulo 2. Fontes de financiamento utilizadas pelo BNDES — Capítulo 3. Prudência: crédito, risco e conformidade — Parte 2. Os avanços na atuação do BNDES — Capítulo 4. Atuação inovadora do BNDES nas políticas públicas — Capítulo 5. Presença territorial do BNDES — Apêndice 1. O apoio do BNDES: uma visão histórica — Apêndice 2. Os maiores clientes do BNDES – Referências – Glossário –Ficha técnica
Bibliografia: p. 322-329
Inclui glossário.
Citação: LIVRO verde: nossa história tal como ela é. Rio de Janeiro: BNDES, 2017. 333 p.
Tipo: Livro
Gênero: Textual
URI: http://web.bndes.gov.br/bib/jspui/handle/1408/12697
Data Acesso: 2017-07-17T21:13:39Z
2018-03-19T19:23:48Z
Data Disponibilização: 2017-07-17T21:13:39Z
2018-03-19T19:23:48Z
Editor: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
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Chora doutor, chora …

Neste último último fim de semana tive, em uma reunião familiar, um exemplo, por um lado do grau de alienação de nossa elite – se é que se pode chamar pessoas com bom nível de renda de elite – e por outro, do ódio e do desprezo que essa elite dedica aos perdedores do jogo do mercado, aos servidores públicos e aos porta-vozes destes segmentos, personalizados por Lula e pelo PT.

Em qualquer pequena discussão estes autointitulados vencedores, na verdade integrantes de uma pequena e média burguesia nacional tentam impor, arrogantemente, aos gritos, seus pontos de vista.

Pensando bem, não se pode chamar de ponto de vista um balaio de chavões surrados, que ofendem e desqualificam a todos aqueles que foram selecionados como seus objetos preferidos de ódio irracional. O discurso vazio, sem argumentação e conteúdo, gira sempre em torno das palavras-chaves batidas: PT, bolivariano, Venezuela, Lula, ladrão, roubo, rombo, BNDES, corrupção, funcionários públicos parasitas, Bolsonaro ou Dória presidente …

Os presentes nesta reunião eram, ou pequeno empresário, ou aposentados e rentistas, com renda extra suficiente para viagens rotineiras ao exterior, principal assunto das conversas. São, quase todos, pessoas com visão de vida conectadas com a direita, sem nenhum conhecimento formal ou um pouco mais elaborado de economia, sociologia, história e política e, é óbvio, apoiadores do golpe. Faz tempo que leram o último livro sobre estes assuntos, se é que leram algum livro sério sobre estes temas em suas vidas, já longas.

Consumidores da mídia e de redes sociais que estiveram perfiladas no golpe midiático-parlamentar, não me surpreende que não tenham externado nenhuma crítica ao vice-presidente golpista, aos seus ministros citados, denunciados ou encrencados e aos seus sócios do  PSDB.

O que é notória é a impossibilidade de diálogo sensato e fundamentado sobre qualquer assunto. O raciocínio baseado no bem-comum esbarra na limitação trazida pelo ódio que cega e pelo raciocínio individual-extrativista.

O que transparece é que os odiadores estão em uma espécie de transe frotista-jananístico, que os deixa transtornados, necessitando de um exorcista para expulsar o demônio que lhes tomou o corpo.

Perdi a paciência. Não estou mais deixando tudo passar em branco, como se nada estivesse acontecendo. Dane-se a paz dos velórios e as trocas de salamaleques e sorrisos falsos. Omitir-se, neste momento, é o mesmo que apoiar pelo silêncio a escalada fascista. Estou combatendo todos estes seres abduzidos com argumentos, muitas vezes em seu próprio campo, mas sempre com fundamentação e equilíbrio. E se, no final, nada dá certo, o que tem sido a realidade, resta-me esta trincheira, este blog. Escrevo ou compartilho um artigo, público minha insatisfação, divulgo meu grito de alerta. Antes que seja muito tarde, se é que já não é …

Enquanto isso, no toca-discos, Chora, doutor, com Germano Mathias:

Paulo Martins

A MP que quer imobilizar o BNDES, por Thiago Mitidieri

A MP que quer imobilizar o BNDES

Selic é a maior anomalia da economia brasileira, fruto de uma política monetária insensível ao lado real e principal responsável pelo ‘problema fiscal’ da União

POR THIAGO MITIDIERI 18/07/2017 0:00

Publicado em O Globo

As próximas semanas serão decisivas para o futuro do BNDES, pois serão marcadas pelas discussões finais a respeito da MP 777, que dispõe sobre a mudança na taxa de juros atual aplicada pelo banco para investimentos de longo prazo, a segura TJLP, pela TLP, regulada pelo mercado. Diferentes interesses econômicos estão em lados opostos na discussão, que se desdobra também numa disputa sobre o sentido da medida do governo no atual momento de grave crise, com 14 milhões de desempregados.

De um lado, a MP pune o setor produtivo empregador, que passa a ter mais barreiras para o investimento, encarecendo o custo do financiamento e aumentando o seu risco. Com isso, reduz a competitividade da indústria brasileira, especialmente a de bens de capital, favorecendo a concorrência estrangeira. Também prejudica as empresas que mais precisam de crédito ao inviabilizar o Cartão BNDES, produto voltado para o conjunto de micro e pequenas empresas e que cobre todo o território nacional.

Na outra ponta está o setor financeiro privado nacional e internacional, que ganha por passar a ter o controle quase absoluto sobre o crédito no Brasil. No âmbito do governo, prevalece a vontade da Fazenda e do BC. Perde o BNDES com a eliminação do seu principal instrumento para ser um banco de desenvolvimento.

No caso da infraestrutura, o setor não é atrativo o suficiente para os bancos privados, uma vez que o prazo de maturação dos investimentos é muito longo, e o retorno sobre o capital investido é bem mais modesto. Segundo a Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib ), o déficit brasileiro no setor corresponde a R$ 3 trilhões. Vale ressaltar que até mesmo em países onde o mercado de capitais privado de longo prazo é desenvolvido e as taxas de juros são historicamente baixas e estáveis, o mercado não tem apetite para financiar investimentos em infraestrutura.

E, em que pese essa realidade, o maior obstáculo ao desenvolvimento do mercado de capitais privado de longo prazo no Brasil não é nem o BNDES nem a TJLP; mas sim a Selic, por ser uma taxa de juros básica muito elevada e operada de forma descoordenada. A Selic é a maior anomalia da economia brasileira, fruto de uma política monetária insensível ao lado real e principal responsável pelo “problema fiscal” da União.

É importante que fique claro que os funcionários do BNDES se opuseram e rejeitaram a proposta de extinção da TJLP em assembleia realizada em abril deste ano. A elaboração, capitaneada pelo ex-diretor Vinicius Carrasco, foi muito discutida com a Fazenda e o BC, mas não com o Banco, que é a parte mais afetada pela MP 777.

Que se diga como um alerta, que essa medida é uma “inversão de prioridade” da política econômica. Pois, no momento que o país mais precisa de um banco de desenvolvimento para financiar investimentos que possam contribuir para retomar o crescimento da economia, o governo está decidindo imobilizar o BNDES, cuja consequência será afundar a economia brasileira ainda mais na recessão.

Mas o jogo é pesado. No momento em que o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, sinalizava preocupações com as consequências danosas da medida, os interesses econômicos que se beneficiam dela começaram a se rearticular politicamente e, de modo habitual, a dirigir sua “artilharia” para provocar o recuo do presidente, o que acabou acontecendo ontem, um pouco antes de ser iniciada a primeira audiência pública sobre a MP.

O desfecho, que se dará no Congresso Nacional dentro de um mês, deixará patente o peso dos diferentes interesses econômicos dominantes no país e quais os cenários possíveis para o desenvolvimento e o futuro da economia (e da sociedade) brasileira.

Thiago Mitidieri é presidente da Associação dos Funcionários do BNDES