Precisamos nos encontrar, por Célio Turino

Considero este texto fundamental. Foi publicado neste blog em 15/07/2015 e está atualíssimo. Vale a pena a leitura.

Paulo Martins

Publicado originalmente em outraspalavras.net.

Nada justifica seguirmos moídos. Por uma convergência cidadã, com coerência programática e princípios sólidos; horizontalidade, autonomia e protagonismo social

Por Célio Turino | Imagem: Laurie Pace

Vamos nos Encontrar? Brasileiros e brasileiras; de todas as cores e identidades, gêneros e transgêneros. Um encontro do povo: índios, negras, brancos, amarelas, pardos, mamelucas, cafuzos, mestiças; do povo que trabalha, estuda, brinca, produz, sonha, vive e ama. Vamos nos encontrar? E que seja antes que outros se encontrem por nós.

Mais uma vez, nosso país vive um ambiente de insatisfação letárgica. Acordamos em protestos e logo retornamos ao sono profundo, em um claro sinal de letargia econômica, social, ética, política e cultural. Nós nos colocamos e deixamos que nos colocassem neste estado de prolongada inconsciência. Agora precisamos sair dele. Precisamos reagir! E temos meios para isso, temos força, inteligência, inventividade e coragem. Nada justifica seguirmos sendo moídos, estraçalhados e comidos. Por isso precisamos encontrar um rumo, um futuro.

Precisamos nos encontrar! Mas jamais encontraremos um rumo se permitirmos que os mesmos de sempre continuem nos apontando o caminho. Esses já mostraram do que são capazes (ou incapazes). Não cabe segui-los novamente, nem os atuais, que estão nos governos, nem aqueles que estiveram nos governos passados. Afinal, apenas se revezaram em servir ao deus dinheiro, ao deus mercado, ao deus poder. E entregando o povo em sacrifício.

Podemos nos encontrar? E por nossos próprios meios, por nossa própria análise, com nossa própria força. Só assim encontraremos um novo caminho. Com a nossa gente, com a nossa cara, brasileira, solar, misturada, compartida, solidária, justa e democrática. Um encontro da alegria!

Em tempos de letargia e prolongada inconsciência, prosperam os aproveitadores e oportunistas. Dos partidos políticos que se apresentam como força dominante, nenhum nos serve. Os tucanos só falam em privatizações e cortes de gastos sociais, louvando o Mercado a todo tempo. O PT, que prometia outro caminho, acabou se rendendo ao Mercado e confundiu inclusão social com acesso a bens individuais de consumo e apenas isso. Quanto aos demais “Partidos Cupim”, o que dizer, afora que a sua razão de ser é seguir cupinzando o Estado e o Povo? Não nos servem, jamais nos serviram, apenas se servem. São incompetentes e corruptos, preocupados apenas com suas ganâncias. É isso que os une, por isso não devemos nos unir a eles.
Precisamos nos encontrar! Quem? Os que não se rendem, os que não se vendem, os que respeitam ao próximo, os que respeitam o planeta, os animais, os vegetais, a água, o ar, o solo. O Brasil precisa deste encontro. Encontro dos “de baixo”, dos que sofrem, dos desvalidos, dos que tem coragem, dos lúcidos e honestos. E somos muitos e muitas. Somos a maioria. Precisamos nos encontrar e abrir nosso próprio caminho. O quanto antes, não há mais tempo a perder. Devemos nos encontrar!

O Brasil pode ser bom e justo para todos. E para já! Este tem que ser o objetivo de nosso encontro, nada menos que isto.

Devemos nos encontrar! Os movimentos sociais, ao menos aqueles que nunca abandonaram a sua gente; os movimentos por moradia, os Sem-Terra, os trabalhadores das cidades e do campo, as mães da periferia, os jovens da periferia, a juventude rebelde, os intelectuais e artistas que dedicam seus estudos e suas artes à emancipação humana, os índios, os quilombolas, os sem trabalho, os que “se viram”, os empreendedores honestos e as empresas com boas práticas, os trabalhadores, os que estão perdendo emprego, os que já perderam emprego, os aposentados e todos aqueles que buscam o ganho justo, sem exploração, isso porque justiça só há quando há para todos. Também os Partidos Políticos que não se rendem e personalidades imprescindíveis, dessas que lutam por toda a vida, sempre ao lado do povo, como Luiza Erundina, para permanecer em um exemplo icônico. Partidos e coletivos políticos com caráter democrático, progressista, popular, de esquerda, e que não compactuam nem com o campo governista, nem com a oposição conservadora; mas há que estarmos abertos também a políticos, agentes públicos, militantes e ativistas que, mesmo estando em partidos que um dia já estiveram com o povo e que depois se perderam no exercício do poder. Se comprometidos e sinceros, há que estar juntos, pois o momento é de firmeza sem sectarismo e todos que não compactuam com o pântano político em que colocaram o Brasil, também serão bem vindos.

Queremos um novo caminho e que neste caminho o povo esteja em primeiro lugar. São tantos movimentos, tanta gente a caminhar, não nos cabe seguir andando cada qual em seu lugar. Há que juntar e unir. Unamo-nos! Por um Brasil melhor, sem preconceitos, em que todos possam viver em paz e da forma que melhor lhes convir, com boa moradia, bom transporte, boas escolas, ares e águas limpas, terra, pão, trabalho, arte e liberdade. Precisamos nos unir! Coletivos LGBT, ativistas ambientais, midialivristas, educadores sociais, feministas, ativistas pelos direitos humanos e também dos animais; o OcupeEstelita, o Parque Augusta e tantas ocupações artísticas e generosas que se espalham pelo Brasil, as comunidades de base, as igrejas progressistas, os Pontos de Cultura, a educação popular e a economia solidária. Precisamos nos encontrar, temos que nos conhecer muito mais e mais ainda a dizer e ainda mais por fazer.

Um encontro simples e sincero, de troca de experiências e busca de convergência. Uma convergência cidadã, ao mesmo tempo ampla e firme, com coerência programática e princípios sólidos, feita de baixo para cima, de dentro para fora, com horizontalidade, autonomia e protagonismo social. Uma Convergência pelo Brasil, pela justiça, pela democracia, pela igualdade, pela liberdade e pelo futuro!

Antes que seja tarde, vamos marcar este encontro? Tem que ser para já!

2 Respostas para “Precisamos nos encontrar, por Célio Turino

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