As crianças mortas na praia

Difícil e corajosa a decisão de alguns jornais e sites de publicar a foto do menino, refugiado do horror da guerra na Síria, morto na praia. É a foto do ano. É a foto que sintetiza, sem palavras, a falência do ser humano. É, entre zilhões de fotos e imagens que nos bombardeiam diariamente, a prova da degradação da natureza humana.

Eu não tenho a coragem de publicar a foto, mas acho que ela poderá ajudar a chamar a atenção dos líderes globais para as guerras insanas que assolam o mundo e para necessidade de se procurar uma solução para a crise humanitária na Síria, na Ucrânia, no Oriente Médio, no mundo todo.

Quando critiquei os assassinatos (penas de morte) praticados na Indonésia – apoiados por muitos – meus  argumentos eram em favor da humanidade e da paz. Gentileza gera gentileza. Ódio gera crianças mortas.

O massacre do Charlie Hebdo já está, na maior parte do mundo, em processo de esquecimento. As execuções e os assassinatos em massa aparecem nas TVs de todo o mundo diariamente. Normalmente.

Espero que estas mortes não caiam no esquecimento, nem sejam consideradas normais nestes tempos de barbárie e insensibilidade.

Espero que a morte do menino, que chocou o mundo não seja apenas uma comoção de poucos minutos, mais uma chocante imagem no computador ou uma foto absurda no jornal, que logo será esquecida.

Publico a imagem do luto; o afogamento da humanidade; o desespero de ver os filhos morrendo de fome, sufocados em carrocerias de caminhão ou morrendo afogados na praia.

Publico a insanidade coletiva; a crise da austeridade assassina; a ignorância do orçamento superavitário às custas de desemprego e fome.

Publico a inviabilidade da vida robotizada, sem emprego e sem salário.

Publico a dor e o desespero dos milhões que perdem, para que um pequeno grupo de privilegiados possam manter suas vidas de futilidades, neuroses e egoísmo.

Publico meu horror aos semeadores de crises e fomentadores de ódio e fobias.

Publico a dor do pai e marido desesperado.

Homenageio o menino morto, no inocente sorriso das crianças felizes. Que aprendam a repartir sua felicidade, é só o que eu peço.

Paulo Martins

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