As Oligarquias – Pablo Neruda

diálogos essenciais

Não, ainda não secavam as bandeiras,

ainda não dormiam os soldados

quando a liberdade mudou de roupa,

transformou-se em fazendas:

das terras recém-semeadas saiu uma casta,

uma quadrilha de novos-ricos com escudo,

com polícia e com prisões.

Traçaram uma linha negra:

“Aqui somos nós,

porfiristas do México, caballeros do Chile,

pitucos do Jockey Club de Buenos Aires,

engomados flibusteiros do Uruguai,

adamados equatorianos,

clericais señoritos de todas as partes”.

“Lá, vocês, rotos, mamelucos,

pelados do México, gaúchos,

amontoados em pocilgas, desamparados,

esfarrapados, piolhentos, vagabundos, ralé,

desbaratados, miseráveis, sujos, preguiçosos, povo.”

Tudo se construiu sobre a linha.

O arcebispo batizou este muro

e instituiu anátemas incendiários

para o rebelde que ignorasse

a parede da casta.

Queimaram pela mão do verdugo

os livros de Bilbao.

A polícia

guardou a muralha, e no faminto

que se aproximou dos mármores sagrados

bateram com um pau na cabeça

ou o espetaram num cepo agrícola

ou…

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