O príncipe, as Bacharias e o palhaço

Em entrevista ao “É Notícia”, na RedeTV,  o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que a atual fórmula do salário mínimo “tem que ser revista”. “Chegou um momento que você tem que olhar a produtividade. Quando o salário está muito acima da produtividade, cria problema”, declarou. Ele disse ainda que o candidato tucano nas eleições de 2014, Aécio Neves, foi contra (a revisão da fórmula) “porque estava na eleição … “.

Na minha humilde visão de economista mal preparado a produtividade da economia depende, não só dos assalariados (mão de obra) mas, também, das máquinas e equipamentos, dos sistemas informatizados de gerenciamento e controle dos processos de produção e das condições gerais de produção (condições ambientais de trabalho, etc…). Mão de obra que se alimenta mal, gasta de 3 a 5 horas por dia (sacolejando num trem da Central) para ir e voltar do trabalho, sem a educação e o treinamento adequados não vai mesmo apresentar produtividade compatível com a produtividade das economias mais avançadas. Dê à mão de obra nacional as mesmas condições gerais de trabalho de um nórdico e teremos funcionários com produtividade nórdica e, quem sabe, com um pouco mais de “jogo de cintura” e criatividade.

O sr. FHC pensa torto. Não é reduzindo o salário mínimo que o Brasil vai criar o excedente necessário para alavancar o desenvolvimento econômico. A redução do salário mínimo pode até vir a estimular um crescimento econômico, mas este crescimento será excludente, concentrador de renda, de curto prazo e gerador de ainda maior disparidade na já lamentável desigualdade de renda do Brasil.

O ex-presidente FHC é contra a ascensão social da pequena parcela do assalariado brasileiro que recebe salário mínimo – esta é, aliás, posição conhecida de FHC e coerente com a sua história como político e presidente.

Além de ser contra a recuperação do poder de compra do salário mínimo, FHC, em ataque de sincericídio, confessou que Aécio Neves adotou posição falsa sobre o salário mínimo na sua campanha a presidente em 2014. Eu não tenho nenhuma dúvida que, tão logo assumisse a presidência, uma das primeiras medidas do Aécio seria mexer na fórmula de reajuste do salário mínimo.

Para confirmação, leia em outro post trechos da entrevista de Edmar Bacha, economista da equipe da campanha de Aécio em 2014, onde ele também confessa que estavam omitindo dos eleitores as reais intenções de Aécio e de sua equipe econômica. E, o que é pior, em atitude que eu denominei de “Bacharia”, Edmar Bacha defende essa atitude estelionatária como sendo legítima em campanhas eleitorais. É como se ele reconhecesse que o verdadeiro programa de governo do PSDB era inaceitável para a maior parte do eleitorado e que, expondo claramente seu programa neoliberal, seria impossível ganhar a eleição.

E, depois, temos que assistir estes mesmos políticos-atores condenando o que chamam de estelionato eleitoral da presidente eleita. Risos sardônicos …

Não troco estes políticos-atores pelo digno palhaço que alegrou minha infância em São Gonçalo: George Savalla Gomes (o Carequinha).  Onde escrevi “políticos-atores” quase escrevi “palhaços”. Não o fiz para não nivelar este blog ao nível atual da política nacional e para não desmerecer a classe dos palhaços.

Paulo Martins

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