Um Neruda por semana # 3 – A vida

Que outro se preocupe com os ossários…

O mundo

tem uma cor nua de maçã: os rios

arrastam um caudal de medalhas silvestres

e em todas as partes vive Rosalía, a doce,

e Juan, o companheiro…

Ásperas pedras fazem

o castelo, e o barro mais suave que as uvas

com os restos do trigo fez minha casa.

Vastas terras, amor, sinos lentos,

combates reservados à aurora,

cabeleiras de amor que me esperaram,

depósitos adormecidos de turquesa:

casas, caminhos, ondas que constroem

uma estátua varrida pelos sonhos,

padarias na madrugada, relógios educados na areia,

papoulas do trigo circulante,

e estas mãos escuras que amassaram

os materiais de minha própria vida:

para viver acendem-se as laranjas

sobre a multidão dos destinos!

Que os coveiros escarvem as matérias

aziagas: que levantem

os fragmentos sem luz da cinza,

e falem do idioma do verme.

Diante de mim só tenho sementes,

desenvolvimentos radiantes e doçura.

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