Reconectar o ser aos valores humanitários: essencial e urgente

Post de Pedro Munhoz, em sua página no Facebook:

“Bolsonaro só é possível porque não passamos a limpo os crimes cometidos por agentes do estado durante a ditadura militar. Em parte, a morte de Amarildo, de Cláudia e a prisão de Rafael Braga por porte de pinho sol, foram também possibilitadas pela mesma condicionante. Genocídio indígena e da juventude periférica, idem. Tudo isso acontece e vem acontecendo sem que quase nada fosse feito. Defensores da ditadura, seus agentes e aliados falam da tribuna do parlamento livremente e ocupam cargos em governos que se afirmam do campo de esquerda, chefiam a editoria de jornais, publicam livros de Direito. Ao invés de uma postura de enfrentamento aos agentes etiológicos que fizeram de nossa institucionalidade um ente adoentado de nascença, decidimos que alimentar esses cancros seria mais apropriado. Não há, portanto, Estado Democrático de Direito a se defender por aqui. Há eleições diretas de dois em dois anos, mas se aqueles que deveriam zelar pela Constituição não se prestam nem a defender o mais básico, por que motivo dariam qualquer importância para as formalidades eleitorais? Nunca deram importância a isso, ou a nada que estivesse inscrito em qualquer diploma legal. A Câmara, de forma geral, não se importa. O Senado também não se importa. A mídia não se importa. Uma parcela considerável dos trabalhadores, por nunca terem tido acesso a nada além desse imenso e movediço desprezo pela Constituição, também não se importa. Sou contra o impeachment e tenho clara a minha posição. Mas o impeachment vai passar porque na fissura onde passa policial matando gente inocente e deputado defendendo tortura na Câmara, passa qualquer coisa.”

Meus comentários:

Prezado Pedro, nem sempre concordo com seus comentários. O que é saudável. Não é o caso desta vez. Concordo quase integralmente com sua análise. Que Estado Democrático de Direito é esse onde, quando interessa, a morosidade é a regra e a justa celeridade processual é negada ? Que Estado Democrático de Direito é esse onde é necessário ter muito dinheiro para obter uma decisão da Justiça em tempo hábil ?

Mas, como você mesmo indica, este é somente um dos aspectos.

A introdução do seu texto está ótima. Você iniciou o diagnóstico. Faltou complementá-lo com uma análise mais rica das causas e possíveis soluções. Dá um livro !

Estou vindo de uma palestra do Christian Laval na UFRJ sobre o livro que ele escreveu com Pierre Dardot, “A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal”. Enxergo neste livro as possíveis causas dos males que você apontou em seu curto diagnóstico: o esgotamento da democracia liberal.

O livro de Dardot e Laval parou no meio do caminho. Foi tímido em apontar possíveis soluções para os problemas que levantou. Talvez do estrangulamento que a nova razão neoliberal do mundo traz para as nossas vidas, brote a semente da reação, com a volta dos valores humanistas e das ações voltadas ao bem comum.

Talvez, ao contrário, o efeito seja o fortalecimento dos xenófobos e neo-higienistas na Europa e nos Estados Unidos e dos hidrófobos no Brasil, em toda a América Latina e em diversos cantões do mundo, como a ascensão de Le Pen, na França, de Trump, nos EUA, da extrema direita na Alemanha e dos Revoltados seletivos e dos Bolsonarianos, no Brasil.

Para as esquerdas, a luta contra o impeachment (golpe) ou situações similares no mundo é uma batalha importante, mas uma batalha em uma guerra muito mais ampla.

Esta guerra não poderá ser vencida sem reversão da apatia que tomou conta dos cidadãos no mundo todo. Quando a Alta Política deixa um vácuo, a Baixa Política se apropria das consciências.

Para reversão da apatia é necessário quebrar a lógica do ser-consumidor e do ser-máquina de trabalho e reconectá-lo à sua dimensão humana. Como alcançar a necessária reversão nos valores? Mujica e Papa Francisco deram algumas dicas. Falta a contribuição das esquerdas. Com teorias e, principalmente, ações.

Foto: Tirada durante manifestação contra o golpe na Praia de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro.

 

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