Comissão de Impeachment do Senado, por Fernando Brito

Por Fernando Brito, do Tijolaço, em 09/06/2016

Enquanto escrevia, ontem, assisti o espetáculo do dia da Comissão do Impeachment do Senado Federal.

É de deixar qualquer um estupefato.

O núcleo ensandecido pelo ódio (Magno Malta, Ricardo Ferraço, Ronaldo Caiado e – sim, ela, que chega a espumar quando fala de Dilma – Marta Suplicy ), na companhia da possessa Janaína Paschoal nem se preocupam em mostrarem-se dispostos a ouvir qualquer coisa.

Chegam a deixar constrangidos Raimundo Lira e Antonio Anastasia, presidente e relator, ambos comprometidos a afastar Dilma mas com algumas preocupações e dar aparência de julgamento ao massacre que se passa ali.

Primeiro, quando ambos acataram o pedido de auditoria dos atos imputados de ilegais. Sem interromper o processo, feita pelos consultores do próprio Senado, coisa simples.

Sem nenhuma cerimônia, inclusive com grosserias, foram atacados por Janaína e, depois, por Caiado, por estarem sendo “parciais” e colaboradores de um suposto plano para que o processo não se esgote nos 180 dias de afastamento de Dilma. Quando Raimundo Lira a advertiu para que não desrespeitasse a comissão, Marta saltou em defesa da performática advogada, dizendo que ela estava sendo cerceada (figura jurídica inédita, pois nunca se ouviu falar em cerceamento de acusação).

Depois, quando Janaína se servia das perguntas às testemunhas para fazer discursos de direita (pré)primária, falando em remessas para Cuba, para a Venezuela e para a África e foi advertida do óbvio – que as perguntas devem se ater ao objeto do processo – novamente Marta saltou em defesa da sua nova pupila.

É impressionante como a culpa torna o traidor feroz.

Dos depoimentos dos integrantes do TCU, chamou a atenção a recusa em admitir que o Tribunal havia adotado posições inéditas, que não valiam em anos anteriores e, pior, que só foram comunicadas formalmente ao governo depois de editados os decretos de suplementação orçamentária imputados de ilegais.

Mas o melhor da noite – aliás, já de madrugada – foram as testemunhas de acusação recrutadas pelos “”impixistas” entre o corpo técnico do Ministério da Fazenda.

O coordenador-geral de Operações de Crédito (Copec) do Tesouro Nacional, Adriano Pereira de Paula e o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Otávio Ladeira, que estavam ali para “provar” a culpa de Dilma acabaram por inocentar a Presidenta de qualquer alegada irregularidade.

O primeiro admitiu que ela não tem nenhuma responsabilidade direta pelo suposto “adiantamento” ao Plano Safra (que era pilotado pelo Ministro a fazenda, Joaquim Levy, cujo nome, curiosamente, sequer é pronunciado ali). E que os atrasos no pagamento foram decididos dentro do próprio Ministério.

O segundo disse que, desde quando se “identificou problemas fiscais”, nunca houve um encaminhamento especial sobre o problema para a Dilma. E que, nos casos que estão em exame, os de 2015, não só não houve “pedalada” como foram pagos todos os débitos que remanesciam de anos anteriores.

A coisa tornou-se tão ridícula que, diante do ar apatetado dos acusadores, que “apertavam” as suas próprias testemunhas, José Eduardo Cardozo nem lhes indagou nada. Apenas foi cumprimentá-los após seus depoimentos.

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