“Escola com antolhos”, projeto do governo usurpador

Compartilho post da amiga de Facebook, Mara Teles.

Também acho que a “Escola sem partido” é um projeto perverso e perigoso, pelos seus efeitos monstruosos que irão perpetuar-se. Atingirão o médio prazo e comprometerão nosso futuro, transformando-nos em um país refém da monocultura retrógrada dos  valores sociais estreitos e curvado a credos religiosos e filosofia política mesquinhos.

Nas escolas e nas universidades, precisamos exatamente o contrário disso:  precisamos da ampliação dos saberes, sem novos preconceitos e  dogmas. Sem novas teorias obscurantistas e medievais. Precisamos de liberdade de cátedra e de pesquisa. Não precisamos de censores políticos, religiosos ou de costumes. Não precisamos de moralistas cívicos. A escola e a universidade definham quando tentam fazê-las usar antolhos. No final, todos emburrecem.

Propõem a volta ao passado medieval e ficam por aí endeusando os milagres da inovação. Não precisa ser nenhum gênio para perceber que as peças desse quebra-cabeças  não encaixam. O “cérebro” do projeto “Escola sem partido”, por incrível que possa parecer, não sabe do que está falando, pois não frequentou por um tempo razoável qualquer escola. Nosso país perdeu o senso de ridículo. Qualquer um fala sobre educação e apresenta projetos estapafúrdios. Ainda bem que os saudosos Paulo Freire, Milton dos Santos e Anísio Teixeira não tiveram que aturar tanta ignorância.

Paulo Martins

Leia o post compartilhado:

“O memorial “Os sapatos às margens do Rio Danúbio”, feito de sapatos de bronze, fica em Budapeste, na Hungria, às margens do Danúbio. Uma homenagem aos judeus que durante a Segunda Guerra Mundial eram obrigados a retirarem seus sapatos, antes de pularem na água gelada. Antes, os fascistas pediam que eles removessem seus sapatos, já que este item era valioso na época. Em seguida, eram executados com um tiro na nuca. Os corpos caíam na água e eram levados pela correnteza. Os sapatos ficavam na terra, os corpos desapareciam. Há um tempo atrás, fiz com minha filha um cruzeiro em Budapeste, no Rio Danúbio, e naveguei sobre restos de corpos que jamais foram encontrados. Hoje eu despertei me lembrando muito deste memorial. Eu tenho navegado muito sobre mortos e voado sobre países que exterminaram povos. Quito me fez mal físico: é a capital de um país em cujo litoral se encontrou o maior e mais antigo cemitério indígena do continente. Esse contato com a violência e com a crueldade é, contudo, necessário: um país sem memória repete seus erros. Não há memória no Brasil. Quando ela existe, ela é chamada de “Doutrina”. O projeto de “Escola sem Partido” não quer eliminar a “ideologia” nem a “doutrinação”: ele quer eliminar a memória, a política e a história. É do meu ponto de vista o projeto mais perverso que circula neste país que, antes de ser uma promessa de Gigante, aprende a ser nanico dia a dia. E sua pequenez não vem só dos seus políticos: vem também de parte de uma classe média letrada e de grupos religiosos, que preferem deliberadamente esquecer. O Brasil é um país cruel. Não há um pingo de bondade nestes dias nas instituições e nas pessoas que querem promover o esquecimento. Quem quer esquecer a violência, os conflitos e a crueldade quer apenas voltar a praticar a violência”.

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