Os ditadores – Pablo Neruda

Os ditadores

Ficou um aroma entre os canaviais:

uma mescla de sangue e corpo, uma penetrante

pétala nauseabunda.

Entre os coqueiros os túmulos estão cheios

de ossos demolidos, de estertores calados.

O delicado sátrapa conversa com taças, pescoços e cordões de ouro.

O pequeno palácio brilha como um relógio

e os rápidos risos enluvados

atravessam às vezes os corredores

e se reúnem às vozes mortas

e às bocas azuis frescamente enterradas.

O pranto está escondido como uma planta

cuja semente cai sem cessar sobre o chão

e faz crescer sem luz suas grandes folhas cegas.

O ódio se formou escama por escama,

golpe por golpe, na água terrível do pântano,

como um focinho cheio de lodo e silêncio.

 

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