Nova subjetividade: escravos econômicos

O cidadão golpista comum é fruto de uma nova subjetividade que se instala nas sociedades capitalistas. Este novo sujeito aparenta gostar de ser escravo econômico do capital. Considera-se empresário de si, pois introjetou uma racionalidade neoliberal que auto-governa sua vida. Não se trata de um controle externo, mas um “governo de si empresarial”, que permite uma forma mais eficaz de sujeição. Trata-se de uma nova forma de sujeição na qual este sujeito é impelido a entregar-se completamente, a transcender-se pela empresa, a motivar-se cada vez mais para satisfazer o cliente e a competir internamente com seu colega de trabalho.

Então, submissos e auto-controlados, estes novos sujeitos neoliberais  receberão pau simbólico no lombo tão logo seja concluído o processo de impeachment e sejam implementadas as medidas negociadas no conluio dos donos do poder.

Aposentadoria, inicialmente aos 65 anos e depois aos 70 anos. Terceirização ampla e geral. Destruição do projeto Minha Casa, Minha Vida.  Universidade paga. SUS reduzido. Plano de Saúde particular com um mínimo de cobertura. Congelamento dos gastos com saúde e educação por 20 anos.

Zumbis, seres abduzidos, auto-controlados pela nova subjetividade, esses sujeitos são verdadeiros escravos econômicos que vão para as ruas gritar por mais escravidão.

Acham que só os outros serão prejudicados e eles, sozinhos, vão se dar bem. Não vão nem ficar cada um para si em luta contra os empresários da FIESP, dos bancos e do agronegócio. Como internalizaram a ética neoliberal, nem lutam contra seus algozes.

Serão terceirizados, e terão status similares aos de escravos econômicos. Vão ter que trabalhar de camelôs ou sujeitar-se a condições muito piores para manterem seus empregos. Se não entregam a produtividade requerida, perdem a competição  para o seu colega de trabalho, agora transformado em seu competidor, também empresário de si. Também lobotomizado.

O salário mínimo será reduzido. E os benefícios da previdência serão desvinculados do salário mínimo. Escravos econômicos, terão que trabalhar para comer, morar de aluguel e para pagar remédios e passagens de trem e de ônibus. Não sobrará dinheiro para colocarem seus filhos em uma boa escola. Como virtual mão de obra escrava receberão só o suficiente para permanecerem vivos. Sem lazer, sem crescimento pessoal, sem condições de sustentar suas famílias de forma digna. O que impressiona é que estes escravos econômicos, empresários de si mesmo, irão para as ruas comemorar o golpe e a futura cassação dos seus direitos.  E ficarão assim até que nova subjetividade se instale e uma nova consciência de classe prevaleça. Vai demorar um pouco. Espero que quando vir, venha como um tsunami, varrendo toda essa lógica neoliberal e seus zumbis amestrados.

Fonte: A nova razão do mundo – ensaio sobre a sociedade neoliberal, de Pierre Dardot e Christian Laval, Editora Boitempo.

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