As lojas de cristais dos golpistas

Compartilho post de Pedro Munhoz, do Facebook. Desculpe, Pedro, se em vez de compartilhar no Facebook compartilho aqui, no meu blog. Qualquer problema, por favor, me informe e eu “descompartilho”.

Vai ser extremamente fácil atirar nos golpistas da política. Quase todos têm telhado de vidro ou são donos de lojas de cristais finos. Haja tempo. Haja pedra.

Paulo Martins

“Se tem uma coisa que Michel Miguel nunca foi na vida, é vidraça. Ele fala, se veste e gesticula como alguém que se tem em altíssima conta. Se rodeia de gente, além disso, que só faz reforçar o elevado conceito que ele tem de si mesmo. Gente rasteira, pequena, mesquinha, que não domina ofício outro que não o da bajulação rebaixada e oportunista.

Com seus poeminhas diletantes e autocentrados, seus ternos escuros, cabelos emplastrados, abotoaduras e diploma de bacharel em direito, o bardo de Tietê não desejava outra cousa na vida além de ser um personagem político da belle epoque, desses que se transformam, depois de mortos, em ruas-verbete enciclopédico de Copacabana. Na plaquinha azul, esquina, talvez, com a Joaquim Nabuco, ler-se-ia: Michel Miguel Elias Temer Lulia (1940-2016) político, advogado, poeta laureado e escritor brasileiro. Que doce sonho! Ó, que grata homenagem seria! Tornar-se em banheiro dos poodles das madames e em escarradeira de desembargadores aposentados!

Nasceu porém um pouco tarde para tal o golpista com alma de artista. Teve que se contentar, por muito tempo, com um breve verbete da wikipedia. As pessoas simplesmente se recusavam a ver nele a grandeza de que ele se julgava portador, reforçada, sempre, por seus amigos leais que, além de lhe elogiarem os engenhosos versinhos, também lhe atribuíam adjetivações as mais nobres. Um grande conciliador, um homem de diálogo, um orador de espírito, um notável homem público!

Ele acreditou, mas nunca conseguiu sair de sua penumbra particular, de seu cubículo, do pálido e condenscendente simulacro de vida real que é o parlamento. Em tais estreitos aposentos permaneceu, mesmo após ter sido alçado à condição de vice-presidente.

Michel Miguel julga viver ainda no mesmo cubículo de permissividade, bajulação servil e tolerância quase ilimitada onde se alojou desde a gênese de sua vida política, mas hoje, meus caros, ele é vidraça.

Ele se julga mais hábil do que a desajeitada búlgara que lhe antecedeu na cadeia presidencial: conjuga os verbos com correção castiça, produz discursos em redondilhas menores, leu Cícero, Catulo, Horácio e Ovídio; domina a esquecida arte da mesóclise. Por que razão o populacho não se admiraria dele, se Eduardo Cunha, Jucá e o poeta José Sarney se comprazem de sua companhia?

Eis que a plebe ignara lhe desfere vaias, insultos, maldições; chamam a ele, douto constitucionalista de penteado impecável, golpista! Ele se empertiga, se ofende, bate a mãozinha na mesa, diz que não admite. Mal sabe ele que sua indignação o torna sensivelmente mais engraçado, mais digno de escárnio, mais caricato, mais grotesco.

Algo me diz que o sonho de se tornar em rua-verbete de Copacabana está cada vez mais distante e que, em breve, ele há de descobrir que seu cubículo não é do tamanho de um país inteiro.

Pobre Michel Miguel. Que Deus proteja sua pequenina alma”.

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