É preciso ter paciência …

Estamos vivendo tempos confusos. Tenho externado aqui minha preocupação, faz tempo. Ultimamente tenho procurado ler, estudar e pensar mais do que falar sobre qualquer notícia que surge nestes tempos conturbados. Sem omitir-me, tenho tentado seguir os conselhos do mestre Thiago de Mello em seu Horóscopo para os que estão vivos”:

…”É preciso ter paciência com as vaidades verdes.

Escuta a canção do vento que inventa

o redemoinho das palavras,

e quando o sol estiver a pino

evita as próprias palavras:

um autêntico Áries deve preferir não dizer

quando dizer é confundir.

O sectarismo está cravando no teu sonho

os seus dentes de nácar,

e nem te dás conta.

Ademais, não são de nácar”.

Fiquei chocado com a morte e suicídio de pai e filho ocorrida em Goiânia e esperei o assunto “decantar” um pouco antes de falar qualquer coisa e colocar mais lenha na fogueira. Mas não posso deixar de emitir, mais uma vez, um sinal de alerta.

Assim, compartilho texto que faz um apelo à reflexão.

Paulo Martins

Este País está doente.
Quando se lê, ao acordar, que em Goiânia, pertinho de nós, um pai matou seu filho único, estudante de matemática na UFG, porque participara do movimento de ocupação de escolas e, depois do crime, suicidou-se, há algo de muito errado acontecendo conosco. Há quem dirá que a culpa é dos “comunistas” que incitaram à ocupação de escolas. Argumento fácil para adoçar neurônios intoxicados de ódio disseminado por todos os meios de comunicação. Não percebem, porém, esses dedos apontados, que são eles tão vítimas quanto o infeliz pai.

Fatos como este não acontecem por acaso. Não podem mais ser qualificados de marginais. Eles fazem cada vez mais parte de nosso doentio cotidiano. Estamos assistindo entorpecidos ao alastramento dessa psicose coletiva, adredemente inoculada na sociedade, para tornar-nos incapazes de reagir ao desmonte de nosso estado, nossa economia, nossa cultura e nosso modo de ser e viver. Só não vê quem não quer ou quem já se deixou acometer por essa epidemia.

Há quem possa e deva ser responsabilizado por isso. O inimigo comum não é o outro que pensa diferente e faz escolhas outras que as minhas. O inimigo comum é quem alastra o ódio para tornar nossa terra um inferno em que se fica encapetando o próximo, longe da lição de homem de Nazaré que nos ensinou a amá-lo.

Quem dissemina bronca, raiva, indignação seletiva pode se considerar co-autor, participe dessa tragédia de Goiânia. Quem semeia o ódio na população civil, orientado por objetivos políticos indisfarçáveis, com a sistematicidade de uma campanha massiva de desinformação calculada, está praticando crime contra a humanidade.

É só ler o Art. 7° do Estatuto de Roma que disciplina o funcionamento do Tribunal Penal Internacional e lembrar-se do precedente do Tribunal de Ruanda sobre a Rádio Mille Collines.

Será que diante da recusa do ministério público e do judiciário, muitas vezes cúmplices, de por termo a essa onda de ódio, vamos ter que recorrer a instâncias internacionais? Reflitamos.
Assina:
Ex-Ministro da Justiça Eugênio Aragão
Por Izabel Dias Machado
Liliana Costa, Rejane Prevot

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s