“Jornais” tradicionais: perderam do senso de ridículo

Manchete de hoje do jornal O Estado de São Paulo:

“Protesto reúne 600 mil pessoas na praia de Copacabana

Principais alvos da manifestação foram os presidentes do Senado e da Câmara; grupos levaram bonecos infláveis do juiz Sérgio Moro vestido de super-herói”.

POLÍCIA MILITAR – SP ✔@PMESP
Informamos que aproximadamente 15 mil pessoas estiveram presentes na manifestação ocorrida na Avenida Paulista na tarde deste domingo.
17:56 – 4 dic 2016

Jornal O Globo:

“O protesto tem três carros de som. O que reúne mais gente é o primeiro, do Vem Pra Rua, que critica políticos e defende a Lava-Jato. O segundo é a favor da intervenção militar e inflou um enorme boneco fardado, batendo continência, e com uma faixa presidencial “Brasil Acima de Tudo”. O terceiro carro defende a instituição da monarquia no Brasil”.

O Jornal Nacional não teve coragem de informar qualquer estimativa de participantes na manifestação de Copacabana, no Rio de Janeiro. Informaram, com ênfase para enganar incautos – essa espécie de pessoas que só lêem os títulos das primeiras páginas dos jornais nas bancas, quando lêem, ou ouvem as chamadas dos noticiários de rádio e TV, quando ouvem – que foram ocupados três quarteirões da Avenida Atlântica. Ora, a Avenida tem uns 30 quarteirões e cada via tem uns 15 metros. Quem viu a manifestação atestou que, na melhor das hipóteses, foram ocupados uns 400 metros. Os manifestantes foram autorizados a ocupar somente uma via. O número normal utilizados no cálculo de multidões é de 4 pessoas por metro quadrado, quando se tem espaço de sobra para todos, como era o caso. Havia ainda espaço dos três carros de som e espaço entre as alas.

Havia ala dos anti-corrupção seletiva, ala dos favoráveis à ditadura militar e a ala dos monarquistas. Cada um com seu carro de som.

Um pouco de matemática simples, nenhuma derivada ou integral, nenhum desvio padrão, apenas contas de multiplicar, temos:

400 m X 15 m X 4 pessoas = 24.000 manifestantes.

Eu não sei se a desfaçatez dos jornalões aumentou muito nos últimos anos. É que no passado, quando faziam poucas e boas, manipulando e fabricando fatos e notícias, não tínhamos acesso às informações que temos hoje. Agora, que a qualidade e independência dos jornalistas caiu muito nestes anos, disso não tenho dúvidas.

O que faz um jornal de São Paulo anunciar em sua primeira página uma notícia com uma discrepância de números tão absurda? Tratam seus leitores como idiotas e não perdem leitores!

Arredonde os meus cálculos para 30.000 manifestantes. Eles informam 600.000!!! Precisariam de uma quantidade de quarteirões 20 vezes maior do que a efetivamente maior do que a real. A PM do Rio de Janeiro não forneceu qualquer estimativa.

Como é um jornal com base em São Paulo, onde tem o maior número de leitores, o normal seria o Estadão informar em sua primeira página o número de manifestantes de São Paulo, o maior Estado e Capital do país e, normalmente, com o maior número de manifestantes. Mas como iriam mentir sem serem pegos? A PM de São Paulo calculou em 15.000 o número de manifestantes na Av. Paulista, em São Paulo. Como o Estadão achou 600.000 no Rio de Janeiro? Se fosse mero erro de estimativa, seria inaceitável. Como existem indícios de que não é mero erro, é condenável.

Sei que alguns vão dizer que este assunto de manipulação de números de manifestantes, informações e notícias é corriqueiro no país. Mas vivemos momento crítico e perigoso no Brasil e uma imprensa séria e bem intencionada é fundamental para sairmos do lodaçal político que a ambição de um partido poli-derrotado nos colocou ao insuflar em discurso no Senado, em 05/11/2014, o caos político e o caos.

Se vocês acreditam no Estadão, continuem lendo. Eu continuo lendo nas entrelinhas e analisando com cautela tudo o que escrevem.

Na vitrola, Simplesmente, com Paulinho Nogueira.

http://dialogosessenciais.com

Neste artigo utilizamos informações de amigos sérios que assistiram a manifestação na zona sul do Rio.

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