O MITO NEOLIBERAL, por Ulysses Ferraz

Compartilho texto de Ulysses Ferraz

O MITO NEOLIBERAL
Terceirização aprovada. Sancionada. Luz, câmera, ação. Homens engravatados apresentam argumentos irrefutáveis. Mulheres eficientes e poderosas apontam justificativas graves. Sisudas. Relações de causa e efeito. Gráficos. Tabelas. Estatísticas. Correlações. Regressões. Engenheiros, matemáticos, físicos e até economistas. Muitos jornalistas. Todos produtores do mito mais poderoso de nosso tempo. Gente séria que se leva a sério todos os dias do ano. Seriedade vinte e quatro horas por dia. Sete dias da semana. O show não pode parar. Como escreveu Roland Barthes: “a função principal do mito é transformar o que é contingente em natural”. Os rituais garantem sua existência. Quanto mais obscura a linguagem, mais confiável. Afinal, costuma-se respeitar aquilo que se desconhece. Os especialistas sabem o que fazem. E o que dizem. Como não se deixar seduzir? Uma narrativa tranquila e poderosa, que defende eficiência, responsabilidade e ganhos justos aos mais adaptados para lidar com os desafios do único mundo possível: livre, competitivo, globalizado e desregulamentado. Tudo deve parecer natural. Descontaminado da política. Desideologizado. Confiável. Técnico. Uma análise científica de uma força da natureza chamada economia de mercado. E assim caminha o inexorável mito neoliberal.

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