Viramos um país de sonâmbulos?

Compartilho texto de Alceu Castilho, do Facebook.

O que dirão agora os fanáticos do relativismo, esses que têm fobia da palavra “golpe”? Vão esperar que a família Jungmann – com essa barba hirsuta e as mãos delicadas do presidente-cadáver – estrangule os direitos do último brasileiro com as últimas tripas de democracia?
E por que tamanha timidez na reação? O que terá acontecido com a geração que se despediu das botas de Figueiredo tapando o nariz com Sarney e sonhando com aquele esboço de democracia possível? O que explica esse grito tímido, esse primo esquálido do silêncio?
Viramos um país de sonâmbulos? Imaginando que se trata de um esboço fugidio de uma intervenção apenas cirúrgica, legítima, como se estivéssemos em um fumacê do Gerald Thomas com roteiro do Michelzinho, auxiliado pelo Pedro Bial? Quem explica essa regressão pós-revolucionária?
Pilantras, infames e canalhas nos assaltam, cafajestes ao mesmo tempo truculentos e trapalhões, essa escória da escória da escória política sequestra há meses nossa Constituição, deixando aqui e ali uma orelha de lembrança, alguma ilha de direitos, e… e o que mesmo?
Nos últimos tempos proliferaram os caçadores de gafes e escrotidões pontuais, valentes perseguidores de gente com pouco ou quase nenhum poder. A esse ímpeto quase fratricida corresponde uma dormência em ascensão, como se estivéssemos sob uma nuvem de drones de kriptonita.
Brasília fede. Está putrefata. Quase ninguém ali poderá mais respirar em breve, mas parece que alguém nos ordenou (deve ser esse controle pela TV ou pelo celular de que tanto falam) que nos paralisássemos, ou que no máximo balbuciemos algum protesto belo e recatado.
Que no máximo balbuciemos algo cheio de relativismos, que sintamos as machadadas de um golpe sem que isso possa ser expresso dessa forma, que vivamos um golpe sem golpe, sem golpistas e sem algozes, sem que expressemos com toda a ênfase necessária que Michel Temer precisa
ser deposto, investigado, denunciado e preso. Por Alceu Castilho

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