Para não dizer que não falei de flores (1)

Acompanhei nos últimos dias as notícias do mundo político-criminal observando, com atenção redobrada, como “as Organizações” monta o seu quebra-cabeças e fabrica uma versão paralela da realidade, dando ênfase em notícias que lhe interessa pautar e escondendo outras que lhe interessa esconder.

Eu já sabia, mas não deixo de me surpreender a cada dia com a extrema competência dessa máquina de moer a realidade e pasteurizar a opinião pública: seja no jornal impresso, nas estações de rádio, nas emissoras de TV, em todos os meios que esse polvo atua, os mantras são repetidos à exaustão até se tornarem verdades fabricadas, que seguirão sozinhas para se tornarem “opinião pública”.

Melhor chamar de “ópio público”, tendo em vista a letargia e o evidente estado de intoxicação da grande maioria das pessoas.

Um açougueiro bêbado é gravado mostrando as entranhas do Ministério Público e as ilegalidades praticadas na montagem das delações premiadas. “As Organizações” fabrica o mantra para ser repetido por todos os seus jornalistas, em todas as suas mídias, “o instituto da delação saiu fortalecido”. Fortalecido onde, meus caros! É muito delírio. É muita má-fé.

As autoridades da França descobrem, por acaso, o eventual envolvimento de brasileiros na compra de votos para escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 e solicitam colaboração da Polícia Federal brasileira. Nos noticiários “das Organizações” a notícia vira “mais uma operação da Lava Jato internacional, a operação unfair play”. É muita má-fé.

Todos sabemos que a grande maioria do povo brasileiro não tem dinheiro para comprar jornais nas bancas ou fazer uma assinatura. A esmagadora maioria das pessoas se “informa” pelos jornais expostos nas bancas, limitando-se a ler os cabeçalhos das notícias na primeira página. Muitos só têm tempo de juntar essas chamadas com as fotos e tirar uma conclusão; quando conseguem concluir alguma coisa no emaranhado de mentiras, sensacionalismo, nonsenses. Juntar  criminosamente texto de um assunto com foto de outro é prática anti-ética comum no jornalismo açougueiro nacional. Foi o que “as Organizações”, mais uma vez, fez. Sem pudor. Veja a foto abaixo. Notícia em letras garrafais sobre o PT, Lula e Dilma e foto de malas de dinheiro atribuídas a Geddel Lima. É muita má-fé.

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Aproveitando o dia de primavera adiantada nesta bela cidade do Rio de Janeiro, peguei minha câmera e  fui ao Jardim Botânico tirar umas fotos. Hora e meia de saudável caminhada. Para minha surpresa havia uma exposição de orquídeas no orquidário e barracas de vendas de orquídeas. Não entendo nada de orquídeas. Só admiro. Vão aí uma fotos.

Lembrei-me de Vandré nos anos de chumbo da ditadura brasileira.

“Pelos campos há flores em grandes plantações

Pelas ruas marchando indecisos cordões

Ainda fazem da flor seu mais forte refrão

E acreditam nas flores vencendo o canhão”

Tire selfies, viaje para Miami, compre uma quinta em Portugal.

Descanse em paz.

 

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