Quando não houver mais Brasil

Logo, logo, quando não houver mais Brasil, só burguesia, polícia e cobradores de impostos, algo não muda: os negros culparão os brancos, as mulheres culparão os homens, os homos culparão os héteros, os intelectuais culparão o passado, os cristãos culparão animistas e muçulmanos, os hipócritas culparão seus defeitos nos outros, os sóbrios culparão as cervejarias e os traficantes, os veganos culparão os omnívoros, os de humanas culparão os de exatas, os do Sul culparão os do Nordeste e eles todos culparão os bacharéis, os militares, os políticos, a corrupção, o nu frontal e o calor dos trópicos.
No entanto, isso tudo se passa no palco do circo, é a sombra da vida real projetada no fundo da caverna.
O que há, realmente – o que se deve considerar para uma ação política prioritária – é o estado-de-arte da luta de classes pelo poder e riqueza: estamos na etapa em que a classe dominante (ou o estamento dela que controla os aparelhos de estado) aliena o país para manter privilégios e acha uma graça danada quando os idiotas que deveriam zelar pelo bem comum brigam entre si acompanhando a disputa dos palhaços e a batalha das sombras.

Por Nilson Lage

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