Pedido para evitar Comissão da Verdade é descabido, por Kennedy Alencar

21-02-2018, 8h47
Villas Bôas mostra despreparo para ação no Rio
Pedido para evitar Comissão da Verdade é descabido

KENNEDY ALENCAR
LONDRES

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, fez um pedido descabido numa democracia. Ele disse que seria preciso uma “garantia para agir sem o risco de surgir uma nova comissão da verdade”.

Se a intervenção não desrespeitar a lei, não desrespeitar os direitos e garantias individuais, não há razão para preocupação. É quase um pedido para agir à margem da lei.

É surpreendente essa frase, porque o general Villas Bôas é um dos quadros mais progressistas e legalistas das Forças Armadas. Provavelmente, é um dos mais preparados militares do país.

Surpreende que ele dê eco a essa visão retrógrada de boa parte da cúpula militar em relação à Comissão da Verdade. Essa comissão deveria ter sido vista pelos militares como uma oportunidade para reconciliação com erros do passado, uma reconciliação com a sociedade civil que sofreu com a clava que perseguiu, torturou e matou em 1964.

Esse pedido do general Villas Bôas mostra uma incompreensão da democracia que suscita uma indagação a respeito do preparo para essa missão de intervenção no Rio. É uma afirmação que sinaliza despreparo para a tarefa.

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