Mujica? Que horror!

Nunca pratiquei caça. Nem com atiradeira, na infância. Acho uma covardia. Ainda maior que as touradas. Nas touradas o toureiro enfrenta o touro sozinho e o touro tem a oportunidade de, pelo menos uma vez ou outra, jogar o seu torturador para o alto. A caçada é traiçoeira. É feita em grupos armados. Uma tremenda covardia dada a total falta de paridade de armas. Todo caçador é, em essência, lá no fundo de sua alma, desde a infância quando atira em passarinhos com espingarda de chumbinho, um ser covarde e cruel.Você não está entendendo esta introdução? Trata-se, de certa forma, de uma tentativa de me livrar das imagens que foram compartilhadas esta semana, por amigos, referentes a um urso preto e a uma girafa abatidos por caçadores sem escrúpulos. Mas é mais do que isso. Trata-se de uma analogia que tenho feito ao ler nas redes sociais ou ao conversar com conhecidos sobre quais seriam as motivações que os teria levado a votarem no despreparado e destemperado capitão paraquedista para comandar os destinos de um país com 209 milhões de pessoas. Analisando as respostas, minha conclusão é a de que seus argumentos não batem com as verdadeiras intenções, escondidas bem no fundo de suas almas. Soam como os argumentos dos matadores de ursos e girafas.Há duas semanas cheguei para a aula de alemão e presenciei a discussão entre um experiente executivo da área jurídica internacional de uma empresa, que criticava com veemência, porém com educação e argumentos, a declaração do perdido capitão paraquedista de que pretendia transferir para Jerusalém a embaixada do Brasil em Israel, e uma aluna, também com idade de pessoa experiente, defendendo com afirmações peremptórias, sem embasamento, tal decisão, pois acreditava que fortaleceria os laços econômicos do Brasil com os Estados Unidos, como se isso fosse bom por definição, sem precisar de qualquer análise. Como ex-profissional de comércio internacional com passagem pelo Itamarati, achei por bem ajudar o colega preocupado com o impacto da decisão estapafúrdia do capitão paraquedista. Rapidamente o assunto descambou para a auto-justificativa de voto para “acabar com essa corrupção toda aí do PT”.Na aula de hoje surgiu o assunto de férias e viagens de fim de ano. Comentei, sério e, de certa forma, provocativo, que vamos passar o Ano Novo em Montevideu para dar um abraço em Pepe Mujica. A colega eleitora do capitão paraquedista reagiu: “Mujica? Que horror!Fiz de conta que não ouvi. Continuei a conversa com os demais colegas, antes que a indignada começasse a matar passarinhos com espingarda de chumbinho, ou seja, começasse a cuspir fogo contra o guerrilheiro uruguaio comunista que liberou o consumo de drogas naquele país comunista.- “Paulo, não entendi o que a espingarda de chumbinho tem a ver com a manifestações de sua colega”.Explico: na minha infância aprendi que a tal espingarda ao ser acionada cuspia uma quantidade enorme de chumbinhos letais em direção ao passarinho-alvo. Exatamente como discutem os propagadores da ideologia bolsal e os seus crentes seguidores. Espalham chumbinho em todas as direções, para ver se acertam algum passarinho. Ora é a corrupção, ora o kit gay, ora o comunismo, ora a doutrinação nas escolas, ora a moral e os bons costumes, ora a legalização das drogas …Observação: as passagens já estão compradas. Imagino a reação dela se soubesse o real motivo pelo qual não queremos estar no Brasil no dia primeiro de janeiro próximo.Paulo Martins

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