Sátira Alemã: A QUEIMA DE LIVROS, Bertolt Brecht

Quando o regime ordenou que fossem queimados publicamente

Os livros que continham saber pernicioso, e em toda parte

Fizeram bois arrastarem carros de livros

Para as pilhas em fogo, um poeta perseguido

Um dos melhores, estudando a lista de livros queimados

Descobriu, horrorizado, que os seus

Haviam sido esquecidos. A cólera o fez correr

Célere até sua mesa, e escrever uma carta aos donos do poder.

Queimem-me! Escreveu com pena veloz. Queimem-me!

Não me façam uma coisa dessas! Não me deixem de lado! Eu não

Relatei sempre a verdade em meus livros? E agora tratam-me

Como um mentiroso! Eu lhes ordeno:

Queimem-me!

Bertolt Brecht

Poemas 1913-1956

Seleção e tradução de Paulo César de Souza

editora 34

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