Vamos!

Comentários ao texto de um amigo sobre as dificuldades de levar uma vida tranquila nesses anos de perversidades bolsonaristas.

Ler livros inteiros está meio difícil, sim.

Mas estou menos impactado com esses dias de trevas do que alguns.
Tenho 70 anos e minha perplexidade política começou no dia primeiro de abril de 1964, na parte da manhã.

Eu morava em São Gonçalo, Terra de Marlboro, de igrejas neopentecostais e do bolsonarismo, e completaria 12 anos devida dali a dois dias. Minha perplexidade foi ouvir no rádio, que ficava ligado o dia todo, o locutor falar contra a ditadura e, uma hora depois, outro locutor falar a favor da ditadura que começava naquele dia. Sem entender, perguntei à minha mãe o que estava acontecendo.
Ela me respondeu: os militares entraram lá na rádio, prenderam o locutor e colocaram outro no lugar dele.

Mas pode fazer isso, assim? Perguntei.

E ela respondeu: poder, não pode. Mas eles estão armados com tanques e metralhadoras.
Daquele dia em diante foi um caminhão de derrotas políticas e algumas poucas vitórias significativas. A sensação é que estamos nós, da esquerda, sempre tentando subir uma rampa ensaboada ou um morro de barro molhado.
A única vantagem de ter 70 anos é já ter visto de tudo quanto é tipo de mentiras, absurdos e barbaridades.
Cansa, mas desistir não é uma opção. Não podemos deixar o país cair no abismo no dia 30 próximo. Qualquer sinal de desespero seria paralisante. Temos que encontrar um jeito de tentar subir o morro novamente, de preferência com bastões de escalada e em equipe. O voto em Lula no dia 30/10 é o recomeço da caminhada morro acima. Vamos.

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